Fez entendedô?

Jesuana Sampaio – “Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além”Paulo Leminski Naquele dia eu não queria falar. Queria ser abençoada e ouvir as sabedorias do Caboclo Pai Guarani. Ele sentiu. Não precisei dizer nada. Quis saber as ervas que me acompanhavam, falei: bergamota e hortelã. Acenou positivoContinuar lendo “Fez entendedô?”

Na máscara

Carolina Tomoi – para Gis – Laine, cujo traço marca toda terra da imaginação vejo olhos, testa, cabelos.  Vejo meias faces pela metade,  face meia.  ver faces assim, partidas. não. vejo as meias faces  olho faces inteiras.  Por trás da retina  fase completa  do banco de itens movo  e monto caras completadas face feita ocultaContinuar lendo “Na máscara”

Poema póstuma pandemia

Valentina Danny- As pessoas assistiram as notícias, começou do outro lado do mundo, fomos dormir e acordamos dentro do mesmo lado, a pandemia covid 19 unia países com um vírus ao mesmo tempo que separavam nações. O tempo já não era mais o mesmo, nem as horas, nem os dias. Isolamento entre as pessoas, humanosContinuar lendo “Poema póstuma pandemia”

laço infinito

Carolina Tomoi – Seu rosto já não demonstrava o que sentia, não mais espelho de sua alma, como diriam antigamente. Na verdade talvez ainda o fosse e já não sentisse realmente nada. “Bom dia! são exatamente sete horas do dia vinte e sete de maio de dois mil e vinte um. O dia está ensolarado,Continuar lendo “laço infinito”

IMEMORIAL

Aos 3950 mortos hoje (podia ser mentira, mas não é!) Responsável: O genocida, Aos 20 mil torturados e 434 mortos ou desaparecidos pela ditadura militar no Brasil Carolina Tomoi- Haveria silêncio na noite escura, aquela sem luar ou estrelas. Ouvir o vento, o balançar das folhas, aroma da chuva passageira, cricrilares, alertas monossilábicos a despertarContinuar lendo “IMEMORIAL”

Deus dos que matam os que tem fome.

-Mara Esteves 28 de fevereiro. Último dia de um mês que o ritual da catarse carnavalesca não veio. Sinto que sem o carnaval não há quaresma. Não há redenção e nem o equilíbrio entre o profano e o sagrado. Parece até que Deus nos abandonou. Ou pior, desistiu de nós. Custa muito acreditar que oContinuar lendo “Deus dos que matam os que tem fome.”

Um Brasil sem carnaval

-Mara Esteves “Eu não vou chorar Senão a maquiagem vai borrar Lúcifer está batendo em minha porta PEC, PEC, PEC, PEC, PEC que pariu PEC, PEC, PEC deram um GOLPE no Brasil”. ( Marchinha: Agora Vai é Pé no Chão e Rua – Bloco Agora Vai/ Ano 2017) Neste ano o apito, o tambor eContinuar lendo “Um Brasil sem carnaval”

CHUVA NA PANDEMIA

Texto publicado originalmente em 04 de outubro de 2020 Shirlei do Carmo- Olhei os pingos da chuva escorrendo no vidro da janela do quarto, enquanto lembrava das gotas de suor que banharam nossos corpos, num dia como esse, em  que fechei a janela e as rachaduras no teto se misturaram no emaranhado dos lençóis deContinuar lendo “CHUVA NA PANDEMIA”

Para um novo Brasil

-Mara Esteves Agua de chuva para abençoar um Brasil de todes, mátria amada, colo de mãe que acolhe os Brasis, em descanso protegido, e não mortos pelos fuzis empunhados pelo Estado, carregados de munição ou omissão, estratégias para um mesmo objetivo: matar suas gentes diversas. E a elite brasileira, essa pequena nefasta, composta por poucosContinuar lendo “Para um novo Brasil”

Ofício

Carolina Tomoi- Há tempos tenho pensado em escrever sobre meu ofício. Um assunto engasgado, travado. Um receio de cair num mar de lamentação ou num muro de ostentação. Pensando em definir-me pensei que talvez pudesse definir meu ofício: a parte de mim que escolhi trocar diariamente por sobrevivência. Deve-se ter cuidado! porque quando se fazContinuar lendo “Ofício”

Chuva na pandemia

Shirlei do Carmo- Olhei os pingos da chuva escorrendo no vidro da janela do quarto, enquanto lembrava das gotas de suor que banharam nossos corpos, num dia como esse, em  que fechei a janela e as rachaduras no teto se misturaram no emaranhado dos lençóis de algodão e emolduraram as asas do corpo. Por instantesContinuar lendo “Chuva na pandemia”

pára-neo-nóia

Carolina Tomoi – “Eu sinto medo, eu sinto medo…” Raul Seixas, Para Noia, Nova Aeon, 1975. situação de guerra. lista de coisas a fazer. documentos no porta luva. evitar contato. sem bolsa. calças e blusa. proteção. sempre bom prender o cabelo. chaves. controle do portão. álcool. dinheiro no bolso. cartões no outro. celular. máscara. vamosContinuar lendo “pára-neo-nóia”