Move-te em ti

“tu podes ir e ainda que se mova o trem, tu não te moves de ti.”H.H. se eu pudesse ser pássarobastar a asa para seralcançar o mundo, apesar de miúdolivre, apesar de frágildançar na terrarodopiar no céuser pássarode canto cobiçado no silêncioaos ouvidos atentos e sensíveisao canto do meu cantoritmado de (a)manhã. se eu pudesseContinuar lendo “Move-te em ti”

GRAFIAS DE MULHER

Texto publicado originalmente em 06 de dezembro 2020. “A noite não adormece nos olhos das mulheres”  Conceição Evaristo Solange Amorim- Ela caminhava ofegante e seu corpo parecia ranger. Carregava um cansaço imenso. Cabelos  curtos e grisalhos, olhos pequenos e nevoados,  avermelhados pela acidez de São Paulo. A retina esquerda aparentava conter uma pequena cicatriz que Continuar lendo “GRAFIAS DE MULHER”

A noite espia

por Celane Tomaz ouça meus olhos.bebo desta meia luz disforme encobrindo teu rosto, dando forma tua facena minha. pausas burburinhos acomodadas nas luas de sempre. dividimos o cálice da transparência que nos esconde. há tanto vermelho envolvido, vivo por todos os lados. acaricio todos os teus emaranhados – da tua barba salgada à tua almaContinuar lendo “A noite espia”

Coração Mundo

A romã que cai o fruto antes de madurar Me diz que tudo bem não estar pronta às vezes. A murta quando me conta que a chamam de falsa dama da noite Me lembra que isso é só o que dizem sobre ela. O cedro quando lamentam suas folhas espetarem de leve Me diz queContinuar lendo “Coração Mundo”

Face a faces

“fui mulher vulgar,meia-bruxa, meia-fera,[…]malandra, bicha,bem viada, vândala,talvez maquiavélica,e um dia emburrei-me mas tantas, tantas fiz” Ana Cristina César por Celane Tomaz tantos rostos mudoshabitam na confidênciade um corpo intocado.tantas faces cruas se entreolhamno espanto de um despertar em ruídos.como num relancecabem no ajuste do poemalimitados em linhas frágeis,irrevelados seres tênues. face ante as facestantos poetasContinuar lendo “Face a faces”

Prece

À infância, à pequenez, à vida recém-sentida por Celane Tomaz À vida, devolva-me a infânciaos lábios melados de doce favoritoa face rosada do dia de solo medo vão do abandono e do escuroa inalcançável noção do que era a morteo não saber contar o tempo. dai-me os meus primeiros anoso cansaço dos pulos e dasContinuar lendo “Prece”