sobre a morte em vida

“se não fossem os fios de seda que costuram a outra vida de viver em linhas de escrever, morreria mais um pouco  do que já se morre todos os dias” Celane Tomaz é preciso falar da morte. e do tanto que se morre junto quando algo morre ou alguém. e o tanto de morte queContinuar lendo “sobre a morte em vida”

laço infinito

Carolina Tomoi – Seu rosto já não demonstrava o que sentia, não mais espelho de sua alma, como diriam antigamente. Na verdade talvez ainda o fosse e já não sentisse realmente nada. “Bom dia! são exatamente sete horas do dia vinte e sete de maio de dois mil e vinte um. O dia está ensolarado,Continuar lendo “laço infinito”

Maioridade Materna

Carolina Tomoi – Às de colo vazio, latente Aos que perderam o colo. Creio num momento no corpo da mulher que uma voz tão intensa fala tão alto uníssono a cada célula de seu corpo que é difícil resistir. A maioria não resiste. Algumas nem tomam ciência que seja possível desistir, deixam o corpo asContinuar lendo “Maioridade Materna”

IMEMORIAL

Aos 3950 mortos hoje (podia ser mentira, mas não é!) Responsável: O genocida, Aos 20 mil torturados e 434 mortos ou desaparecidos pela ditadura militar no Brasil Carolina Tomoi- Haveria silêncio na noite escura, aquela sem luar ou estrelas. Ouvir o vento, o balançar das folhas, aroma da chuva passageira, cricrilares, alertas monossilábicos a despertarContinuar lendo “IMEMORIAL”

Devaneio da chuva de hoje de manhã

por Celane Tomaz há fluxo em mim e lá fora.há tempos não acordo com a torrente de tanta chuva. e aquele barulho ininterrupto, que de prontidão e escuta atenta, vivo e reparo dentro do oscilante movimento entre a maior e a menor intensidade, advinda da mesma força uníssona, mesmo quando não há raio ou qualquerContinuar lendo “Devaneio da chuva de hoje de manhã”

Queria um dia de sol

por Celane Tomaz queria um dia de soldaqueles que me faz esquecera nebulosidade de serque faz sentir na pelea vivacidade de existire arder o lugarque ocupo. queria um dia de solmodificando a cor da epiderme,sentindo lentamente meu corpofiltrando o calor de estar no mundo. queria um dia de sola vida acesa nas vozes,no concreto queContinuar lendo “Queria um dia de sol”

Continho depressivo

… não quero mais sentir. Sentir é pesado. De hoje em diante só quero a palavra. Que é leve. Que flutua. Que repousa nos ouvidos. Que passa pelos olhos. Que leva o sentir. Carolina Tomoi- Levantava cheia de planos. Espreguiçava-se. Punha-se em pé. Abria a janela. Inspirava e expirava admirando aquele recomeço. Mas nem bemContinuar lendo “Continho depressivo”

CHAMADO

Texto originalmente publicado em 01 de novembro de 2020 Sílvia Tavares– Me veio primeiro fogoMinha pele colorida na ruaTrazendo cachoeira pro asfaltoBotando-me mar nos olhos Me veio depois desertoTravessia para não sei ondeE o som do vento, do ventoAté que as perguntas calassem Me veio então moradaTantinho de saúde, descanso na loucuraMorros, bugios, leite entornado no tachoCéuContinuar lendo “CHAMADO”

Elas

– Mara Esteves Ela, que depende somente de si e de outras como ela, para acreditar em um horizonte que caiba seus sonhos. Ela, que cria jeitos para se proteger de um mundo, que insiste em dizer que seu futuro já esta marcado no patriarcado: o lugar de silêncio e resignação: mãe, esposa e filhaContinuar lendo “Elas”

Garoa

“Aos olhos nus, não passava de uma chuva repentina, mas aqui dentro…”  Clarice Lispector por Celane Tomaz olhe pela tua janela.chove sobre a madrugada calada. a chuva molha o início da manhã.repare nas gotas que se mantêm e as que escorrem pela vidraça, resistindo à vida breve, mantendo-se firmes em água frágil. goteja como seContinuar lendo “Garoa”

Levanta Preta!

Thata Alves- Levanta PretaLevanta a cabeçaPorque não dá tempo pra lamentarEnquanto chora as chagas do coraçãoHá os meninos querendo sair pelo portão,e a roupa pra lavarA roupa tá lavada e precisa ser estendidae depois de estendidaTira pra chuva não molharA chuva de OxaláVemDeixa elas também seu corpo tocarLevanta a cabeça pretaPorque o turbante fica melhorenaltecidoEContinuar lendo “Levanta Preta!”

Chuveiro queimado

Raíssa Padial Corso- O chuveiro tinha queimado. Manuella havia no mesmo dia percorrido o corredor com olhares cínicos, pedantes e piedosos. Ainda bem que ela não tinha muita coisa pra levar, uma planta quase seca como ela, num corredor seco, numa cidade seca, relações secas. Sim, a monotonia regava…. Ela árida, sussurrava para si autoajudasContinuar lendo “Chuveiro queimado”

Sala de Espera

–Mara Esteves “Ame o próximo como a ti mesmo” Mas quando é a minha vez? Se antes de me amar Há de cuidar da roupa para lavar, comida para preparar, Cuidar dos filhos, dos pais, do marido, da casa, do trabalho e de qualquer outra coisa que sempre grita mais urgência, movimento reverso das prioridadesContinuar lendo “Sala de Espera”