sobre a morte em vida

“se não fossem os fios de seda que costuram a outra vida de viver em linhas de escrever, morreria mais um pouco  do que já se morre todos os dias” Celane Tomaz é preciso falar da morte. e do tanto que se morre junto quando algo morre ou alguém. e o tanto de morte queContinuar lendo “sobre a morte em vida”

FORASTEIRO

Texto publicado originalmente em 09 de desembro de 2020. Elisa Dias- Estávamos frente a frente, eu titubeava, as palavras faziam rodeios na tentativa  de camuflar a minha aflição, meus anseios  e receios, com meus sentidos paralisados e meus instintos  famintos da fome do homem, salivava ao lembrar o gosto da sua saliva, entre palavras e risos eu  criava umContinuar lendo “FORASTEIRO”

DESFIGURADO

Texto publicado originalmente em 31 de outubro de 2020 Celane Tomaz- Busquei a luz e o amor.Humana, atentaComo quem busca a boca nos confins da sede.Recaminhei as nossas construções, tijolosPás, a areia dos diasE tudo que encontrei te digo agora:Um outro alguém sem cara. Tosco. Cego.O arquiteto dessas armadilhas.” Hilda Hilst por Celane Tomaz EuContinuar lendo “DESFIGURADO”

DOLCE VITA

Texto publicado originalmente em 05 de julho de 2020 Arlete Mendes- Ouço tanto falar de empreendedorismo, palavra muitas vezes utilizada para escamotear relações trabalhistas precarizadas, tem gente que baba tanto nesse termo como se fosse o ovo de Colombo. Besteira! Quer mais empreendedorismo que nossos ancestrais? Cavavam trilhas e caminhos no meio da mata paraContinuar lendo “DOLCE VITA”

Ser-tão

Texto publicado originalmente em 3 de junho de 2020. Arlete Mendes- Já disse, não sou paulista. Não adianta jogar mais essa carga em mim. Nunca fui, nunca serei. Os registros? Sim. Mas nem todo fato é um fato inteiro. Explico-lhe. São Paulo é um acidente em minha vida, assim como um dedo mindinho aleijado, osContinuar lendo “Ser-tão”

Mãe-da-rua

Arlete Mendes- O range-range a afinar os punhos da rede compete com o  firimfim da Cruviana*. O chiado das alparcatas no compasso ralentado de Dona Neném. O rezo orquestrado nos galhos da arruda cosquenta de Dona Sinhá. -Xiu, num ria, sua buliçosa, se aquiete! O canto vocalizado entre voo e pouso de quem nunca deixouContinuar lendo “Mãe-da-rua”

Depois da chuva

Ana Karina Manson Hoje estou assim Esse tempo parado Sem sol, sem chuva, sem vento Sem Dia de silêncio, nem a TV  Pra fingir a pseudo presença  De todo dia Vizinhos mexendo concreto Será mais um muro? Já nem somos vizinhos Humanos estranhos Alguma coisa se foi com a tempestade Que nem vi Agora sóContinuar lendo “Depois da chuva”

Reencontro

por Ana Karina Manson Só por hoje ela queria chorar sem precisar se esconder para que ninguém descobrisse suas fragilidades. Estava tão cansada desse personagem que criou e vestia há tanto tempo, que em alguns momentos até se confundia entre o que era real e o que inventava. Aprendera a ser e agir como oContinuar lendo “Reencontro”

Júpiter

Raíssa Corso Padial- De dentro para fora essa luz expande O cristal flori E como candeeiro em escura caverna No céu a lua é cheia, desmembrando-se em minguar. Centralizado em linhas universais reina ele, o grande expansor. No mesmo signo, insígnia, casa minha zodiacal Expande mestre… Gigante a rodar em velocidades imperceptíveis e que aoContinuar lendo “Júpiter”

Um despertar

Celane Tomaz- Acordei com a claridade atravessando a minha janela. Os raios solares cortavam a parede oposta. Já era tarde para a minha consciência recém apreendida e para os meus sentidos quase agora recuperados.  Meu corpo, ainda sobre a cama macia, livra-se aos poucos do peso da dormência. Ainda é lento o movimento que façoContinuar lendo “Um despertar”

Ser-tão

Arlete Mendes – Já disse, não sou paulista. Não adianta jogar mais essa carga em mim. Nunca fui, nunca serei. Os registros? Sim. Mas nem todo fato é um fato inteiro. Explico-lhe. São Paulo é um acidente em minha vida, assim como um dedo mindinho aleijado, os dentes que faltam em minha boca, os amoresContinuar lendo “Ser-tão”

Carolina Tomoi – Vó fumava. Lembro dela sentada no banquinho – era um banquinho só dela, cujo assento era côncavo, ela mesma o havia desenhado e encomendado num marceneiro da vizinhança – seus cabelos meio dourados ficavam translúcidos conforme batia aquele solzinho de começo de manhã. As armações dos óculos arredondados eram marrons, mas tinhamContinuar lendo “Vó”

Teoria do universo

Elisa Dias – Permaneci ali, parada, enquanto ele girava ao meu redor, muitas vezes me sentia o Sol, o centro do universo com todos os planetas estrelas e civilizações girando em minha órbita. Era tudo suspenso pela lei da gravidade, nunca fui capaz de compreender a ciência exata, para mim é tão abstrata quanto umContinuar lendo “Teoria do universo”