Editorial

Aqui somos mulheres que decidiram se encontrar num ambiente virtual e fazer da escrita um laboratório. Um laboratório que se faz urgente e necessário no atual contexto de privação do contato humano, que será criado, sobretudo, para transbordar sonho, emoção e imaginação. A matéria-prima de tudo isto? As “escrevivências”, como conceituou nossa grande Conceição Evaristo.

O nome desse coletivo de mulheres, que se une por amor a escrita, faz uma alusão provocativa às obras “Sete contra Tebas” e a “Antígona” e exprime um desejo de romper com o modelo de sociedade desigual perpetuado.

No limite de nossas existências, nós, mulheres, persistimos numa luta infindável para garantir nossa sobrevivência física, intelectual e artística. Nesse jogo de encontros e desencontros, travaremos aqui uma batalha dentro de nossas atribuladas rotinas diárias para honrar nosso lugar de fala. Desse modo, nos organizaremos para que cada dia da semana uma de nós possa ser lida.

Seguimos numa busca por um registro autoral de nossas viagens, interiores e exteriores, rumo aos lugares que nos foram permitidos ocupar dentro desse sistema tão excludente que é a circulação e o acesso ao texto literário. Tebas nunca nos foi dada, nossa graça é invadi-la e conquistá-la.

Sem preocupações com tema ou gênero textuais, apenas atentas ao tempo que nos é descaradamente tomado, normalmente sem que percebamos, a proposta é que esses exercícios de escrita nos fortaleçam na busca por uma identidade de autoria e que inspirem outras mulheres a se engajarem no processo de produção literária.

Aonde esse experimento vai nos levar? Não imaginamos, nem nos preocupamos, porque o que queremos é conexão do eu com o outro. O diálogo e vínculo com o leitor real é o que mais nos interessa.

E nesses encontros e reencontros, o percurso é o que realmente marca, forja, une e identifica para além das linguagens e estilos histórias que se vão desnudando as vestes destas tebanas ávidas por empunhar a palavra como afiadas reflexões do ser no mundo, mas sobretudo sendo mulher nesse mundo da escrita.

Parece que a experiência não cabendo mais num corpo busca outros para alçar seu voo nas linhas das miçangas que por um não acaso nos tenha reunido.

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