Raissa Padial Corso

Bairrista de Campo Limpo, é multiartista e produz poéticas desde sempre. É autora do Livro ”Dotamanho do coração da formiga” de 2017. No momento se prepara para o lançamento de seu segundo livro “Sangue nas pálpebras e outrassutilezas”,onde desbrava o multicampo dimensional entre brasilidades, bairrilidades em diálogo com o mistério de ser mulher, sangrar e ser portal da ancestralidade.

Idealizadora do Centro de Desenvolvimento Humano – União Akasha, onde exerce a radiestesia, cartomancia, quiromancia, atendimentos terapêuticos  xamânicos individuais, coordenação das atividades e enfoca seu fazer direcionado a resgates e práticas femininas de autocuidado, escuta e desenvolvimento da intuição, proporcionando um mergulho nas sombras que pairam sobre a história da mulher e suas múltiplas facetas. De santa, mãe, irmã, amiga e puta…

Pesquisadora e artista da cultura menstrual, trabalha para a lembrança feminina de seu interior e seu modo cíclico de vida.

Idealizadora e condutora da Roda da Lua, e do grupo de estudos ritualísticos das faces escuras do feminino.

A palavra certa

~Raíssa Padial Corso “O amor nos faz sentir mais vivos, Quando vivemos num estado de desamor, sentimos que poderíamos muito bem estar mortos; tudo dentro de nós é silêncio e imobilidade.” Bell Hooks -Tudo sobre o amor, novas perspectivas, (2021, p.221) A palavra certa já estava dentro do meu ouvido. Não era nem meio diaContinuar lendo “A palavra certa”

Eu saúdo Eva

~Por Raíssa Padial Corso Eu saúdo Eva!A primeira ousada.Construo em mim um templo de conhecimento.Nesse altar sacrifíco todos os dogmas.Tu amada, tão deturpada e deslocada entre suas filhas!Na eterna busca de tua contraparte.Eva com seu gosto de maçã.A mesma maçã que intercala nossos corpos.Tu que rasga a cara de quem interrompe nossas falas, calcula nossasContinuar lendo “Eu saúdo Eva”

Chi Kung

~Por Raíssa Padial Corso Todos os movimentos indicam para a direita, logo mais a esquerda.  Se acalme que tudo tem múltiplos lados,  a ignorância é o que mais se pende.  Não querer saber é o que detém uma grande fatia populacional,  não saber que quer saber foi o “presente” colonial.  Esquecer que a mão sabe escrever é  uma blasfemia com os movimentos.  O movimento pendia VA-GA-RO-SA-MEN-TE, era o cisne, a respiração demorada,  alongaaaaaaada, abria camadas neuronais de percepção, o TAO do Chi.  Acontecendo como sempre acontece,  expandindo, expandindo, expandindo…  O queixo desce ao peito, o timo, tum, tum, tum, tum, tum, tum,  vibração contínua,  abrindo espaço para melhor vibrar.  O ritmo para mim,  sempre foi a lei mais difícil de se abstrair.   Para compreender por onde essa vasta mente anda,  há de se ter ritmo.  Minhas ondas abrigam muitos passos, rotações,  planos paralelos…  O pé deve se levantar lentamente, a  perna esquerda flexionada. Se concentrar apenas nisso,Continuar lendo “Chi Kung”

Lua minguante

~Por Raíssa Padial Corso A lua minguante me derrubou. Eram 19 horas, a rede embalando os joelhos com suas quedas, cicatrizes de caminhos mal andados, cicatrizes de agir como se fosse lua crescente, ovulação na cheia. Vigorosa como se o sol batesse direto nas células. Cai na besteira de subverter a lua em mim, quandoContinuar lendo “Lua minguante”

PITAIA PÍTON

~pOr RaÍssA PaDial CoRSo Para Laura Jasmim e Déa Trancoso, mulheres oraculares. Pitaia minha Píton. Pitaia minha Píton. Rosa rubra flor nascente, desencandeia essa serpente, no sabor de massala, cabe peito, cabe cabalah, vida as vezes nem visita, exita, parasita, mas o rosáceo desse canto celebrou dentro de mim. Canta doce dama esse frescor, mostraContinuar lendo “PITAIA PÍTON”

Subida dos ossos

Por Raíssa Padial Corso O lenço acolhe minhas pernas do chão lamacento, o lenço acolhe a formiga do possível sereno, os primeiros grãos da terra acolhem uma sementinha que plantei ontem, telúricos ciscos abrigam minhocas, mais adentro um mundo subterrâneo de túneis formigosos. Mais adentro, veios d ´aguas, correntezas, minérios, chumbos, mercúrios, alentos de guardaContinuar lendo “Subida dos ossos”

Anti-romântica

Por Raíssa Padial Corso Não pretendo ao amor romântico. Não o quero, não o aguento como venda na face, não o anteno com o seu julgar de fatos, o amor romântico rompeu as pernas de Tereza, a fez voltar a boiar nas águas. Ele me embriaga de roteiros, intensas utopias, patronalismos, mar- idos, vindos, dicotomias,Continuar lendo “Anti-romântica”

Sins

-Por Raíssa Padial Corso Com todo respeito as singularidades, aceite os presentes e caminhe vendada na linha de cetim. Mirar olhos. Fitar moradas possíveis, em interiores nunca antes imaginados. Há monstros e abismos do outro lado da montanha, mas saber que assim é abranda o coração. Faz morada em mim diversos pés de manga, façoContinuar lendo “Sins”

Estrela de Belém

Raíssa Padial Corso “Os lábios da sabedoria estão fechados, exceto aos ouvidos do entendimento.” – O Caibalion. Através da profunda observação da natureza, através do inenarrável inseto que nasce, através da estrela polar, no mistério na luz de Gabriel, com a percepção aguçada assim como no chá, no recôndito mais escondido da alma, no frioContinuar lendo “Estrela de Belém”

Chuveiro queimado

Raíssa Padial Corso- O chuveiro tinha queimado. Manuella havia no mesmo dia percorrido o corredor com olhares cínicos, pedantes e piedosos. Ainda bem que ela não tinha muita coisa pra levar, uma planta quase seca como ela, num corredor seco, numa cidade seca, relações secas. Sim, a monotonia regava…. Ela árida, sussurrava para si autoajudasContinuar lendo “Chuveiro queimado”

Tradição do transgredir

Por Raíssa Padial Corso. Quanto mais machadadas em paradigmas eu puder dar:Serei.Quanto mais possibilidades de mergulhar nesse corpo/pensante/ andante e peregrino.Afogarei.Primordialmente meus dogmas, para após, reinar em mim.Neste justo espaço que me sou, neste meandro do existir.O mundo é muito estreito para mulheres como eu.Houve um tempo em que eu era mecânica de gaiolas, láContinuar lendo “Tradição do transgredir”

Cápsulas de serenos

Por Raíssa Padial Corso Mesmo diante da clareira, um suspiro, dois suspiros. Mesmo caindo pelas tampas em qualquer botequeira campo limpense. Mesmo assinalando com devoção todos os textos, para formarem -se referências dentro da própria retina. A resposta ainda era Não. Mesmo assaltando sempre o próximo minuto, o próximo acerto, concordando com a cabeça queContinuar lendo “Cápsulas de serenos”

Lente de velha

Raíssa Padial Corso- Elaborar a mais remota possibilidade. Borbulha mulher, saúdo a intenção, a emanação, a rede entrelaçada do que não vemos, a teia mais longínqua… Yo se que un día volverás…Amor, amor de fogo, vísceras compatíveis com a nossa substancial humanidade. Yoio limpa as rugas empoeiradas da anciã, essa foi sua primeira cilada. -AcendeContinuar lendo “Lente de velha”

%d blogueiros gostam disto: