GRAFIAS DE MULHER

Texto publicado originalmente em 06 de dezembro 2020. “A noite não adormece nos olhos das mulheres”  Conceição Evaristo Solange Amorim- Ela caminhava ofegante e seu corpo parecia ranger. Carregava um cansaço imenso. Cabelos  curtos e grisalhos, olhos pequenos e nevoados,  avermelhados pela acidez de São Paulo. A retina esquerda aparentava conter uma pequena cicatriz que Continuar lendo “GRAFIAS DE MULHER”

VIDA DE POBRE I

Texto publicado originalmente em 21 de agosto de 2020. Carolina Tomoi- Ela já estava acostumada à vida nos coletivos. Nascera e crescera aprendendo a dividir e usar nós no lugar de eu. E naquele momento vivia seu auge dos transportes urbanos. Levava uns quarenta minutos apenas, desde que saía de casa até chegar ao trabalho.Continuar lendo “VIDA DE POBRE I”

DOLCE VITA

Texto publicado originalmente em 05 de julho de 2020 Arlete Mendes- Ouço tanto falar de empreendedorismo, palavra muitas vezes utilizada para escamotear relações trabalhistas precarizadas, tem gente que baba tanto nesse termo como se fosse o ovo de Colombo. Besteira! Quer mais empreendedorismo que nossos ancestrais? Cavavam trilhas e caminhos no meio da mata paraContinuar lendo “DOLCE VITA”

Grafias de mulher

Solange Amorim- “A noite não adormece nos olhos das mulheres”  Conceição Evaristo Ela caminhava ofegante e seu corpo parecia ranger. Carregava um cansaço imenso. Cabelos  curtos e grisalhos, olhos pequenos e nevoados,  avermelhados pela acidez de São Paulo. A retina esquerda aparentava conter uma pequena cicatriz que  diferenciava um olho do outro.  A angústia saltavaContinuar lendo “Grafias de mulher”

Eleições

Carolina Tomoi- Me lembro do dia que fui buscar meu título, tinha 16, era um dia muito ensolarado como a esperança cultivada num Brasil jovem, que tinha tudo para brilhar feito estrela. Em meio àquela restrita constelação de 26 pontos a cintilar na bola azul, ainda não havia aparecido nenhum Sol que brilhasse para todasContinuar lendo “Eleições”

Chuva na pandemia

Shirlei do Carmo- Olhei os pingos da chuva escorrendo no vidro da janela do quarto, enquanto lembrava das gotas de suor que banharam nossos corpos, num dia como esse, em  que fechei a janela e as rachaduras no teto se misturaram no emaranhado dos lençóis de algodão e emolduraram as asas do corpo. Por instantesContinuar lendo “Chuva na pandemia”

Vida de pobre I: COLETIVOS

Carolina Tomoi – Ela já estava acostumada à vida nos coletivos. Nascera e crescera aprendendo a dividir e usar nós no lugar de eu. E naquele momento vivia seu auge dos transportes urbanos. Levava uns quarenta minutos apenas, desde que saía de casa até chegar ao trabalho. Alguns quarteirões até o ponto, caminho que fariaContinuar lendo “Vida de pobre I: COLETIVOS”

Dolce vita?

Arlete Mendes– Ouço tanto falar de empreendedorismo, muitas vezes para escamotear relações trabalhistas precarizadas, babam tanto nessa palavra como se fosse o ovo de Colombo. Besteira! Quer mais empreendedorismo que nossos ancestrais? Cavavam trilhas e caminhos no meio da mata para interligar paisagens, aldeias e os parentes. O grande caminho, além fronteira, extra terra brasilis,Continuar lendo “Dolce vita?”