Casa de Marimbondo

*Arlete Mendes- Ganhei a obra completa da Virgínia Woolf. Só engoli dois romances. Não tive estômago para o resto. Tenho mais livros que consigo comer, mais fome do que consigo satisfazer, mais filhos do que posso gestar, mais amigos do que posso cuidar, mais sentimento do que consigo compreender, mais corpo do que consigo carregar.Continuar lendo “Casa de Marimbondo”

Parir do verbo

“Cai a lua, caem as plêiades eÉ meia-noite, o tempo passa eEu só, aqui deitada, desejante.” Safo por Celane Tomaz ProcuroA palavra carregada e a precipitação dos meus ruídos.O pensamento se condensa na extensão de impalpáveis burburinhos.Uma alma de poeta inquieta, uma alma inquieta de poeta! O corpo se contorce com o pulsar dos versos-açoites.Continuar lendo “Parir do verbo”

Terra Rachada

Mara Esteves- Nesta terra rachada de histórias,  forjada no sangue, suor e luta existe um Brasil que lê e escreve agora a sua própria história. Na pedagogia do cotidiano,  talhando a vida para espantar a dor Que a palavra ganha corpo CorPoesia A palavra manifesta  Ecoa os gritos outrora reprimidos Agora em bando Celebra encontros,Continuar lendo “Terra Rachada”

A menina que lê

por Ana Karina Manson “Todo dia ele faz tudo sempre igual”: sobe a Estrada do Campo Limpo com seu livro nas mãos sem tirar os olhos das palavras que balançam no ritmo do seu caminhar. “Todo dia ela faz tudo sempre igual”: desce a Estrada do Campo Limpo ansiosa em vê-lo mais ainda, em verContinuar lendo “A menina que lê”

Além das janelas

Ana Karina Manson- Os alarmes desativados. O celular não despertaria – nem amanhã, nem nunca mais. A vida mudara e, como numa ficção cinematográfica, ninguém podia sair de casa. Ninguém sabia ao certo o que acontecia, mas aquele que saía, não voltava. Não aconteceu de um dia para o outro. Primeiros as pessoas receberam avisosContinuar lendo “Além das janelas”

João de Barros

Arlete Mendes- Manhã fria, nos aquecíamos com um disco e um café com tapioca. Ela sempre sol… -Mãe, quem é que fez essas músicas ? -Foi o Vinícius, filha, um poeta. -Ele é seu amigo? – Nunca fui muito amiga do Vinicius, gostava das canções e de um ou outro poema… -Não, filha. -Ele trabalhaContinuar lendo “João de Barros”

Vó era analfabeta

Ana Karina Manson – Dias desses aqui em casa cismaram de querer fazer pão. Já quase imediatamente vai alguém buscar na “internet” uma receita e mais outra e mais outra. Logo um lembrou-se do livrinho de receita que a mãe tinha. Com todo capricho, só faltava desenhar os bolos e tortas. As páginas até amareladasContinuar lendo “Vó era analfabeta”

Há um messias entre nós?

Jesuana Sampaio – VAGABUNDA.Ele me insultou com seu perfil fake após um poema desses que exaltam o sentimento profundo de humanidade frente à dor do luto.BURRA.ele me chamou com seu fake pseudônimo destilador de ódio.Uma amiga sugeriu que eu deveria mandá-lo tomar no cú.Toma no seu cu!Seria uma boa alternativa, talvez.Eu passei o dia todoContinuar lendo “Há um messias entre nós?”

Fitomulheres

Arlete Mendes – Tem gente que acha que falo sozinha por pura esquisitice. Não falo sozinha, não. Andam junto de mim meus ancestrais. Falam comigo o tempo todo. Tem um pé de arruda que me benze, tira os banzos, quebra os quebrantos.  As onze-horas entoam juntas, sempre pontuais, uma cantiga de roda de outrora. Ah,Continuar lendo “Fitomulheres”

Nó da madeira

Thata Alves – O nó é aquilo que deixa firmado. Consiste em apertar o que está frouxo… é o ato de estreitar. Madeira? Ah… Madeira já é a comida que como. Não necessariamente mastigar a viga, mas em toda minha vida, a madeira nos alimentou. Respondi, quando me perguntaram, numa aula de filosofia, sobre oContinuar lendo “Nó da madeira”

Uma dor e uma voz coletiva

Jesuana Sampaio – Uma vez, no início da minha juventude, vivenciei uma situação abusiva ao terminar um relacionamento. Aquele rapaz, que se dizia meu companheiro, no auge da sua possessão e imaturidade ameaçou matar um amigo meu do qual ele tinha ciúmes, caso eu não voltasse para ele. Naquele momento, dentro de mim soou umContinuar lendo “Uma dor e uma voz coletiva”