De dentro de mim

por Ana Karina Manson De dentro de mim grito, seco, vazio, silêncio. Me vejo de tão longe que não me alcanço. Estico o braço, As mãos, Em piedade. Nada. Não me ouço, não me vejo Nem sou. Busco em vão o que se perdeu Onde? Quando? Sem resposta… Encolho-me, pequena, inerte Palpita, dispara o coraçãoContinuar lendo “De dentro de mim”

E os assassinos caminham livremente!

por Ana Karina Manson E hoje? Será quem? Um conhecido, um familiar, um famoso, um amigo do amigo de infância? Todos os dias o relógio desperta e um anúncio se aproxima… Eu sei: a qualquer dia, a qualquer hora vai doer em lugares inimagináveis. Saudades se acumulam e não há solução, remédio, vacina. Dói aContinuar lendo “E os assassinos caminham livremente!”

AGORA

por Ana Karina Manson Exijo agora e decreto Meu abraço de volta Meu amigo aqui perto Mão com mão Ninguém solta Está determinado Qualquer beijo roubado Será livre, será cura E o coração apertado Se renderá à loucura. É lei desde agora Que nenhum amor vá embora Que nenhuma dor se demore Fica proibido partirContinuar lendo “AGORA”

CHUVA NA PANDEMIA

Texto publicado originalmente em 04 de outubro de 2020 Shirlei do Carmo- Olhei os pingos da chuva escorrendo no vidro da janela do quarto, enquanto lembrava das gotas de suor que banharam nossos corpos, num dia como esse, em  que fechei a janela e as rachaduras no teto se misturaram no emaranhado dos lençóis deContinuar lendo “CHUVA NA PANDEMIA”

Depois da chuva

Ana Karina Manson Hoje estou assim Esse tempo parado Sem sol, sem chuva, sem vento Sem Dia de silêncio, nem a TV  Pra fingir a pseudo presença  De todo dia Vizinhos mexendo concreto Será mais um muro? Já nem somos vizinhos Humanos estranhos Alguma coisa se foi com a tempestade Que nem vi Agora sóContinuar lendo “Depois da chuva”

Desobediências

Ana Karina Manson Ela teve dois filhos de um casamento que durou pouco. Ficou viúva. Viúva. Mulher viúva, jovem, naquele tempo, não podia. As pessoas podiam falar. E também como sustentar as duas crianças sozinha? As poucas oportunidades que apareciam eram para mulheres solteiras e sem filhos. Ela era um ser estranho na sociedade hipócrita,Continuar lendo “Desobediências”

Chuva na pandemia

Shirlei do Carmo- Olhei os pingos da chuva escorrendo no vidro da janela do quarto, enquanto lembrava das gotas de suor que banharam nossos corpos, num dia como esse, em  que fechei a janela e as rachaduras no teto se misturaram no emaranhado dos lençóis de algodão e emolduraram as asas do corpo. Por instantesContinuar lendo “Chuva na pandemia”

Náufragos

Arlete Mendes- Às vezes produzo diálogos que são garrafas lançadas ao mar. Lanço-me na esperança de resposta. Espera, pausa, nunca esquecimento. — Mulher, você é uma obra. Não completou a frase. De arte? De construção? Do demo? Quanto tempo já se passou? Éramos dois apartados, doloridos como quem acaba de enterrar um dos seus, golpeContinuar lendo “Náufragos”

Presente do tempo

por Ana Karina Manson Faz-me companhia aquele que nem conheço, aquele que está longe e só ouço a voz. Nesses dias de relações restritas me ajuda a respirar aquele que está distante e de alguma forma toca minha mão. Sinto seus dedos se distanciarem. A cada passo só ouço o som dos meus sapatos, masContinuar lendo “Presente do tempo”

Canto fora do tempo

Jesuana Sampaio – Joana matutava no pensamento quantos passos precisaria pra encompridar a estrada e ser retirante dela mesma. Nesse jogo de trocas que é a vida, o quê, quem seria prioridade? Ela esqueceu o que é ser prioridade de alguém. Aprendeu na solidão de uma grande metrópole a ser por ela mesma. Quem haveriaContinuar lendo “Canto fora do tempo”

Uma manhã a mais, a menos

Celane Tomaz – Hoje acordei sobre os tantos mundos que me cabem. Olhei a mim, corpo vivo, matéria de calor e movimento entre as paredes claras e estáticas da casa.  A limitada extensão do espaço presenciava o meu grito pela vida do seu lado de fora. Diante do espelho, observei a pele rosada e maciaContinuar lendo “Uma manhã a mais, a menos”