Eu saúdo Eva

~Por Raíssa Padial Corso Eu saúdo Eva!A primeira ousada.Construo em mim um templo de conhecimento.Nesse altar sacrifíco todos os dogmas.Tu amada, tão deturpada e deslocada entre suas filhas!Na eterna busca de tua contraparte.Eva com seu gosto de maçã.A mesma maçã que intercala nossos corpos.Tu que rasga a cara de quem interrompe nossas falas, calcula nossasContinuar lendo “Eu saúdo Eva”

Peso

Jesuana Sampaio Hoje pesou. Pesou ser mulher, periférica e sozinha. Pesou andar na rua sozinha tarde da noite. Medo, violência, solidão. Pesa ter sempre que enfrentar o mundo pra ele não me engolir. Ser sempre forte, pesa. Hoje eu me permito ser fraca mas só depois de estar segura em minha casa. Amanhã, amanhã sereiContinuar lendo “Peso”

A minha criança

Jesuana Sampaio Certo dia um mago me disse que deveríamos saber qual o primeiro chá que tomamos na vida para assim nos conectarmos com a nossa criança interior. Peço licença a criança que fui para tomar mais uma vez o chá de erva doce e voltar no tempo para ninar a criança ferida que meContinuar lendo “A minha criança”

Cânone

Elisa Dias- Eu anseio pela hora de descarregar na força dos músculos dos seus braços a minha exaustão da vida, o peso da saudades, prender minha fragilidade entre suas pernas, a ponto de sentir o sangue passeando por suas veias e artérias. Quero dançar em 6 por 8 nas batidas dos seu coração quando pressionadoContinuar lendo “Cânone”

Cerejeira, cerei, cer

Licença poética no título. Ao tanto que cabe, que se é permitido no Ser: sonora e metaforicamente. por Celane Tomaz Nunca sei quando uma flor há de morrer ou nascer. O que me aduba é a espera pelos dois – dualidade vivida da ponta da pétala até as rígidas raízes entre terra e escuridão.Resisto àContinuar lendo “Cerejeira, cerei, cer”

Outra flor em náusea

por Celane Tomaz (singelo diálogo com A flor e a Náusea, de Carlos Drummond de Andrade) as lágrimas de cada manhãencharcam a secura desse tempo.a terra agoniza e sangrasob a chama e os violentos cortesdos decretos- facões que a rasgam em silêncio. a vida está sobre a mesafarta de fatos, cálices cálidos.homens jejuam a umContinuar lendo “Outra flor em náusea”

Quando amanheci e vi Raoni da janela

Mara Esteves – Em 2017, junto com a turma que constrói cotidianamente a Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias, fui agraciada com a oportunidade de participar de uma formação em orçamento público e direitos humanos, oferecida pelo INESC (Instituto de Estudos Socieconômicos), em Brasília. Tinha consciência que a cidade projetada receberia representantes de diversos povos indígenasContinuar lendo “Quando amanheci e vi Raoni da janela”

A sensível

por Celane Tomaz Dirigia, como sempre, sem poder dar muita atenção à sobrevivência desordenada da cidade que a cercava. De súbito, logo pensou e, veementemente acreditou, mesmo compenetrada, que o seu olhar a salvava. Com os olhos atentos às luzes, ao asfalto e ao fluxo monótono de veículos e de existência, compreendia que seu olharContinuar lendo “A sensível”