Apanhadora de sonhos

Arlete Mendes- Sei que tive um sonho. Sonhei. Traços da narrativa quase se esboçam, mas rapidamente se evaporam. Esquecer e lembrar, esse jogo recorrente da memória me fragiliza. O que fica é que sei que sonhei e os sonhos revelam, dão claridade e forma à obscuridade imposta nas verdades, brincam de esconder-revelar o que tentoContinuar lendo “Apanhadora de sonhos”

A verdade estampada na cara

Elisa Dias – Hoje eu acordei sufocada de meus próprios desejos que foram abafados como choro de amor por um travesseiro. Hoje eu me deparei com meu rosto no espelho, acabado e marcado com os sonhos que a vida me fez sonhar e deixar pra outra hora! Vendo a feiura envelhecer na face desse restoContinuar lendo “A verdade estampada na cara”

ELAS SÃO MAIS QUE ELOS

Juliana da Paz –  – No confronto com o mundo sempre há quem lhe socorra, não é?  – Não. Nem sempre. Às vezes tive que me ver comigo mesma. Mas, na maioria das vezes tive uma, algumas, muitas mulheres ao meu redor que sempre ficaram e não fugiram. Que suportaram a tensão que causo, queContinuar lendo “ELAS SÃO MAIS QUE ELOS”

Fitomulheres

Arlete Mendes – Tem gente que acha que falo sozinha por pura esquisitice. Não falo sozinha, não. Andam junto de mim meus ancestrais. Falam comigo o tempo todo. Tem um pé de arruda que me benze, tira os banzos, quebra os quebrantos.  As onze-horas entoam juntas, sempre pontuais, uma cantiga de roda de outrora. Ah,Continuar lendo “Fitomulheres”

Uma dor e uma voz coletiva

Jesuana Sampaio – Uma vez, no início da minha juventude, vivenciei uma situação abusiva ao terminar um relacionamento. Aquele rapaz, que se dizia meu companheiro, no auge da sua possessão e imaturidade ameaçou matar um amigo meu do qual ele tinha ciúmes, caso eu não voltasse para ele. Naquele momento, dentro de mim soou umContinuar lendo “Uma dor e uma voz coletiva”