Mara

Curiosa em desbravar novos mundos e formas de viver em completude, é educadora popular e mediadora de leitura junto à coletiva Achadouras de Histórias – que gere com outras mulheres-potências – a Biblioteca Comunitária Djeanne Firmino. Traz em seu caminhar a criança que sempre foi, reafirmando a importância de sagrar a vida através da poética do brincar, fazendo parte da coletiva Brincantes Urbanas. Nesta travessia, se veste de coragem para parir suas escritas, que por anos estiveram escondidos dos olhos do mundo.   

email:maraecosta@gmail.com

Entre-todes

-Mara Esteves Há braços que se esticam em busca do encontro, do outro que está ali, ao lado, na espera do enlace. Por que, por hora, o toque, o afago, necessita espera, cautela, como semente a germinar à terra. Pele tocando pele.Tambor-coração. O entre-rios formou abismo de si, dos sonhos e devaneios tolos/todos. Quem permitiráContinuar lendo “Entre-todes”

Ser mais

-Mara Esteves 100 anos soletradosDI-TA-DU-RAmemória1968 formasde distorcer a história 40 horas de Angicosinjustamente interrompidasatacadoe suas, tão nossas,pedagogias da libertação. os educadores, os livrosas bibliotecaschão que soletraEN-XA-DAarrancada de suas mãos O letramento da fomeé a correia do cão.

Chama

Chama que ela atende, atenciosamente, te responde e te dá toda a atenção. Chama, que ela conta tudo, o que deseja para si e para o mundo. Chama, porque ela não só sabe das coisas, mas resolve tudo assim, numa chamada só. Chama mesmo, porque se não for suficiente, ela chama quem pode ajudar. ChamaContinuar lendo “Chama”

Um Brasil sem carnaval

-Mara Esteves “Eu não vou chorar Senão a maquiagem vai borrar Lúcifer está batendo em minha porta PEC, PEC, PEC, PEC, PEC que pariu PEC, PEC, PEC deram um GOLPE no Brasil”. ( Marchinha: Agora Vai é Pé no Chão e Rua – Bloco Agora Vai/ Ano 2017) Neste ano o apito, o tambor eContinuar lendo “Um Brasil sem carnaval”

DESEJO

substantivo masculino (?!) aspiração, querer, vontade expectativa de possuir ou alcançar algo. Texto originalmente publicado em 16 de agosto de 2020. Mara Esteves– Meu corpo é morada de desejos, até mesmo de desejos que não nasceram em mim. Estes, busco reconhece-los e me despeço a cada dia. São ecos de outras vozes, querendo ditar oContinuar lendo “DESEJO”

CAMINHANTE

Texto originalmente publicado em 21 de setembro de 2020. Mara Esteves- Se eu pudesse subverter o mundo,  juntaria as placas tectônicas novamente e atravessaria fronteiras em liberdade,  deixando que o desejo seja força motriz para o meu caminhar ao seu encontro. Se eu pudesse inverter a lógica, a ordem do dia a dia a lutarContinuar lendo “CAMINHANTE”

DAMIANA

Texto originalmente publicado em 25 de outubro de 2020. Mara Esteves- Damiana era exímia em roubar frutas do pé.  Pulava muros, cercas e trepava em galhos finos. Enfrentava sem medo todos os obstáculos em sua frente, mesmo que para isso fosse preciso fazer malabares no ponto mais alto da copa de uma árvore, se equilibrandoContinuar lendo “DAMIANA”

Para um novo Brasil

-Mara Esteves Agua de chuva para abençoar um Brasil de todes, mátria amada, colo de mãe que acolhe os Brasis, em descanso protegido, e não mortos pelos fuzis empunhados pelo Estado, carregados de munição ou omissão, estratégias para um mesmo objetivo: matar suas gentes diversas. E a elite brasileira, essa pequena nefasta, composta por poucosContinuar lendo “Para um novo Brasil”

Elas

– Mara Esteves Ela, que depende somente de si e de outras como ela, para acreditar em um horizonte que caiba seus sonhos. Ela, que cria jeitos para se proteger de um mundo, que insiste em dizer que seu futuro já esta marcado no patriarcado: o lugar de silêncio e resignação: mãe, esposa e filhaContinuar lendo “Elas”

Sala de Espera

–Mara Esteves “Ame o próximo como a ti mesmo” Mas quando é a minha vez? Se antes de me amar Há de cuidar da roupa para lavar, comida para preparar, Cuidar dos filhos, dos pais, do marido, da casa, do trabalho e de qualquer outra coisa que sempre grita mais urgência, movimento reverso das prioridadesContinuar lendo “Sala de Espera”

São Paulo: cinza chumbo

São Paulo, cidade cinza chumbo. A lembrança do arco-íris do dia anterior, breve miragem. A esperança que não cabe nas urnas, não cega os olhos, nem tapa a boca ou os ouvidos, grita e traz consigo, memória de dor e luta. Cidade com nome de santo: São Paulo. Que enaltece o extermínio de sua populaçãoContinuar lendo “São Paulo: cinza chumbo”

Terra longe

-Mara Esteves Alumiou no céuLua cheia rodeada de estrelasdas mais brilhantes já vistasiluminando igual Candeeiro Semi-deuses e seus sonhos solitários. Fagulhas queimam e desaparecemnum piscar de olhosgotículas de orvalho que escorrem das folhasna primeira hora do diadesejosas de encontrar o mar. O olhar mira horizontesque não estão ao alcance,janela aberta para esperançar. O obituário naContinuar lendo “Terra longe”

Mariantônia

As primeira horas anunciavam um dia de sol e céu aberto. Aroma de café e manhã fresca convidando para, em meio ao silêncio, contemplar o canto dos pássaros acordando o dia e os primeiros sinais das gentes em movimento. Maria Antônia, sentou em sua cadeira no quintal e entre um gole de café e outro,Continuar lendo “Mariantônia”

Damiana

-Mara Esteves Damiana era exímia em roubar frutas do pé.  Pulava muros, cercas e trepava em galhos finos. Enfrentava sem medo todos os obstáculos em sua frente, mesmo que para isso fosse preciso fazer malabares no ponto mais alto da copa de uma árvore, se equilibrando e segurando com uma mão um dos galhos paraContinuar lendo “Damiana”

Armadura

-Mara Esteves Caminhava estampando em seu rosto, o maior sorriso que podia existir. Seu sorriso flecha, armadura e acalanto, que apesar de guardar um bocado de dores e desamores, reluzia riso farto de alegria. Iluminava até quem mais nublado caminhava pela vida. Os mais tolos, ofuscavam as vistas e faziam seus julgamentos: condenando que suaContinuar lendo “Armadura”

Terra Rachada

Mara Esteves- Nesta terra rachada de histórias,  forjada no sangue, suor e luta existe um Brasil que lê e escreve agora a sua própria história. Na pedagogia do cotidiano,  talhando a vida para espantar a dor Que a palavra ganha corpo CorPoesia A palavra manifesta  Ecoa os gritos outrora reprimidos Agora em bando Celebra encontros,Continuar lendo “Terra Rachada”

Caminhante

– Mara Esteves Se eu pudesse subverter o mundo,  juntaria as placas tectônicas novamente e atravessaria fronteiras em liberdade,  deixando que o desejo seja força motriz para o meu caminhar ao seu encontro. Se eu pudesse inverter a lógica, a ordem do dia a dia a lutar por pão, abrigo e partilha Tiraria o pesoContinuar lendo “Caminhante”

Sendo rio

Mara Esteves– Te quero Livre e solta a percorrer a vida Sendo rio Seguindo seu próprio curso. Em tempos de cheia Transborda funduras. Deságua  Em cachoeiras e cascatas A procura do mar. Já na secura dos dias, Onde o sol castiga a pele e a terra, Ser riacho que desbrava caminhos Neblina densa, transmutando seu estadoContinuar lendo “Sendo rio”

É Proibido Sonhar

Mara Esteves- Agoraque milhares de corpos tombam e somam números nas estatísticasum letreiro fúnebre estampa cada esquina:é proibido sonharexceto os sonhos de consumodos produtos indispensáveispara vidas descartáveisque tombam e somam números nas estatísticasé proibido sonharexceto os sonhos de consumoparcelados em 12 x sem juros.

Desejo

substantivo masculino (?!) aspiração, querer, vontade expectativa de possuir ou alcançar algo. Meu corpo é morada de desejos, até mesmo de desejos que não nasceram em mim. Estes, busco reconhece-los e me despeço a cada dia. São ecos de outras vozes, querendo ditar o meu caminhar. Cultivo em mim essa curiosidade de descobrir quais desejosContinuar lendo “Desejo”

Em estado Árvore

Soltando as amarras. Quebrando muros e destruindo cercas. Estruturas secas, camadas duras. O acúmulo em mim já não me pertence mais. Fragmentos que um dia fizeram parte do meu eu, se despedem para não retornar. Projeções e expectativas desenhando sonhos que se desmancham, tal qual as nuvens em tempos de ventania. E se a rajadaContinuar lendo “Em estado Árvore”

Só mais um grito.

Mara Esteves- As notícias se repetem em um ciclo que parece não ter fim. Mil e tantas mortes ao dia. Mil e tantas ontem, e infelizmente, talvez mil amanhã. São mais de mil vidas resumidas a números e compondo parte do cotidiano. Mil vidas sem nome, sem registro de suas honras e glórias. No início doContinuar lendo “Só mais um grito.”

Quando amanheci e vi Raoni da janela

Mara Esteves – Em 2017, junto com a turma que constrói cotidianamente a Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias, fui agraciada com a oportunidade de participar de uma formação em orçamento público e direitos humanos, oferecida pelo INESC (Instituto de Estudos Socieconômicos), em Brasília. Tinha consciência que a cidade projetada receberia representantes de diversos povos indígenasContinuar lendo “Quando amanheci e vi Raoni da janela”

Ser

Mara Esteves – Ser Mulher Una e múltipla Multifacetada Mutilada No profundo da alma. Quantas em mim já partiram Para renascer? Quantos sonhos paridos Para livremente crescer? Me vejo/Te vejo E me refaço Renasço nas que vieram antes E nas que surgirão depois. Estamos conectadas Pelo fio da vida E não há tirania em mimContinuar lendo “Ser”

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