Ele

Thata Alves – A sua agilidade surpreendia a todos, desde menino ele corria pelos cantos, uma velocidade nos pés… Sempre quando as vizinhas precisavam do ingrediente faltante para compor receita daquelas que a gente não pode parar de mexer, chamam por Ele, pois ele sabia todos os caminhos de atalhos para ir mais rápido asContinuar lendo “Ele”

O pouso do Colibri

Arlete Mendes – Para um país que nasceu com fome de futuro. A cada cana ou café plantado é uma promessa de amanhã que se desponta. Claro, se se considera o sonho de progresso de uns, porque se se considerar o que sonha outros, o que realmente se quer é a vida. Não importa como,Continuar lendo “O pouso do Colibri”

Mãos pretas

Como ler estas mãos pretas?De linhas tecidas jamais lidasCalejadas por outra História? Como ler estas mãos pretas?Outrora de sonhos partidosGeradas em dolorosas memórias Como ler estas mãos pretas?Pretas de sangue moídasPretas de dores vermelhas Como ler estas mãos pretas?De tantos negreiros naviosDe tantas almas presas Como ler estas mãos pretas?Que repousam na folha os diasContinuar lendo “Mãos pretas”

Para meus ancestrais

Elisa Dias – Eu tinha sonhos que para uma menina de pés descalços não era permitido sonhar. E nunca entendia porque minha mãe sempre entrava acuada nos lugares, abaixava a cabeça e dizia “sim senhor”, ou porque aquela família branca a apadrinhou,  arrancada de sua casa das matronas de Minas Gerais, ou porque virou paraContinuar lendo “Para meus ancestrais”