Ser-tão

Texto publicado originalmente em 3 de junho de 2020. Arlete Mendes- Já disse, não sou paulista. Não adianta jogar mais essa carga em mim. Nunca fui, nunca serei. Os registros? Sim. Mas nem todo fato é um fato inteiro. Explico-lhe. São Paulo é um acidente em minha vida, assim como um dedo mindinho aleijado, osContinuar lendo “Ser-tão”

Então é natal?

Arlete Mendes- “So this is Chrisman’s and what have you done?” Esta não é a música que mais gosto de John, acho bem ruim a versão em Português. Mas uma canção que se inicia com uma pergunta merece ser ouvida com atenção, propõe uma reflexão, um autoexame de consciência, coisa rara diante do alto grauContinuar lendo “Então é natal?”

Vida de pobre I: COLETIVOS

Carolina Tomoi – Ela já estava acostumada à vida nos coletivos. Nascera e crescera aprendendo a dividir e usar nós no lugar de eu. E naquele momento vivia seu auge dos transportes urbanos. Levava uns quarenta minutos apenas, desde que saía de casa até chegar ao trabalho. Alguns quarteirões até o ponto, caminho que fariaContinuar lendo “Vida de pobre I: COLETIVOS”

A santíssima Trindade

Arlete Mendes- Quem tem a alma agreste, plantada em solo de solidão, e ainda assim encontra sob a Terra, amigos, sabe o quanto são valorosos. Nunca tive um amigo que gostasse de mim, assim, logo de cara. Olhavam para meus espinhos, meu ensimesmamento, que me conferiam uma existência muito envelhecida para a juventude, e seContinuar lendo “A santíssima Trindade”

das inseguras origens

ou de como conheci os carijos* Quando me vi já estava num coletivo intermunicipal, um azulzinho, parada na Raposo. Hoje, vinte anos depois, tão mais minha conhecida como Travares, Raposo Travares. Aby e eu numa aventura ao desconhecido município tão tão distante de Carapicuíba. “Carapicuíba é longe pra caramba, Carapicuíba só se for de carro,Continuar lendo “das inseguras origens”

Ser-tão

Arlete Mendes – Já disse, não sou paulista. Não adianta jogar mais essa carga em mim. Nunca fui, nunca serei. Os registros? Sim. Mas nem todo fato é um fato inteiro. Explico-lhe. São Paulo é um acidente em minha vida, assim como um dedo mindinho aleijado, os dentes que faltam em minha boca, os amoresContinuar lendo “Ser-tão”

Domingo

Ana Karina Manson – Há pessoas que precisam do sol para se sentirem vivas, outras do mar, outras da estrada. Eu preciso da casa dos meus pais. É lá que recarrego minhas energias; lá me conecto pelo olhar, pela voz, pelo abraço deles com algo que transcende minha existência.Portanto, após um mês longe deles, devidoContinuar lendo “Domingo”