Mulher Gombô…

Anabela Gonçalves- Eu sou mulher gombô Mulher sem moda, nem modelo, de riqueza  sem valor. Busco nos pensamentos caminhos,  pequenas mensagens no meu Orí. Sou de fuleragens, dengos,  quitandas  muvucas pito  rezo  bebo  oferendo. Cochicho ao cochilar  rezas em yorubá vivo em velhas cantigas o presente,  correntes   prendem ao libertar. Eu pergunto,   Dona Ginga sobreContinuar lendo “Mulher Gombô…”

amor

“E, se atravessara o amor e o seu inferno, penteava-se agora diante do espelho, por um instante sem nenhum mundo no coração.” Clarice Lispector por Celane Tomaz “eu sou o amor”ouviu e paroudiante da frase dita pela protagonista do filme visto no cinema numa despretensiosa tarde de terça-feira. tantos olhos todos os dias podem nosContinuar lendo “amor”

Sabão de pedra caseiro e a Arte do Encontro

Celina Simões – Veio estar comigo a Penha. Disse ela com lentidão, que a última pedra de sabão caseiro feito pela nossa mãe ia ser colocada para uso e mais disse ela: isso dá uma crônica. Penha é minha irmã mais velha. Nasceu em 1946 e ser irmã mais velha no seio de uma proleContinuar lendo “Sabão de pedra caseiro e a Arte do Encontro”

a sós

por Celane Tomaz lembro-medas tantas que eu era, enquanto transito entre as outras e tateio seus mundos.mesmo assim, estou a sós. da minha noite, mesmo nos escuros do dia, adentro a luz que me devolve a mim, a luz que me gera, a luz que me lembra que estou viva.dou a mim da minha própriaContinuar lendo “a sós”

sobre a morte em vida

“se não fossem os fios de seda que costuram a outra vida de viver em linhas de escrever, morreria mais um pouco  do que já se morre todos os dias” Celane Tomaz é preciso falar da morte. e do tanto que se morre junto quando algo morre ou alguém. e o tanto de morte queContinuar lendo “sobre a morte em vida”

MULHER SÁBIA

Texto publicado originalmente em 26 de junho de 2020 Jesuana Sampaio- Tenho memórias de mim tão bonitas que superam todas as que foram dolorosas. Deve ser teimosia cearense. Estes dias estava lembrando que mais ou menos com 17 anos eu dizia que era bruxa e sabia mover os ventos. Eu não entendia porque entre tantosContinuar lendo “MULHER SÁBIA”

Meu corpo!!!!

por Ana Karina Manson Ela tinha 9 anos quando um amigo do pai disse: — Está crescendo, vou te esperar para casar com você. Era uma brincadeira, que o pai respondeu dizendo que tinha uma espingarda e outras coisas que se acostumou a dizer, ele e os outros tantos homens na sociedade que enxergavam oContinuar lendo “Meu corpo!!!!”

Terra longe

-Mara Esteves Alumiou no céuLua cheia rodeada de estrelasdas mais brilhantes já vistasiluminando igual Candeeiro Semi-deuses e seus sonhos solitários. Fagulhas queimam e desaparecemnum piscar de olhosgotículas de orvalho que escorrem das folhasna primeira hora do diadesejosas de encontrar o mar. O olhar mira horizontesque não estão ao alcance,janela aberta para esperançar. O obituário naContinuar lendo “Terra longe”

Ela

por Ana Karina Manson Quando ela abriu o portão uma avalanche de passado, de histórias e saudades surgiu. Uma senhorinha com seus 98 anos trazia consigo tanto de si e de tantos, que o coração palpitou e os olhos marejaram. Eu e ele voltamos ao “tempo da delicadeza”. Éramos tão puros e felizes quando ouvíamosContinuar lendo “Ela”

Desobediências

Ana Karina Manson Ela teve dois filhos de um casamento que durou pouco. Ficou viúva. Viúva. Mulher viúva, jovem, naquele tempo, não podia. As pessoas podiam falar. E também como sustentar as duas crianças sozinha? As poucas oportunidades que apareciam eram para mulheres solteiras e sem filhos. Ela era um ser estranho na sociedade hipócrita,Continuar lendo “Desobediências”

Histórias esquecidas

Ana Karina Manson– Na juventude ela lia histórias das quais nem se lembra. Às vezes nem lembra que lia. O gosto pela leitura é uma lembrança do tempo em que pensava que viveria de amor. Depois descobriu que amor não enche panela, não veste criança, não garante a água na torneira e nem a claridadeContinuar lendo “Histórias esquecidas”

ciclos

Carolina Tomoi- Penso na lua, nos ciclos, nas cheias. Meu ventre inflando mensularmente. Seios arredondados ao extremo do intocável, precisam de apoio para seustentar além da gravidade. Tão grave não poder conviver consigo tendo que ser gentil com os outros. Fogos de hematortifício povoam as entranhas, se ouvem de longe seus estrondos. Contorces contrações contravenções.Continuar lendo “ciclos”

devaneios

Carolina Tomoi – cheirinho de bacon pela casa, bacon e alho. gargalhadinhas agudas de um cômodo quentinho. de outro quarto o silêncio. a solidão das interações sociais virtuais. de minha biblioteca ouço a jogatina pretensa aula de química. da sala-solidão, Maria Betânia grita junto a mim ao fogão. devaneio. “A liberdade está na dorrrrrr.” semContinuar lendo “devaneios”

Amor-alimento

por Ana Karina Manson Tem gente que escolhe cenários com livros, plantas, cortinas improvisadas e outros para as lives de cada dia. Ela estava simplesmente ali debaixo das panelas. A imagem das panelas penduradas na cozinha e ela sentada embaixo fazia pensar no poder desse lugar-panela. E assim suspensas, no alto, sobre a cabeça pensanteContinuar lendo “Amor-alimento”