Rosas ao tempo

Por Jesuana Sampaio Roubei rosas brancas para rezar ao tempo Cravei lágrimas ao lembrar das desgraças soltei sorrisos à passagem das alegrias, agradeci. Revivi ruínas de todas que fui aquelas que partiram rasgando adeuses versões desgastadas não renovadas, agradeci. Rememorei os amores vividos a exaustão aqueles que chegaram ao ponto da perda de dignidade penseiContinuar lendo “Rosas ao tempo”

amor-só

“como qualquer mortal, que corriqueiramente se desencontra com a felicidade, encontra alívio nas suas invenções.” por Celane Tomaz é 5h33 da manhã e o sol já vence as frestas das janelas. invade.entre a consciência se desfazendo e se fazendo para começar um novo dia, entre os ossos que se estalam enquanto se estica e aindaContinuar lendo “amor-só”

Vermelhos

Carolina Tomoi – A mulher transforma-se gradativamente. E de objeto da tragédia masculina converte-se em sujeito de sua própria tragédia. Alexandra Kolontai, A Nova Mulher e a Moral Sexual Um telefonema a acordou. Estivera bem? Chegara bem em casa? Explicou que sim, excetuando as típicas dores nos pés após as caminhadas do dia anterior. MasContinuar lendo “Vermelhos”

Alma Terra

Por Jesuana Sampaio Tua morte noticiada é mais uma morte dentro. O fim é simbólico veio com os sonhos de artemísia. Morre, meu bem, morre dentro de mim e renasce como cão fiel, amigo incondicional. Renasce, quando muda teu nome e teu sentido e tudo agora é hoje, brotando do sagrado desconhecido da força queContinuar lendo “Alma Terra”

Amor, substantivo abstrato

Carolina Tomoi- me desafio, me desafiei a escrever, um ensaio sobre o amor que sinto, ei-lo: Difícil é escrever sobre o amor. Não esse amor que se dedica a humanidade, amor geral e irracional por aquela massa insone e ingrata que retribui com ofensas e agressões tal um espelho invertido, em frente ao qual se mandaContinuar lendo “Amor, substantivo abstrato”

Fez entendedô?

Jesuana Sampaio – “Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além”Paulo Leminski Naquele dia eu não queria falar. Queria ser abençoada e ouvir as sabedorias do Caboclo Pai Guarani. Ele sentiu. Não precisei dizer nada. Quis saber as ervas que me acompanhavam, falei: bergamota e hortelã. Acenou positivoContinuar lendo “Fez entendedô?”

Mulher Gombô…

Anabela Gonçalves- Eu sou mulher gombô Mulher sem moda, nem modelo, de riqueza  sem valor. Busco nos pensamentos caminhos,  pequenas mensagens no meu Orí. Sou de fuleragens, dengos,  quitandas  muvucas pito  rezo  bebo  oferendo. Cochicho ao cochilar  rezas em yorubá vivo em velhas cantigas o presente,  correntes   prendem ao libertar. Eu pergunto,   Dona Ginga sobreContinuar lendo “Mulher Gombô…”

amor

“E, se atravessara o amor e o seu inferno, penteava-se agora diante do espelho, por um instante sem nenhum mundo no coração.” Clarice Lispector por Celane Tomaz “eu sou o amor”ouviu e paroudiante da frase dita pela protagonista do filme visto no cinema numa despretensiosa tarde de terça-feira. tantos olhos todos os dias podem nosContinuar lendo “amor”

Sabão de pedra caseiro e a Arte do Encontro

Celina Simões – Veio estar comigo a Penha. Disse ela com lentidão, que a última pedra de sabão caseiro feito pela nossa mãe ia ser colocada para uso e mais disse ela: isso dá uma crônica. Penha é minha irmã mais velha. Nasceu em 1946 e ser irmã mais velha no seio de uma proleContinuar lendo “Sabão de pedra caseiro e a Arte do Encontro”

a sós

por Celane Tomaz lembro-medas tantas que eu era, enquanto transito entre as outras e tateio seus mundos.mesmo assim, estou a sós. da minha noite, mesmo nos escuros do dia, adentro a luz que me devolve a mim, a luz que me gera, a luz que me lembra que estou viva.dou a mim da minha própriaContinuar lendo “a sós”

Poema póstuma pandemia

Valentina Danny- As pessoas assistiram as notícias, começou do outro lado do mundo, fomos dormir e acordamos dentro do mesmo lado, a pandemia covid 19 unia países com um vírus ao mesmo tempo que separavam nações. O tempo já não era mais o mesmo, nem as horas, nem os dias. Isolamento entre as pessoas, humanosContinuar lendo “Poema póstuma pandemia”

sobre a morte em vida

“se não fossem os fios de seda que costuram a outra vida de viver em linhas de escrever, morreria mais um pouco  do que já se morre todos os dias” Celane Tomaz é preciso falar da morte. e do tanto que se morre junto quando algo morre ou alguém. e o tanto de morte queContinuar lendo “sobre a morte em vida”

A palavra certa

~Raíssa Padial Corso “O amor nos faz sentir mais vivos, Quando vivemos num estado de desamor, sentimos que poderíamos muito bem estar mortos; tudo dentro de nós é silêncio e imobilidade.” Bell Hooks -Tudo sobre o amor, novas perspectivas, (2021, p.221) A palavra certa já estava dentro do meu ouvido. Não era nem meio diaContinuar lendo “A palavra certa”

Eu saúdo Eva

~Por Raíssa Padial Corso Eu saúdo Eva!A primeira ousada.Construo em mim um templo de conhecimento.Nesse altar sacrifíco todos os dogmas.Tu amada, tão deturpada e deslocada entre suas filhas!Na eterna busca de tua contraparte.Eva com seu gosto de maçã.A mesma maçã que intercala nossos corpos.Tu que rasga a cara de quem interrompe nossas falas, calcula nossasContinuar lendo “Eu saúdo Eva”