Fez entendedô?

Jesuana Sampaio – “Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além”Paulo Leminski Naquele dia eu não queria falar. Queria ser abençoada e ouvir as sabedorias do Caboclo Pai Guarani. Ele sentiu. Não precisei dizer nada. Quis saber as ervas que me acompanhavam, falei: bergamota e hortelã. Acenou positivoContinuar lendo “Fez entendedô?”

Mulher Gombô…

Anabela Gonçalves- Eu sou mulher gombô Mulher sem moda, nem modelo, de riqueza  sem valor. Busco nos pensamentos caminhos,  pequenas mensagens no meu Orí. Sou de fuleragens, dengos,  quitandas  muvucas pito  rezo  bebo  oferendo. Cochicho ao cochilar  rezas em yorubá vivo em velhas cantigas o presente,  correntes   prendem ao libertar. Eu pergunto,   Dona Ginga sobreContinuar lendo “Mulher Gombô…”

Na máscara

Carolina Tomoi – para Gis – Laine, cujo traço marca toda terra da imaginação vejo olhos, testa, cabelos.  Vejo meias faces pela metade,  face meia.  ver faces assim, partidas. não. vejo as meias faces  olho faces inteiras.  Por trás da retina  fase completa  do banco de itens movo  e monto caras completadas face feita ocultaContinuar lendo “Na máscara”

amor

“E, se atravessara o amor e o seu inferno, penteava-se agora diante do espelho, por um instante sem nenhum mundo no coração.” Clarice Lispector por Celane Tomaz “eu sou o amor”ouviu e paroudiante da frase dita pela protagonista do filme visto no cinema numa despretensiosa tarde de terça-feira. tantos olhos todos os dias podem nosContinuar lendo “amor”

Sabão de pedra caseiro e a Arte do Encontro

Celina Simões – Veio estar comigo a Penha. Disse ela com lentidão, que a última pedra de sabão caseiro feito pela nossa mãe ia ser colocada para uso e mais disse ela: isso dá uma crônica. Penha é minha irmã mais velha. Nasceu em 1946 e ser irmã mais velha no seio de uma proleContinuar lendo “Sabão de pedra caseiro e a Arte do Encontro”

a sós

por Celane Tomaz lembro-medas tantas que eu era, enquanto transito entre as outras e tateio seus mundos.mesmo assim, estou a sós. da minha noite, mesmo nos escuros do dia, adentro a luz que me devolve a mim, a luz que me gera, a luz que me lembra que estou viva.dou a mim da minha própriaContinuar lendo “a sós”

Entre-todes

-Mara Esteves Há braços que se esticam em busca do encontro, do outro que está ali, ao lado, na espera do enlace. Por que, por hora, o toque, o afago, necessita espera, cautela, como semente a germinar à terra. Pele tocando pele.Tambor-coração. O entre-rios formou abismo de si, dos sonhos e devaneios tolos/todos. Quem permitiráContinuar lendo “Entre-todes”

Poema póstuma pandemia

Valentina Danny- As pessoas assistiram as notícias, começou do outro lado do mundo, fomos dormir e acordamos dentro do mesmo lado, a pandemia covid 19 unia países com um vírus ao mesmo tempo que separavam nações. O tempo já não era mais o mesmo, nem as horas, nem os dias. Isolamento entre as pessoas, humanosContinuar lendo “Poema póstuma pandemia”

sobre a morte em vida

“se não fossem os fios de seda que costuram a outra vida de viver em linhas de escrever, morreria mais um pouco  do que já se morre todos os dias” Celane Tomaz é preciso falar da morte. e do tanto que se morre junto quando algo morre ou alguém. e o tanto de morte queContinuar lendo “sobre a morte em vida”

laço infinito

Carolina Tomoi – Seu rosto já não demonstrava o que sentia, não mais espelho de sua alma, como diriam antigamente. Na verdade talvez ainda o fosse e já não sentisse realmente nada. “Bom dia! são exatamente sete horas do dia vinte e sete de maio de dois mil e vinte um. O dia está ensolarado,Continuar lendo “laço infinito”

Maioridade Materna

Carolina Tomoi – Às de colo vazio, latente Aos que perderam o colo. Creio num momento no corpo da mulher que uma voz tão intensa fala tão alto uníssono a cada célula de seu corpo que é difícil resistir. A maioria não resiste. Algumas nem tomam ciência que seja possível desistir, deixam o corpo asContinuar lendo “Maioridade Materna”

IMEMORIAL

Aos 3950 mortos hoje (podia ser mentira, mas não é!) Responsável: O genocida, Aos 20 mil torturados e 434 mortos ou desaparecidos pela ditadura militar no Brasil Carolina Tomoi- Haveria silêncio na noite escura, aquela sem luar ou estrelas. Ouvir o vento, o balançar das folhas, aroma da chuva passageira, cricrilares, alertas monossilábicos a despertarContinuar lendo “IMEMORIAL”

Devaneio da chuva de hoje de manhã

por Celane Tomaz há fluxo em mim e lá fora.há tempos não acordo com a torrente de tanta chuva. e aquele barulho ininterrupto, que de prontidão e escuta atenta, vivo e reparo dentro do oscilante movimento entre a maior e a menor intensidade, advinda da mesma força uníssona, mesmo quando não há raio ou qualquerContinuar lendo “Devaneio da chuva de hoje de manhã”

Queria um dia de sol

por Celane Tomaz queria um dia de soldaqueles que me faz esquecera nebulosidade de serque faz sentir na pelea vivacidade de existire arder o lugarque ocupo. queria um dia de solmodificando a cor da epiderme,sentindo lentamente meu corpofiltrando o calor de estar no mundo. queria um dia de sola vida acesa nas vozes,no concreto queContinuar lendo “Queria um dia de sol”