Thata Alves

Poeta, produtora cultural, autora de três livros: “Em Reticências”, livro de poesia lançado em 2016, “Troca” material literário publicado em 2017 e “Ibejis – Poesias do meu ventre”, livro infantil baseado nas vivências de seus filhos gêmeos Bryan e Brenno lançado em 2018, todos sob o selo Academia Periférica de Letras.

Há seis anos idealizou o Sarau da Ponte Pra Cá. Nele, além da apresentação de artistas e autores independentes da periferia, é desenvolvido um trabalho de redescoberta da dignidade com pessoas em situação de rua, onde são convidados a participar de todas as vivências do sarau, sobretudos as gastronômicas, sempre regadas a pratos que ressaltam os sabores brasileiros. Também integra o Sarau das Pretas desde seu início , são quatro anos na jornada, atua como poeta residente e também gerencia as redes sociais.

Filha da manicure Ione Alves e do marceneiro Custódio de Souza, desde pequena aprendeu sobre os valores de suas raízes e hoje transita em diversas plataformas multimídia, dialogando entre as mais diversas formas de arte através de performances poéticas que emanam ancestralidade, feminilidade, amor e luta.

contato: thataalvespoetisa@gmail.com

Site: www.thatalvespoetisa.com

Álbum de fotografia

Texto publicado originalmente em 2 de maio de 2020. Thata Alves – Já deu medo de entrar pela maçaneta da porta, ela reluzia um dourado de 18 quilates, mas como fui convidada a entrar, reajustei a postura e angústia, entrei.Os sapatos eram deixados na porta, então com os pés você acessava a mansão, meus pés pareciamContinuar lendo “Álbum de fotografia”

Metades

Thata Alves- Metade de mim desespera Metade de mim diz, espera. Ouça Metades na voz da autora:

Levanta Preta!

Thata Alves- Levanta PretaLevanta a cabeçaPorque não dá tempo pra lamentarEnquanto chora as chagas do coraçãoHá os meninos querendo sair pelo portão,e a roupa pra lavarA roupa tá lavada e precisa ser estendidae depois de estendidaTira pra chuva não molharA chuva de OxaláVemDeixa elas também seu corpo tocarLevanta a cabeça pretaPorque o turbante fica melhorenaltecidoEContinuar lendo “Levanta Preta!”

Porra Poeta !

Thata Alves- Missão dura ser poeta…Vai desde a sensibilidade de você dobrar as roupas juntas, por achar que se não o fizer, alguma poderá sentir ciúmes.A sensibilidade é tanta, que a dor do outro te dóio dinheiro pouco quer dividire os banzos arrepiam a pele.Poeta não tem direito a ser duro, falar grosso, olhar feio.SeContinuar lendo “Porra Poeta !”

O Levante

Thata Alves- Do que me importa sua ditadura da beleza Trago em meu sorriso Soberana realeza Os atabaques soam das minhas mãos As mesmas que provêm o pão A percussão não é restrita só ao homem Das mãos das mulheres se tem valia Porque desde os tempos da África Que o tambor batia Pelas mãosContinuar lendo “O Levante”

Sótão

Thata Alves – Havia um tapete no sótão, há um tempo com pó e deixado de lado, apesar de estar obsoleto sabia que ali no canto que se mantinha não havia risco de rasgar, ou sofrer qualquer dano como esses de acidentes com cacos de taças de vinho, que para além de alterar sua corContinuar lendo “Sótão”

Fruta cor

Thata Alves – Fruta cor era o olhar dele, agora pense nisso numa pele cor de canela. – Hummmmm! Sentiu o aroma que tem? – Íris acessava o seu amor toda vez assim, ela odiava o jargão “o amor não tem cor”. Porque ela via todas elas, no olhar de seu amado. Púrpura era aContinuar lendo “Fruta cor”

Ele

Thata Alves – A sua agilidade surpreendia a todos, desde menino ele corria pelos cantos, uma velocidade nos pés… Sempre quando as vizinhas precisavam do ingrediente faltante para compor receita daquelas que a gente não pode parar de mexer, chamam por Ele, pois ele sabia todos os caminhos de atalhos para ir mais rápido asContinuar lendo “Ele”

Mininu

Thata Alves – – Po, pó, pó, pó! – Não, menino, não, de policia e ladrão não! – Haaa, manheê!  Droga (isso; diz baixinho). Menino não entende cuidados meus. Como é que vai entender? Sete anos só, e eu quinhentos de atraso. Menino não sabe que agora brinca, mas que logo a frente tá naContinuar lendo “Mininu”

Brasilina

Thata Alves – “Brasilina Minina ! Vai por uma batom vermelho nessa boca seca!” Minha avó me acordava assim, não podia me ver de cabelo fora do lugar, roupa por vestir, que já me estimulava a la moda de dona Brasilina. A moda de minha avó era floral, tudo que era fulô do jardim elaContinuar lendo “Brasilina”

Cacaueiro

Thata Alves- Kakau fazia sua terapia em barras de chocolate. A cada angústia que vivia: chocoterapia. Era seu único vício. Marcos, toda vez que o céu ganhava a mesma cor de sua pele, aparecia! Ele era o cinderelo do enredo todo, quando o carrilhão soava doze badaladas ia embora , num passe de mágica, nuncaContinuar lendo “Cacaueiro”

Mutum

Thata Alves – Eu nunca tive animal na minha casa. É que sempre me preocupei com pôr a comida pros meninos e ter mais um bicho significaria ter mais uma boca para fazê-lo. Tanto que uma vez eles disseram assim: – Mamãe, a gente quer um cachorrinho.  Fui lá e expliquei que um cachorro precisaContinuar lendo “Mutum”

Quem é como Deus.

Thata Alves – Tinha uma caixa com doze cores, para entreter o erê, punha papéis brancos no chão de casa, pra ele ali desenhar. E não é que o menino dava para risco? Todo o desenho de erê era um quadro! Minha sala era quase que uma galeria de arte, de tanto sufite espalhado pelaContinuar lendo “Quem é como Deus.”

Ressignificância

Thata Alves – O calor, dessa vez, não era dos corpos que se tocavam pela primeira vez e nem era a mesma sinfonia que o coração tocava quando, no colar do abraço, o coração – dele – palpitou. Agora era outro ritmo. Era outro cenário, mesmo que na mesma cidade. Dessa vez seu coração batiaContinuar lendo “Ressignificância”

Sem Título

Thata Alves – Pôs os meus pês nas areias árabese gostei da sensaçãoas mesmas me acariciavamprovocavam emoção. Fintava olho a olhoas mulheres de burcatransmitiam curiosidadeolhos por mim registradosde uma forma únicade sua cultura e magiaadotei pra mim a poligamia. Sim! Desta vez eu mulherassumir o papelporque não ter 2 homens? Por que a sociedade temContinuar lendo “Sem Título”

Nego Dito

“Meu nome é/Benedito João dos Santos Silva Beleléu /Vulgo Nego Dito, Nego Dito/ Se chamo a polícia eu viro uma onça eu quero matar, a boca espuma de ódio/ a boca espuma de ódio”. Thata Alves – Toda vez que meu pai se referia ao meu avô materno, ele dizia assim: – Vocês vão láContinuar lendo “Nego Dito”

Mãe Autônoma

Thata Alves – Impressionante o quanto A guarda dos filhos é da mulher Ora se não é? Quando há a separação quem que fica com a prestação do inalador que não sara a dor dessa ferida Fica aberta Pingando sangue E se não fosse o bastante A saúde mental da mulher Sofre Porque ela aContinuar lendo “Mãe Autônoma”

Álbum de fotografia

Thata Alves – Já deu medo de entrar pela maçaneta da porta, ela reluzia um dourado de 18 quilates, mas como fui convidada a entrar, reajustei a postura e angústia, entrei.Os sapatos eram deixados na porta, então com os pés você acessava a mansão, meus pés pareciam acariciar as nuvens com tamanha maciez.Me convidaram aContinuar lendo “Álbum de fotografia”

Areia

Thata Alves – Terra que não germina,não cria raiz.Não fertiliza…É Como se fosse terra estéril.É como se fossebicho de pena que não voa.Galinha é bicho de pena que não voa.Nossa retina se acostumou a olhar problemas e não soluções.Imersos nessa areia movediça,que é olhar de apenas uma perspectiva,não vemos que a galinha não voa.É óvulo,Continuar lendo “Areia”

Nó da madeira

Thata Alves – O nó é aquilo que deixa firmado. Consiste em apertar o que está frouxo… é o ato de estreitar. Madeira? Ah… Madeira já é a comida que como. Não necessariamente mastigar a viga, mas em toda minha vida, a madeira nos alimentou. Respondi, quando me perguntaram, numa aula de filosofia, sobre oContinuar lendo “Nó da madeira”

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