Na máscara

Carolina Tomoi – para Gis – Laine, cujo traço marca toda terra da imaginação vejo olhos, testa, cabelos.  Vejo meias faces pela metade,  face meia.  ver faces assim, partidas. não. vejo as meias faces  olho faces inteiras.  Por trás da retina  fase completa  do banco de itens movo  e monto caras completadas face feita ocultaContinuar lendo “Na máscara”

Entre-todes

-Mara Esteves Há braços que se esticam em busca do encontro, do outro que está ali, ao lado, na espera do enlace. Por que, por hora, o toque, o afago, necessita espera, cautela, como semente a germinar à terra. Pele tocando pele.Tambor-coração. O entre-rios formou abismo de si, dos sonhos e devaneios tolos/todos. Quem permitiráContinuar lendo “Entre-todes”

Poema póstuma pandemia

Valentina Danny- As pessoas assistiram as notícias, começou do outro lado do mundo, fomos dormir e acordamos dentro do mesmo lado, a pandemia covid 19 unia países com um vírus ao mesmo tempo que separavam nações. O tempo já não era mais o mesmo, nem as horas, nem os dias. Isolamento entre as pessoas, humanosContinuar lendo “Poema póstuma pandemia”

laço infinito

Carolina Tomoi – Seu rosto já não demonstrava o que sentia, não mais espelho de sua alma, como diriam antigamente. Na verdade talvez ainda o fosse e já não sentisse realmente nada. “Bom dia! são exatamente sete horas do dia vinte e sete de maio de dois mil e vinte um. O dia está ensolarado,Continuar lendo “laço infinito”

Deus dos que matam os que tem fome.

-Mara Esteves 28 de fevereiro. Último dia de um mês que o ritual da catarse carnavalesca não veio. Sinto que sem o carnaval não há quaresma. Não há redenção e nem o equilíbrio entre o profano e o sagrado. Parece até que Deus nos abandonou. Ou pior, desistiu de nós. Custa muito acreditar que oContinuar lendo “Deus dos que matam os que tem fome.”

No vagão

Arlete Mendes- Estou em meio à multidão. Tenho os olhos fixos nas faces. Sempre ocultadas. Ninguém exibe a própria face. Máscaras por cima de máscaras. Que mistérios guardam dentro de si? O que temem revelar? De vez em quando ouço o que dizem. Falam sobre o personagem da novela, reality show, sobre o time deContinuar lendo “No vagão”

Para um novo Brasil

-Mara Esteves Agua de chuva para abençoar um Brasil de todes, mátria amada, colo de mãe que acolhe os Brasis, em descanso protegido, e não mortos pelos fuzis empunhados pelo Estado, carregados de munição ou omissão, estratégias para um mesmo objetivo: matar suas gentes diversas. E a elite brasileira, essa pequena nefasta, composta por poucosContinuar lendo “Para um novo Brasil”

Do fundo de um quintal de várzea

– Mara Esteves São Paulo – Zona Sul.  Utopicamente em isolamento. 2020. Mês 10. Ano 4. Uma rosa vermelha abre-se em flor. Colore o cenário cinza e resiste em meio a outras espécies que padecem. A vida insiste em brotar em meio ao caos. As representantes resilientes da beleza,  nutrem formas de esperançar vida emContinuar lendo “Do fundo de um quintal de várzea”

BR-S909 contra Golias

Arlete Mendes- Olhar fixo no céu. A punição ou a recompensa viriam de lá. Mirou para seu corpo magro, forte e lépido frente ao espelho. Seu único aliado. Preparou uma porção de ração do dia. Dirigiu-se para o treino à exaustão, se mantinha lúcida. Os canais e a redes eram sua única comunicação muda comContinuar lendo “BR-S909 contra Golias”

um cheiro de tempo

Carolina Tomoi- oi. eu ia te ligar, mas pelo avançado das horas preferi escrever-te, é, aquela ideia que te dá no meio das facadas que você dá na cebola, no alho, no cheiro verde, seja qual for a preferência: salsa ou coentro, gosto dos dois, cada qual combinando com seu cada qual. tinha tanto nadaContinuar lendo “um cheiro de tempo”