Juliana da Paz

Doutora em educação pela Universidade Federal de Alagoas. É professora da educação infantil, escritora, compositora, educadora social e arte educadora. Tem como principais linhas de pesquisa e ensino, o currículo escolar a cidadania na infância, arte educação e a formação de crianças leitoras e escritoras. Seus primeiros textos lidos por outras pessoas saíram no jornalzinho da escola, foi aos doze anos, quando sonhava em ser jornalista, e incentivada pela professora Glorinha, publicou seu primeiro poema sob o pseudônimo de Luciana Viana. Tem dois livros lançados no ano de 2021: “Um ano sem roupa: textos sobre como amar é difícil e bom” – Vicença editorial e “Seria cômico se eu não fosse a mãe” – Selo Sarau do Binho.

Contato: jcdapazalves@gmail.com

Blog: https://jcdapazalves.wixsite.com/website/blog/

E AÍ, COMPANHEIRO?

Eu sei lá quantas voltas no coração, no juízo e na libido, nossos processos de formação, de sentir, de buscas internas nos dão até nos jogar no colo de alguém. O que determina a escolha? Estou aqui olhando você dormir igual ao nosso filho, ou ele igualzinho a você, e me questionando: o que meContinuar lendo “E AÍ, COMPANHEIRO?”

não moro?

Juliana da Paz- Namorar…Morar na…Na cama do outro,no coração, na vida…Pousar na alma,Esgueirar-se na pele,afogar-se em salivaMergulhando no cheiroDo pé do ouvido…Duvido!Que sendo assim,tu não queiras na-morarCOMIGO! Ouça Namorar na voz de Arlete Mendes:

Passo mal, mas estou bem

Juliana da Paz Até que dia ainda doer será a regra?Dia após dia me encolho dentro da máscara,Da casa,Da fome alheia.Não tenho conseguido gritarNem a felicidadeDe parir pureza e raça, Não combina com o cenário.É mais incongruenteQue borboletas no aquário.Me culpo por saberQue estou no lamaçal tóxicoE não me sujei ainda. Cadê as forças, cadê?Continuar lendo “Passo mal, mas estou bem”

Lua minguante no mar!

Por Juliana da Paz O juízo se espalha pelo mundo Expande-se no horizonte Onde já não lhe enxergo Não o mesmo Ando cheia de marcas Cicatrizes que me enfeitam Cabelos que não lhe lambem mais Pernas que já correm em apressar a própria vida Roupas de águas tranquilas Já distantes do seu ar Uma outraContinuar lendo “Lua minguante no mar!”

PAVILHÃO DE ESPELHOS

Texto publicado originalmente em 4 de setembro de 2020. Juliana da Paz– Das imperfeições que tenho a maior é ser mais de uma. Olho-me no espelho e tenho vertigens. Vivo embriagada na sede das muitas que aqui residem.  Não há aguardente, licor ou cevada que cause maior efeito que o desejo que eu sinto deContinuar lendo “PAVILHÃO DE ESPELHOS”

NÓS, NATURALMENTE…

Texto publicado originalmente em 13 de novembro de 2020. Juliana da Paz- Era madrugada e o sono não vinha. Uma dor que me apertava as têmporas, o esternocleidomastoideo e todas essas nomenclaturas de músculos que compõem as costas e o pescoço, subindo ouvidos e cabeça acima. Esses que são conteúdos escolares, mas não fazemos questãoContinuar lendo “NÓS, NATURALMENTE…”

VINTE-VINTE.

Ontem vivi um ano de 365 dias. Ainda flutuam na minha cabeça todas as formas e cores que estavam presentes. Estão ainda no meu nariz a falta de amor vivida neles e, nos meus olhos, a falta de tato com a vida a que esse ano sobrevivi.             Pedacinhos de alegria grudaram os dias unsContinuar lendo “VINTE-VINTE.”

Romeu e Juliana

É um pé que remexe É um lábio que desce Um disparar que não para E a saudade se cala Ele me convenceu Me ajudou a morrer Ele quis ser meu Romeu Também morreu de sofrer De uma saudade que é muda E me faz sofrer De uma pessoa miúda Que me faz crescer SobreviventeContinuar lendo “Romeu e Juliana”

CLARICIANA

Por Juliana da Paz Um dia ME encontrei com CLARISSE. Não foi na biblioteca, nem na frente da praia da Pajuçara, em Maceió, primeiro porto de Clarice no Brasil e onde brotei de alguma raíz para nascer Caju. Não foi também no dia em que a professora de literatura me recomendou ver o vídeo deContinuar lendo “CLARICIANA”

Fragmentário viver

Por Juliana da Paz Tenho vivido a poesia em mim, no mundo e nas ideias. Muitas ideias. O cansaço dos dias, mesmo este, tem sido um bálsamo de humanidade no dia-adia que se passa. Cenas figuram e inesperados se precipitam em minha corrida contra o tempo, sem-dinheiro, indecisão, congestionamento, Mãe, insônia, amor-cadê-você?, desculpa, que alegria,Continuar lendo “Fragmentário viver”

AQUÁRIO

Por Juliana da Paz Nas profundezas marítimas havia uma linda sereia apavorante. Conquistava todos os pescadores, atraindo-os para a morte. Um dia encontrou a beleza de sua alma perdida no vasto mar de seu coração quando conhece Mob, o tubarão mais carrancudo, nascido no mar aberto, que vem disputar com ela a carne dos pescadoresContinuar lendo “AQUÁRIO”

Nós, naturalmente…

Por Juliana da Paz Era madrugada e o sono não vinha. Uma dor que me apertava as têmporas, o esternocleidomastóideo e todas essas nomenclaturas de músculos que compõem as costas e o pescoço, subindo ouvidos e cabeça acima. Esses que são conteúdos escolares, mas não fazemos questão de conhecer de verdade até que doam. AContinuar lendo “Nós, naturalmente…”

Denúncia

Juliana da Paz- O pé de capim-cidreira cresceOlho sua impetuosidade em folhas finas, cheirosas e cortantes… Feito as línguas que denunciam.O medo do corteO medo massacreO medo da humilhação pública.E a impetuosidade de crescer não pode parar.A certeza de ser um molho de folhasDe nascer da mesma raizFemininaDe comer da mesma terraNão podemos ter medoContinuar lendo “Denúncia”

Mãe de menino

Por Juliana da Paz A maior sensação de paz materna que se aporta em meu peito é vê-lo dormindo. É um sono lindo e cheio de saúde, abrigo, esperança e amor. É um sonho.             Eu deito e sonho também! “Observar que nossa sociedade foi fundada nesse sofrimento, nessa dor que é para os homensContinuar lendo “Mãe de menino”

CHAMA

– Por Juliana da Paz Eu quero falar!Sobre o que eu quiser!Eu sou fala!Que penetra seu falo,que gesta no úteroo que precisar!Eu vou falar!Minha voz forte,fina raiz,vai ecoar,vai incendiarsua tentativa de me calarEu vou falar!Sobre o que eu quiser,com minha boca,batom vermelho,com meus dentes,você vermelho,com meu corpo,meu espelho,vou falar com paladar de arriba saia,se nãoContinuar lendo “CHAMA”

Olho mágico

Juliana da Paz– Confesso!Eu fico espiando vocêpelo olho mágicoda porta do meu apêEnquanto você fumaOlhando horizonteDo apartamento em frentena janela do hallDo meu prédioFaço disso uma espécieDe remédioQuando você vai emboraE bate um tédioVou até o olho mágicoDevia experimentar…Eu espioE você está láMirando a janelaDo horizonteDo prédio 7Que fica em frente.

ASSENTO

– Juliana da Paz … Teu acento, teu passo lento Andam por aqui Em meus sonhos Vem nesse momento Que guardo teu assento Em minha sala Ele é só teu Tú que acentuas A curva da minha cintura Que é só tua Acentua gravemente Meu prazer Oh! Meu rei de copas Vem, com tuas mãosContinuar lendo “ASSENTO”

Pavilhão de espelhos

Juliana da Paz Das imperfeições que tenho a maior é ser mais de uma. Olho-me no espelho e tenho vertigens. Vivo embriagada na sede das muitas que aqui residem.  Não há aguardente, licor ou cevada que cause maior efeito que o desejo que eu sinto de esculpir mais uma de mim no mundo. Dói, eContinuar lendo “Pavilhão de espelhos”

Bolero

Juliana da Paz Se a intençãoDa reaproximaçãoEra só machucarPode continuarQue está dando certo!E se doer me abalaCerteza que não mataNão sou feito a estátuaNem mesmo a dor me calaE essa terceiraA quem, comigo trairiasPobre coitada não queiraDeixar de ser bailarinaQue em sua mão dançaMas você logo se cansaTroca por outra meninaJá a minha pretensãoDesejar-te todoContinuar lendo “Bolero”

TOC

Juliana da Paz Te ocupo o coraçãoTe ocupo conscienteTendo ordens cruciaisTirando onda, crenteTê-lo onde cresceTe ouço cegamenteTocTocTocTocTocToqueOuçaCarinhosamenteTá orgulhosamente caminhandoTodo ordenado corpoToda origem comoventeTendo ordem… ciente!

ALMOÇO DE DOMINGO

Juliana da Paz – Era pra ser almoço de aniversário de mãe mas a vida pra nós sempre foi muito maior. Comida importa mas abraço é mais alimento Os Meninos se escondem Pra fugir da conversa louca de adultos Que se atropelam na ansiedade de se contar, de se falar, de se querer bem. EContinuar lendo “ALMOÇO DE DOMINGO”

Era …

Juliana da Paz Preâmbulo A cada novo cicloMe cai na cabeçaIdeia de olhar paraAquela que fui,Mas que já esqueciNa manhã seguinteQuando renasci!Ela tem insistidoMe procura,me persegue.Eu, usando mesma raízOuço voz mesma que dizJuliana outra, se ergue! Todo dia eu renasçoDe um passado que me cospeMeio tonta, ensanguentadaSolta a minha própria sorte! Não vai rir doContinuar lendo “Era …”

CARTA À MIRTES

Juliana da Paz Quanta força é necessária para enterrar um filho? Eu não posso responder e a questão não é retórica. Ouvi você dizer, em algum lugar: “Não consigo odiá-la pois a dor de perder meu filho é maior que tudo isso. Eu só quero que a justiça seja feita, se fosse eu não teriaContinuar lendo “CARTA À MIRTES”

A SALVO NA SELVA DE PEDRAS

Atire a primeira pedraQuem nuncaTropeçou na parede friaDe névoa cinzade SP cityQuem nunca sentiu-seAcolhido em sua diferençaNa deselegância discretaDe suas indiretas…Sempre falando que carrega a pedraDe um país inteiroQuem te carrega São Paulo?São os santos teus?Dos teus céus carregados?Da poluição que jorram as chaminés?Ou os Zés e ManésNa correria que te apedrejaGranizosCulturaComidaMisturaDiversidadeNovidade, novidade, novidadeQuem nunca?QuisContinuar lendo “A SALVO NA SELVA DE PEDRAS”

ELAS SÃO MAIS QUE ELOS

Juliana da Paz –  – No confronto com o mundo sempre há quem lhe socorra, não é?  – Não. Nem sempre. Às vezes tive que me ver comigo mesma. Mas, na maioria das vezes tive uma, algumas, muitas mulheres ao meu redor que sempre ficaram e não fugiram. Que suportaram a tensão que causo, queContinuar lendo “ELAS SÃO MAIS QUE ELOS”

Escárnio

Juliana da Paz – Uma amiga me envia um vídeo no celular. Abro e o ator do vídeo começa seu texto:“Hoje o céu amanheceu lindo demais. De um azul profundo, agudo! Só não me afundo nele tanto quanto mergulho no meu próprio umbigo. A coragem de levantar e fazer exercícios logo vem. Tenho histórico deContinuar lendo “Escárnio”

Flor da Paz

Juliana da Paz –           Adoro ouvir Histórias de mãe, porque, geralmente, são assim, Histórias com H maiúsculo. São de um passado tão presente na pele, na veia, na vida de agora. Ela ME conta sempre que conta Histórias nossas, de nossa família. Eu catuco mesmo, sempre tentando ir mais longe, mais fundo, mais! OContinuar lendo “Flor da Paz”

Foi-se que corta

Juliana da Paz – É tanta peleja Pra ganhar o pão Aquela gana de matar patrão Que é só mais um trouxa Numa roupa padrão De moral frouxa Debaixo dos panos Ele não é mais que qualquer humano E o que somos? Senão vulneráveis Comidas de vermes Pós retornáveis Lutando ad eterno Contra a morteContinuar lendo “Foi-se que corta”

Mariana, para uma mulher todo medo é pouco!

Juliana da Paz – – Quantos receios me trouxeram até aqui? Pergunta-se Mariana ao observar sua bolsa tão cheia de coisas. Um mundo de medos ali dentro: guarda-chuva, tarot, agenda, remédio, olho de boi, absorvente, hidratante, pente, refrescante bucal, escova de dente, fio dental. Leva roupa de frio, mesmo em dia quente. Super precavida, acumulaContinuar lendo “Mariana, para uma mulher todo medo é pouco!”

Virada de ano em Maceió

Juliana da Paz – Foi uma noite de festa. Toda nossa pequena rua Marcos Aurélio na casa da Vânia, esposado finado Cícero. Lá sempre ocorriam grandes festas com forró e axé das 19hs às 4hs da manhã. Todas as famílias da ruazinha comungavam da falta de solidão. Tinha caldo de mocotó, sarapatel, cerveja refrigerante, muitosContinuar lendo “Virada de ano em Maceió”

Mal olvido

Juliana da Paz – Um dia ainda lembraremos de como era pedir açúcar emprestado à vizinha para pagar com bolo de fubá no qual se usou o açúcar. Um dia ainda lembraremos como era trabalhar numa tarefa de terra para colher o necessário para viver e não para ficar rico. Como era mesmo sentar-se naContinuar lendo “Mal olvido”

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