Um Brasil sem carnaval

-Mara Esteves “Eu não vou chorar Senão a maquiagem vai borrar Lúcifer está batendo em minha porta PEC, PEC, PEC, PEC, PEC que pariu PEC, PEC, PEC deram um GOLPE no Brasil”. ( Marchinha: Agora Vai é Pé no Chão e Rua – Bloco Agora Vai/ Ano 2017) Neste ano o apito, o tambor eContinuar lendo “Um Brasil sem carnaval”

Ser-tão

Texto publicado originalmente em 3 de junho de 2020. Arlete Mendes- Já disse, não sou paulista. Não adianta jogar mais essa carga em mim. Nunca fui, nunca serei. Os registros? Sim. Mas nem todo fato é um fato inteiro. Explico-lhe. São Paulo é um acidente em minha vida, assim como um dedo mindinho aleijado, osContinuar lendo “Ser-tão”

Então é natal?

Arlete Mendes- “So this is Chrisman’s and what have you done?” Esta não é a música que mais gosto de John, acho bem ruim a versão em Português. Mas uma canção que se inicia com uma pergunta merece ser ouvida com atenção, propõe uma reflexão, um autoexame de consciência, coisa rara diante do alto grauContinuar lendo “Então é natal?”

Revolussangue

Arlete Mendes- Haverá um dia em que…  a palavra ressoada em grifos de caixa alta, o olhar arregalado diante da imagem insólita, e a mão perplexa sobre a boca entreaberta Não bastarão! Haverá um dia em que … o palavrão cerrado entre os dentes, a repugnância impelindo a náusea, o ácido carcomedor das entranhas NãoContinuar lendo “Revolussangue”

Farofeiros

Arlete Mendes- Domingo. A torcida para que fosse dia de sol era grande. Crianças e sábios praticavam as mandingas. Sol desenhado com sal no meio do quintal. Ovos e barra de sabão jogados em prece em cima do telhado. A busca por sete formigas vermelhas, seguida de um enterro com ladainhas: “formiga, formiguinha, leve oContinuar lendo “Farofeiros”

Armadura

-Mara Esteves Caminhava estampando em seu rosto, o maior sorriso que podia existir. Seu sorriso flecha, armadura e acalanto, que apesar de guardar um bocado de dores e desamores, reluzia riso farto de alegria. Iluminava até quem mais nublado caminhava pela vida. Os mais tolos, ofuscavam as vistas e faziam seus julgamentos: condenando que suaContinuar lendo “Armadura”

Do fundo de um quintal de várzea

– Mara Esteves São Paulo – Zona Sul.  Utopicamente em isolamento. 2020. Mês 10. Ano 4. Uma rosa vermelha abre-se em flor. Colore o cenário cinza e resiste em meio a outras espécies que padecem. A vida insiste em brotar em meio ao caos. As representantes resilientes da beleza,  nutrem formas de esperançar vida emContinuar lendo “Do fundo de um quintal de várzea”

Mãos pretas

Como ler estas mãos pretas?De linhas tecidas jamais lidasCalejadas por outra História? Como ler estas mãos pretas?Outrora de sonhos partidosGeradas em dolorosas memórias Como ler estas mãos pretas?Pretas de sangue moídasPretas de dores vermelhas Como ler estas mãos pretas?De tantos negreiros naviosDe tantas almas presas Como ler estas mãos pretas?Que repousam na folha os diasContinuar lendo “Mãos pretas”

Escárnio

Juliana da Paz – Uma amiga me envia um vídeo no celular. Abro e o ator do vídeo começa seu texto:“Hoje o céu amanheceu lindo demais. De um azul profundo, agudo! Só não me afundo nele tanto quanto mergulho no meu próprio umbigo. A coragem de levantar e fazer exercícios logo vem. Tenho histórico deContinuar lendo “Escárnio”

Vermelhos

Carolina Tomoi – A mulher transforma-se gradativamente. E de objeto da tragédia masculina converte-se em sujeito de sua própria tragédia. Alexandra Kolontai, A Nova Mulher e a Moral Sexual Um telefonema a acordou. Estivera bem? Chegara bem em casa? Explicou que sim, excetuando as típicas dores nos pés após as caminhadas do dia anterior. MasContinuar lendo “Vermelhos”

Seu José

Elisa Dias – As marcas do tempo davam pra ler no seu rosto, na rachadura dos pés, nos calos de sangue das mãos, na coluna envergada de tanto carregar lata de concreto nas costas estavam ali escritas. A  história daquele homem, que como tantos outros migraram de sua terra, com pouca bagagem, muitos filhos eContinuar lendo “Seu José”

Eu terrorista

Jesuana Sampaio – A minha parte terroristapensava em uma bomba. Não sou tão boa assimque o mal não me habitee descompasse. A diferença é que pra issome falta coragem.A ideia cristã de pecado,de defesa da vidanão me deixa tirar a vidados que pouco se importamcom as nossasvidas. Eu terrorista,sem piedade,tacava fogo no mundo[no mundo deles].