Para um novo Brasil

-Mara Esteves Agua de chuva para abençoar um Brasil de todes, mátria amada, colo de mãe que acolhe os Brasis, em descanso protegido, e não mortos pelos fuzis empunhados pelo Estado, carregados de munição ou omissão, estratégias para um mesmo objetivo: matar suas gentes diversas. E a elite brasileira, essa pequena nefasta, composta por poucosContinuar lendo “Para um novo Brasil”

São Paulo: cinza chumbo

São Paulo, cidade cinza chumbo. A lembrança do arco-íris do dia anterior, breve miragem. A esperança que não cabe nas urnas, não cega os olhos, nem tapa a boca ou os ouvidos, grita e traz consigo, memória de dor e luta. Cidade com nome de santo: São Paulo. Que enaltece o extermínio de sua populaçãoContinuar lendo “São Paulo: cinza chumbo”

A CLASSE MERDA

Carolina Tomoi – Pobre que gosta de pagar caroPobre porque reclama do carro de quem lhe carrega pro serviçoPobre que se finge de madamePobre porque reclama do salário de quem limpa sua merdaPobre que cospe no pratoPobre porque pragueja quem prepara sua comidaPobre que cospe pra cimaPobre porque estuda na pública mas veio da privadaPobreContinuar lendo “A CLASSE MERDA”

Quem é como Deus.

Thata Alves – Tinha uma caixa com doze cores, para entreter o erê, punha papéis brancos no chão de casa, pra ele ali desenhar. E não é que o menino dava para risco? Todo o desenho de erê era um quadro! Minha sala era quase que uma galeria de arte, de tanto sufite espalhado pelaContinuar lendo “Quem é como Deus.”

Domingo

Ana Karina Manson – Há pessoas que precisam do sol para se sentirem vivas, outras do mar, outras da estrada. Eu preciso da casa dos meus pais. É lá que recarrego minhas energias; lá me conecto pelo olhar, pela voz, pelo abraço deles com algo que transcende minha existência.Portanto, após um mês longe deles, devidoContinuar lendo “Domingo”

Manu, Mani e Marizé

Arlete Mendes – Acordava pontualmente às quatro da madrugada, coava o café ouvindo “Brasil Caminhoneiro”. A fumaça embaçava o pensamento, o cheiro lhe dava fome. Fome do que não tinha. Queria comer estrada e chão na boleia de um caminhão. A mulher não gostava nada daquele programa, só gostava do Eli Correia. Ela tinha saudades.Continuar lendo “Manu, Mani e Marizé”

Foi-se que corta

Juliana da Paz – É tanta peleja Pra ganhar o pão Aquela gana de matar patrão Que é só mais um trouxa Numa roupa padrão De moral frouxa Debaixo dos panos Ele não é mais que qualquer humano E o que somos? Senão vulneráveis Comidas de vermes Pós retornáveis Lutando ad eterno Contra a morteContinuar lendo “Foi-se que corta”

Álbum de fotografia

Thata Alves – Já deu medo de entrar pela maçaneta da porta, ela reluzia um dourado de 18 quilates, mas como fui convidada a entrar, reajustei a postura e angústia, entrei.Os sapatos eram deixados na porta, então com os pés você acessava a mansão, meus pés pareciam acariciar as nuvens com tamanha maciez.Me convidaram aContinuar lendo “Álbum de fotografia”

Seu José

Elisa Dias – As marcas do tempo davam pra ler no seu rosto, na rachadura dos pés, nos calos de sangue das mãos, na coluna envergada de tanto carregar lata de concreto nas costas estavam ali escritas. A  história daquele homem, que como tantos outros migraram de sua terra, com pouca bagagem, muitos filhos eContinuar lendo “Seu José”