a sós

por Celane Tomaz lembro-medas tantas que eu era, enquanto transito entre as outras e tateio seus mundos.mesmo assim, estou a sós. da minha noite, mesmo nos escuros do dia, adentro a luz que me devolve a mim, a luz que me gera, a luz que me lembra que estou viva.dou a mim da minha própriaContinuar lendo “a sós”

Entre-todes

-Mara Esteves Há braços que se esticam em busca do encontro, do outro que está ali, ao lado, na espera do enlace. Por que, por hora, o toque, o afago, necessita espera, cautela, como semente a germinar à terra. Pele tocando pele.Tambor-coração. O entre-rios formou abismo de si, dos sonhos e devaneios tolos/todos. Quem permitiráContinuar lendo “Entre-todes”

Então é natal?

Arlete Mendes- “So this is Chrisman’s and what have you done?” Esta não é a música que mais gosto de John, acho bem ruim a versão em Português. Mas uma canção que se inicia com uma pergunta merece ser ouvida com atenção, propõe uma reflexão, um autoexame de consciência, coisa rara diante do alto grauContinuar lendo “Então é natal?”

Mãe-da-rua

Arlete Mendes- O range-range a afinar os punhos da rede compete com o  firimfim da Cruviana*. O chiado das alparcatas no compasso ralentado de Dona Neném. O rezo orquestrado nos galhos da arruda cosquenta de Dona Sinhá. -Xiu, num ria, sua buliçosa, se aquiete! O canto vocalizado entre voo e pouso de quem nunca deixouContinuar lendo “Mãe-da-rua”

Apanhadora de sonhos

Arlete Mendes- Sei que tive um sonho. Sonhei. Traços da narrativa quase se esboçam, mas rapidamente se evaporam. Esquecer e lembrar, esse jogo recorrente da memória me fragiliza. O que fica é que sei que sonhei e os sonhos revelam, dão claridade e forma à obscuridade imposta nas verdades, brincam de esconder-revelar o que tentoContinuar lendo “Apanhadora de sonhos”

Derradeira primavera

Elisa Dias – Eu carrego comigo uma alma saudosista que vive revirando as gavetas do meu passado. Memórias sempre são revividas e acessá-las me traz um misto de sensações que é difícil descrever. Chego tão fundo dentro de mim que sempre me afogo no mar que sou, um oceano profundo de recordações e velharias. ÉContinuar lendo “Derradeira primavera”

Depois disso…

Carolina Tomoi – Depois de sete textos publicados, me pergunto… que devo fazer depois disso? Releio cada palavra, cada sinal escrito… percebo, escuto, avalio… metas cumpridas. Mas e depois disso… Vários são os caminhos. múltiplas possibilidades. Fazer do desafio um ofício. tornar o prazer uma obsessão. buscar a perfeição nos mínimos sussurros e pausares. VerContinuar lendo “Depois disso…”

Ser-tão

Arlete Mendes – Já disse, não sou paulista. Não adianta jogar mais essa carga em mim. Nunca fui, nunca serei. Os registros? Sim. Mas nem todo fato é um fato inteiro. Explico-lhe. São Paulo é um acidente em minha vida, assim como um dedo mindinho aleijado, os dentes que faltam em minha boca, os amoresContinuar lendo “Ser-tão”

Eu menina

Celane Tomaz – Quando bem menina pensava que tudo era enorme, quase sem medida e infinitamente maior do que a mim. A extensão da rua, os portões das casas, a cabeça das pessoas adultas, o alcance do céu. Tudo era imenso e eu sempre tão inclinada e tão fragilmente curiosa, mas não da altura dosContinuar lendo “Eu menina”

Memórias de Algodão

Jesuana Sampaio – Quando eu era criança e a minha família já morava em Fortaleza, nas férias, íamos ao sertão de Paramoti, no Ceará. Mainha, minhas irmãs e eu. Mainha fazia uma cesta básica grande e lá íamos nós pra casa do tio João. Alegria quando chegava na Santa Fé. Depois era só avistar aContinuar lendo “Memórias de Algodão”

Vó era analfabeta

Ana Karina Manson – Dias desses aqui em casa cismaram de querer fazer pão. Já quase imediatamente vai alguém buscar na “internet” uma receita e mais outra e mais outra. Logo um lembrou-se do livrinho de receita que a mãe tinha. Com todo capricho, só faltava desenhar os bolos e tortas. As páginas até amareladasContinuar lendo “Vó era analfabeta”

Flor da Paz

Juliana da Paz –           Adoro ouvir Histórias de mãe, porque, geralmente, são assim, Histórias com H maiúsculo. São de um passado tão presente na pele, na veia, na vida de agora. Ela ME conta sempre que conta Histórias nossas, de nossa família. Eu catuco mesmo, sempre tentando ir mais longe, mais fundo, mais! OContinuar lendo “Flor da Paz”

Álbum de fotografia

Thata Alves – Já deu medo de entrar pela maçaneta da porta, ela reluzia um dourado de 18 quilates, mas como fui convidada a entrar, reajustei a postura e angústia, entrei.Os sapatos eram deixados na porta, então com os pés você acessava a mansão, meus pés pareciam acariciar as nuvens com tamanha maciez.Me convidaram aContinuar lendo “Álbum de fotografia”

Desterradas

Arlete Mendes – Desde que me entendo por gente eu escrevo, escrevia até quando nem sabia juntar as letras e decifrar o código. Escrever é ir além do código. Este é apenas o trem que se pega rumo ao destino, sempre inesperado… Aprendi a escrever com minha mãe, ela escrevia histórias de aventura com seuContinuar lendo “Desterradas”

Virada de ano em Maceió

Juliana da Paz – Foi uma noite de festa. Toda nossa pequena rua Marcos Aurélio na casa da Vânia, esposado finado Cícero. Lá sempre ocorriam grandes festas com forró e axé das 19hs às 4hs da manhã. Todas as famílias da ruazinha comungavam da falta de solidão. Tinha caldo de mocotó, sarapatel, cerveja refrigerante, muitosContinuar lendo “Virada de ano em Maceió”