Jesuana Sampaio

Nascida em Fortaleza-CE nos últimos dias de dezembro de 83, Jesuana Sampaio é poeta, alquimista, artesã. Formou-se em Pedagogia pela Universidade Federal do Ceará, tem arriscado voos nos estudos de Psicanálise, Tarot e Numerologia.

Em 2014 lançou Cotidiano Poético, seu primeiro livro de poesias, promoveu saraus e rodas de conversas sobre seu livro em diversos estados brasileiros dos quais mochilou por um ano.  Participou das Antologias: Sarau da B1 (FortalezaCE, ago, 2016), O olho de Lilith (FortalezaCE, maio, 2019), e da Antologia Internacional Cartas Íntimas (SampaSP, março, 2019).

Tem inventado versos no coletivo Sarau do Binho desde 2016 quando migrou para a Zona sul de São Paulo. Atualmente participa das Coletivas Água na Peneira (literatura e arte), Muvuca (agroecologia) e Escola Feminista Abya Yala.

Iniciou sua escrita aos 14 anos e desde então, poesia é morada dos seus dentros.

contato:jesuanajesa@gmail.com

Emprestem-me um coração labareda

Por Jesuana Sampaio Alguém me empresta um coração? O meu, tá cansado. Talvez, só por hoje, por ontem.  Emprestem-me para o amanhã,  Para os sonhos meus, tão nossos. Emprestem-me um coração cheio de vigor juvenil, de esperança.  O meu tá um tantinho assim cansado.  Talvez do hoje, talvez incrédulo, talvez. Emprestem-me um coração labareda,  motim,Continuar lendo “Emprestem-me um coração labareda”

Memorial dos Dias

por Jesuana Sampaio Na memória dos meus ossos O correr livre de uma alma antiga, Vento no cabelo, estradas, e o olhar atento ao encantador desconhecido. Na memória dos meus ossos o mar e o sabor da maresia, Areia fina entre os dedos, calmaria que inunda no balanço das águas. Na memória dos meus ossos,Continuar lendo “Memorial dos Dias”

Peneirando Opostos

Por Jesuana Sampaio “Onde está este lugar? Onde está essa luz? Se o que vejo é tão triste e o que fazemos tão errado? E me disseram: Este lugar pode estar sempre ao seu lado e a alegria dentro de você porque sua vida é luz.” Renato Russo. Um par. Pares. Opostos. Luzsombra Sombraluz. SoluaContinuar lendo “Peneirando Opostos”

JANELAS

Texto publicado originalmente em 04 de dezembro de 2020 Jesuana Sampaio- Caminham no teu rosto bonito os meus dedos na tentativa de gravar nas minhas digitais teus desejos. Encosto o meu terceiro olho no teu e a lua nos confidencia que está cheia em gêmeos. As janelas das nossas almas, abertas. Tanto encanto, tanto! TantoContinuar lendo “JANELAS”

SUMÁRIO DE MIM

Texto publicado originalmente em 2 de outubro de 2020 Jesuana Sampaio- Se eu pudesse te entregaria um sumário de mim. Te contaria cada capítulo, verso, de quem fui até aqui. Cada parte da minha história, cada suspeita do que desejei ser, ter ou não ser, não ter. Te diria qual música faz minha alma vibrar,Continuar lendo “SUMÁRIO DE MIM”

MULHER SÁBIA

Texto publicado originalmente em 26 de junho de 2020 Jesuana Sampaio- Tenho memórias de mim tão bonitas que superam todas as que foram dolorosas. Deve ser teimosia cearense. Estes dias estava lembrando que mais ou menos com 17 anos eu dizia que era bruxa e sabia mover os ventos. Eu não entendia porque entre tantosContinuar lendo “MULHER SÁBIA”

Todos os dias um Jesus nasce nas periferias

Por Jesuana Sampaio “Gosto de pensar o natal como um ato de subversão, um menino pobre, uma mãe solteira, um pai adotivo…” Dom Helder Câmara Todos os dias um bem-te-vi desconhecido me dá bom dia… Todos os dias um Jesus nasce nas periferias, Empobrecido por um sistema opressor E desigual. Filho de mãe solteira, SemContinuar lendo “Todos os dias um Jesus nasce nas periferias”

Eu sendo eu

– Jesuana Sampaio Hão de dizer que são piegas os poemas de amor, que a moda é poema com contexto social, exaltação de si como foda. Hão de ditar a  moda para encaixar quem escreve. E eu só posso dizer que gosto de ter achado no mundo meu modo de escrever, meu modo de viverContinuar lendo “Eu sendo eu”

Janelas

Por Jesuana Sampaio Caminham no teu rosto bonito os meus dedos na tentativa de gravar nas minhas digitais teus desejos. Encosto o meu terceiro olho no teu e a lua nos confidencia que está cheia em gêmeos. As janelas das nossas almas, abertas. Tanto encanto, tanto! Tanto que o balançador da praça foi nosso confidente,Continuar lendo “Janelas”

Chamado às inteirezas

Por Jesuana Sampaio Te peço, ama as minhas sombras. Ama as minhas sombras porque as minhas luzes muitos hão de amar. Te peço, ama as minhas fraquezas. Ama as minhas fraquezas, meu mau-humor matinal e minha preguiça de acordar cedo, às vezes. Te peço, ama a minha solitude. Ama a minha solitude e a minhaContinuar lendo “Chamado às inteirezas”

Coração Mundo

A romã que cai o fruto antes de madurar Me diz que tudo bem não estar pronta às vezes. A murta quando me conta que a chamam de falsa dama da noite Me lembra que isso é só o que dizem sobre ela. O cedro quando lamentam suas folhas espetarem de leve Me diz queContinuar lendo “Coração Mundo”

Peso

Jesuana Sampaio Hoje pesou. Pesou ser mulher, periférica e sozinha. Pesou andar na rua sozinha tarde da noite. Medo, violência, solidão. Pesa ter sempre que enfrentar o mundo pra ele não me engolir. Ser sempre forte, pesa. Hoje eu me permito ser fraca mas só depois de estar segura em minha casa. Amanhã, amanhã sereiContinuar lendo “Peso”

Indefinida!

Jesuana Sampaio O que ganho sendo tão incerta? O que faz de mim campo germinado de dúvidas? Ser inexata me define tão intensamente que não cabe a mim reconhecer tal feito. A não ser pela única certeza, de que sou dúvida. Por isso, inexata, indefinida como ser. O que sou enquanto inconstância em efervescência? OContinuar lendo “Indefinida!”

Somos nós que embucetamos o mundo

Por Jesuana Sampaio Quem sabe do tanto de mundo que carregaUma história,Uma vida,Um ventre,Uma vagina,Um corpo,Um ser? Quem sabe da dor, do sentirDessa história,Dessa vida,Desse ventre,Dessa vagina,Desse corpo, Desse ser? Quem sabe de todas as violênciasNessa história,Nessa vida,Nesse ventre,Nessa vagina,Nesse corpo,Nesse ser? Quem sabe a força do grito?Quem grita?Quem escuta?Grito é só o ranger deContinuar lendo “Somos nós que embucetamos o mundo”

A minha criança

Jesuana Sampaio Certo dia um mago me disse que deveríamos saber qual o primeiro chá que tomamos na vida para assim nos conectarmos com a nossa criança interior. Peço licença a criança que fui para tomar mais uma vez o chá de erva doce e voltar no tempo para ninar a criança ferida que meContinuar lendo “A minha criança”

Sumário de mim

Jesuana Sampaio Se eu pudesse te entregaria um sumário de mim. Te contaria cada capítulo, verso, de quem fui até aqui. Cada parte da minha história, cada suspeita do que desejei ser, ter ou não ser, não ter. Te diria qual música faz minha alma vibrar, ou quais os meus poemas preferidos ou quando euContinuar lendo “Sumário de mim”

Longe de nós todos os Adões

Jesuana Sampaio Deusa fecunda que se estupra, não aqui. Roubo da alma feminina, não aqui. Grande útero renegado, não aqui. Símbolos da humanidade que se perpetuam, jornadas, acessos, oroboros, ouroboros, uróboros, devora a si, morde ad infinitum, alquimia cíclica que cria universos, árvores proibidas de Lilith’s insubmissas. longe de nós todos os Adões choramingando pequenosContinuar lendo “Longe de nós todos os Adões”

Ruar

Jesuana Sampaio Por eu ser terra não queira me ver com raízes fincadas em um único solo Minhas raízes já se espalharam. O mundo é minha casa. Já estou na copa de minha árvore Sendo levada pelo vento Para outras pairagens. sou terra e sonho acarinhar todos os solos sem fronteiras, sem arames nem farpas.Continuar lendo “Ruar”

Evoco as forças Sagradas

Jesuana Sampaio Eu evoco o retorno do matriarcado. Evoco a donzela, a mãe, a feiticeira, a anciã para fazer cair todo o domínio de dor das mãos do patriarcado. Evoco minhas irmãs de todas as gerações antes de mim através dos tempos e todas as que virão através dos tempos. Evoco as forças sagradas daContinuar lendo “Evoco as forças Sagradas”

Liberdade de viver

Jesuana Sampaio Ilustração: Pennen de Castro (artista cearense) “libertar” era uma palavra imensa, cheia de mistérios e dores”           “A liberdade ofende.” Clarice Lispector Aqui estou eu.Está é minha alma. Vês?Meu corpo sutil levita Em uma frequência desconhecida por mim. Sentes? Essa sou eu. Um ser à procura de um encontro espiritual Entre seres, universos.SeContinuar lendo “Liberdade de viver”

O Sabor que tem o Sim

Jesuana Sampaio Eu quero gritar aos quatro ventos teu nome junto ao meu. Quero nossas mãos dadas na rua, na passarela de concreto feita para a tua liberdade. Eu quero preencher o teu dedo com meu compromisso e ver no teu riso o sabor que tem o sim. Eu quero afrontar o mundo a teuContinuar lendo “O Sabor que tem o Sim”

Lacunas

Em cada pai tem um ai.Ai eu não consigo.Ai eu tenho medoAi este filho não é meu. De interjeição em interjeição sobram rejeições, mais um registro de nascimento será cravado com pai desconhecido e não nascerá dali uma paternidade consciente. Tem ai de ausência na vida afetiva.Tem ai de ausência na vida financeira e maisContinuar lendo “Lacunas”

Bemtivi nuvem de pipa

Jesuana Sampaio – No canto do bem-te-viestavaminha ideia de romancedesses incompletosfeitopipa de folha de cadernoquea gentechamavadebolachinha.No talo da flor de boldo estava meu paladar amargofeitofim de festa,fim de um amor,Que a gente teima em não esquecer. Na nuvem esbranquiçadaestavameu olhar astigmáticofeitoLembrança da quinta sériePaixonites não declaradas,Invenções de línguas estranhas.Bemtivi nuvem de pipaNo cantoNo taloNo olhoFeitoContinuar lendo “Bemtivi nuvem de pipa”

Ser Eu

Jesuana Sampaio – Quando cheguei a 4 anos atrás para moram em São Paulo, trazia os olhos inchados de tanto choro desaguado na noite anterior de um setembro beirando a primavera. Trazia também a culpa e o sentimento latente de que eu estava sendo egoísta. Nunca precisou ninguém me julgar, sempre fui juíza feroz deContinuar lendo “Ser Eu”

Quem pode escutar o corpo ?

Jesuana Sampaio – Todo mês meu corpo reclama porque ainda não sou mãe. Os seios reclamam em displasias por ainda não terem alimentado a boca faminta de uma criança. O útero sangra em cólicas paralisantes que sinalizam algo de errado no fluxo. Todo mês eu luto para não endemonizar meu ciclo, para entender meu corpoContinuar lendo “Quem pode escutar o corpo ?”

Cordiforme

Jesuana Sampaio Antes que mares revoltos me roubem a paz, eu quero navegar em teus beijos e brotar na tua boca um desejo de sempre. Talvez, assim, desejante de teus cheiros, eu, enfim, não fuja da entrega. Antes que o medo me paralise, eu quero arrepiar tua pele e alimentar de suspiros duradouros teus ouvidos.Continuar lendo “Cordiforme”

Mulher Sábia

Jesuana Sampaio- Tenho memórias de mim tão bonitas que superam todas as que foram dolorosas. Deve ser teimosia cearense. Estes dias estava lembrando que mais ou menos com 17 anos eu dizia que era bruxa e sabia mover os ventos. Eu não entendia porque entre tantos poderes o meu escolhido envolvia o vento, em porqueContinuar lendo “Mulher Sábia”

Canto fora do tempo

Jesuana Sampaio – Joana matutava no pensamento quantos passos precisaria pra encompridar a estrada e ser retirante dela mesma. Nesse jogo de trocas que é a vida, o quê, quem seria prioridade? Ela esqueceu o que é ser prioridade de alguém. Aprendeu na solidão de uma grande metrópole a ser por ela mesma. Quem haveriaContinuar lendo “Canto fora do tempo”

Demais

Jesuana Sampaio – Demais Meu olhar.Olhar…Este que revela a alma que brilha e se ofusca, este, está cansado.Viu demaisOu demais o que não queria.O que achou que não se conceberia.Viu demaisInjustiçasClamorSofrimentos…Juntou-se, aliou-se ao nó na garganta eTransbordou…Viu demais. Ouça nossa voz: Demais

A tristeza que urge

Jesuana Sampaio – Tem dias que a tristeza ganha nome, sobrenome e paradeiro. Eu estava triste. Queria um abraço de mainha ou ouvir ecoar seu sorriso. Queria pedir perdão por ter caído no conto do vigário de sonhar ser artista na cidade armada de concreto que dispara léguas e penas de morte. “O concreto urge”,Continuar lendo “A tristeza que urge”

Memórias de Algodão

Jesuana Sampaio – Quando eu era criança e a minha família já morava em Fortaleza, nas férias, íamos ao sertão de Paramoti, no Ceará. Mainha, minhas irmãs e eu. Mainha fazia uma cesta básica grande e lá íamos nós pra casa do tio João. Alegria quando chegava na Santa Fé. Depois era só avistar aContinuar lendo “Memórias de Algodão”

Carta ao tempo

Jesuana Sampaio – Uma amiga certa vez disse-me que tu és Deus. Vi sentido. Fiquei a pensar como eu poderia te imaginar. Às vezes te penso como um ranzinza que de tão amargurado tenta nos apressar para chegar até o caminho da morte. Às vezes te penso como jovem e inconsequente que quer viver aContinuar lendo “Carta ao tempo”

Há um messias entre nós?

Jesuana Sampaio – VAGABUNDA.Ele me insultou com seu perfil fake após um poema desses que exaltam o sentimento profundo de humanidade frente à dor do luto.BURRA.ele me chamou com seu fake pseudônimo destilador de ódio.Uma amiga sugeriu que eu deveria mandá-lo tomar no cú.Toma no seu cu!Seria uma boa alternativa, talvez.Eu passei o dia todoContinuar lendo “Há um messias entre nós?”

Eu terrorista

Jesuana Sampaio – A minha parte terroristapensava em uma bomba. Não sou tão boa assimque o mal não me habitee descompasse. A diferença é que pra issome falta coragem.A ideia cristã de pecado,de defesa da vidanão me deixa tirar a vidados que pouco se importamcom as nossasvidas. Eu terrorista,sem piedade,tacava fogo no mundo[no mundo deles].

Uma dor e uma voz coletiva

Jesuana Sampaio – Uma vez, no início da minha juventude, vivenciei uma situação abusiva ao terminar um relacionamento. Aquele rapaz, que se dizia meu companheiro, no auge da sua possessão e imaturidade ameaçou matar um amigo meu do qual ele tinha ciúmes, caso eu não voltasse para ele. Naquele momento, dentro de mim soou umContinuar lendo “Uma dor e uma voz coletiva”

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