Fez entendedô?

Jesuana Sampaio – “Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além”Paulo Leminski Naquele dia eu não queria falar. Queria ser abençoada e ouvir as sabedorias do Caboclo Pai Guarani. Ele sentiu. Não precisei dizer nada. Quis saber as ervas que me acompanhavam, falei: bergamota e hortelã. Acenou positivoContinuar lendo “Fez entendedô?”

Mulher Gombô…

Anabela Gonçalves- Eu sou mulher gombô Mulher sem moda, nem modelo, de riqueza  sem valor. Busco nos pensamentos caminhos,  pequenas mensagens no meu Orí. Sou de fuleragens, dengos,  quitandas  muvucas pito  rezo  bebo  oferendo. Cochicho ao cochilar  rezas em yorubá vivo em velhas cantigas o presente,  correntes   prendem ao libertar. Eu pergunto,   Dona Ginga sobreContinuar lendo “Mulher Gombô…”

CHAMADO

Texto originalmente publicado em 01 de novembro de 2020 Sílvia Tavares– Me veio primeiro fogoMinha pele colorida na ruaTrazendo cachoeira pro asfaltoBotando-me mar nos olhos Me veio depois desertoTravessia para não sei ondeE o som do vento, do ventoAté que as perguntas calassem Me veio então moradaTantinho de saúde, descanso na loucuraMorros, bugios, leite entornado no tachoCéuContinuar lendo “CHAMADO”

CHAMADO

Silvia Tavares- Me veio primeiro fogoMinha pele colorida na ruaTrazendo cachoeira pro asfaltoBotando-me mar nos olhos Me veio depois desertoTravessia para não sei ondeE o som do vento, do ventoAté que as perguntas calassem Me veio então moradaTantinho de saúde, descanso na loucuraMorros, bugios, leite entornado no tachoCéu estrelado, água de mina Me arrebataram batalhasReligações, nutriresPés andarilhos rumaramCorpoContinuar lendo “CHAMADO”

O Levante

Thata Alves- Do que me importa sua ditadura da beleza Trago em meu sorriso Soberana realeza Os atabaques soam das minhas mãos As mesmas que provêm o pão A percussão não é restrita só ao homem Das mãos das mulheres se tem valia Porque desde os tempos da África Que o tambor batia Pelas mãosContinuar lendo “O Levante”

Alquimista

Elisa Dias- Eu deslizava por entre os seus dedos feito ar, inflamava teus pulmões com o sopro da vida, girava ao seu entorno e sempre te impulsionava  ao deslanchar de um novo dia, eu era a vida. Nos dias quentes eu era a brisa suave que soprava com gentileza seus cabelos, secando o suor daContinuar lendo “Alquimista”

Ressignificância

Thata Alves – O calor, dessa vez, não era dos corpos que se tocavam pela primeira vez e nem era a mesma sinfonia que o coração tocava quando, no colar do abraço, o coração – dele – palpitou. Agora era outro ritmo. Era outro cenário, mesmo que na mesma cidade. Dessa vez seu coração batiaContinuar lendo “Ressignificância”

Fome de pai

Arlete Mendes – Era domingo, ou seria segunda? Fora do tempo regulado exclusivamente pelo trabalho, já não sabemos que dia exatamente é. São as bendições da quarentena. Estamos fazendo as refeições juntos, isto para nós significa debater assuntos polêmicos e lavar roupa suja, descobrimos que este é o momento mais adequado, porque se algo noContinuar lendo “Fome de pai”

Flor da Paz

Juliana da Paz –           Adoro ouvir Histórias de mãe, porque, geralmente, são assim, Histórias com H maiúsculo. São de um passado tão presente na pele, na veia, na vida de agora. Ela ME conta sempre que conta Histórias nossas, de nossa família. Eu catuco mesmo, sempre tentando ir mais longe, mais fundo, mais! OContinuar lendo “Flor da Paz”

Para meus ancestrais

Elisa Dias – Eu tinha sonhos que para uma menina de pés descalços não era permitido sonhar. E nunca entendia porque minha mãe sempre entrava acuada nos lugares, abaixava a cabeça e dizia “sim senhor”, ou porque aquela família branca a apadrinhou,  arrancada de sua casa das matronas de Minas Gerais, ou porque virou paraContinuar lendo “Para meus ancestrais”

Nó da madeira

Thata Alves – O nó é aquilo que deixa firmado. Consiste em apertar o que está frouxo… é o ato de estreitar. Madeira? Ah… Madeira já é a comida que como. Não necessariamente mastigar a viga, mas em toda minha vida, a madeira nos alimentou. Respondi, quando me perguntaram, numa aula de filosofia, sobre oContinuar lendo “Nó da madeira”