Porra Poeta !

Thata Alves- Missão dura ser poeta…Vai desde a sensibilidade de você dobrar as roupas juntas, por achar que se não o fizer, alguma poderá sentir ciúmes.A sensibilidade é tanta, que a dor do outro te dóio dinheiro pouco quer dividire os banzos arrepiam a pele.Poeta não tem direito a ser duro, falar grosso, olhar feio.SeContinuar lendo “Porra Poeta !”

Ofício

Carolina Tomoi- Há tempos tenho pensado em escrever sobre meu ofício. Um assunto engasgado, travado. Um receio de cair num mar de lamentação ou num muro de ostentação. Pensando em definir-me pensei que talvez pudesse definir meu ofício: a parte de mim que escolhi trocar diariamente por sobrevivência. Deve-se ter cuidado! porque quando se fazContinuar lendo “Ofício”

Histórias esquecidas

Ana Karina Manson– Na juventude ela lia histórias das quais nem se lembra. Às vezes nem lembra que lia. O gosto pela leitura é uma lembrança do tempo em que pensava que viveria de amor. Depois descobriu que amor não enche panela, não veste criança, não garante a água na torneira e nem a claridadeContinuar lendo “Histórias esquecidas”

um cheiro de tempo

Carolina Tomoi- oi. eu ia te ligar, mas pelo avançado das horas preferi escrever-te, é, aquela ideia que te dá no meio das facadas que você dá na cebola, no alho, no cheiro verde, seja qual for a preferência: salsa ou coentro, gosto dos dois, cada qual combinando com seu cada qual. tinha tanto nadaContinuar lendo “um cheiro de tempo”

Mãos pretas

Como ler estas mãos pretas?De linhas tecidas jamais lidasCalejadas por outra História? Como ler estas mãos pretas?Outrora de sonhos partidosGeradas em dolorosas memórias Como ler estas mãos pretas?Pretas de sangue moídasPretas de dores vermelhas Como ler estas mãos pretas?De tantos negreiros naviosDe tantas almas presas Como ler estas mãos pretas?Que repousam na folha os diasContinuar lendo “Mãos pretas”

Vermelhos

Carolina Tomoi – A mulher transforma-se gradativamente. E de objeto da tragédia masculina converte-se em sujeito de sua própria tragédia. Alexandra Kolontai, A Nova Mulher e a Moral Sexual Um telefonema a acordou. Estivera bem? Chegara bem em casa? Explicou que sim, excetuando as típicas dores nos pés após as caminhadas do dia anterior. MasContinuar lendo “Vermelhos”

Seu José

Elisa Dias – As marcas do tempo davam pra ler no seu rosto, na rachadura dos pés, nos calos de sangue das mãos, na coluna envergada de tanto carregar lata de concreto nas costas estavam ali escritas. A  história daquele homem, que como tantos outros migraram de sua terra, com pouca bagagem, muitos filhos eContinuar lendo “Seu José”