Presente do tempo

por Ana Karina Manson Faz-me companhia aquele que nem conheço, aquele que está longe e só ouço a voz. Nesses dias de relações restritas me ajuda a respirar aquele que está distante e de alguma forma toca minha mão. Sinto seus dedos se distanciarem. A cada passo só ouço o som dos meus sapatos, masContinuar lendo “Presente do tempo”

Perdoai

Celane Tomaz – De tanto me pensar – quando há tempo – é que a culpa me acolhe nos braços e me aperta com suas potentes mãos. Encolho-me dentro dela como se compreendesse e aceitasse que ela nasceu comigo quando menina, mãe e mulher. Os fios desordenados do cabelo, a roupa velha e qualquer, asContinuar lendo “Perdoai”

Evoco as forças Sagradas

Jesuana Sampaio Eu evoco o retorno do matriarcado. Evoco a donzela, a mãe, a feiticeira, a anciã para fazer cair todo o domínio de dor das mãos do patriarcado. Evoco minhas irmãs de todas as gerações antes de mim através dos tempos e todas as que virão através dos tempos. Evoco as forças sagradas daContinuar lendo “Evoco as forças Sagradas”

Pavilhão de espelhos

Juliana da Paz Das imperfeições que tenho a maior é ser mais de uma. Olho-me no espelho e tenho vertigens. Vivo embriagada na sede das muitas que aqui residem.  Não há aguardente, licor ou cevada que cause maior efeito que o desejo que eu sinto de esculpir mais uma de mim no mundo. Dói, eContinuar lendo “Pavilhão de espelhos”

Liberdade de viver

Jesuana Sampaio Ilustração: Pennen de Castro (artista cearense) “libertar” era uma palavra imensa, cheia de mistérios e dores”           “A liberdade ofende.” Clarice Lispector Aqui estou eu.Está é minha alma. Vês?Meu corpo sutil levita Em uma frequência desconhecida por mim. Sentes? Essa sou eu. Um ser à procura de um encontro espiritual Entre seres, universos.SeContinuar lendo “Liberdade de viver”

É só uma menina, só

por Celane Tomaz dos olhos que nunca a viramescorre a lágrima– de uma também menina –que compreende o medo impronunciávelde sermulher. tantos são os pesosao carregar um úterotantas são as mortespor poder gerar vida. uma criança não é mãe!uma menina é uma menina!teu rosto preservado é reconhecidonas faces das outras mulheres. há rastro de sanguesobreContinuar lendo “É só uma menina, só”

O Sabor que tem o Sim

Jesuana Sampaio Eu quero gritar aos quatro ventos teu nome junto ao meu. Quero nossas mãos dadas na rua, na passarela de concreto feita para a tua liberdade. Eu quero preencher o teu dedo com meu compromisso e ver no teu riso o sabor que tem o sim. Eu quero afrontar o mundo a teuContinuar lendo “O Sabor que tem o Sim”

Elas-Nós

Ana Karina Manson Não me canso de admirar a imensidão dessas mulheres. Elas gestam, criam, recriam, inventam e reinventam e ainda vivem como mortais. Elas contra Tebas! Elas contra todos que deixam rastros de dor, de ódio, de racismo, de machismo, de abandono, de injustiça. Elas lutam com gritos que ecoam no grito da outraContinuar lendo “Elas-Nós”

Memorias de Infância : Vô Ermínio

  Eu ainda me lembro do cheio de lírio que a noite enluarada de verão da minha infância tinha, me lembro de risos e primos no quinta,  do quintal da casinha de telha e chão batido que a gente vivia.  Me lembro de todas as constelações de estrelas no céu infiro diante dos meus olhosContinuar lendo “Memorias de Infância : Vô Ermínio”

Pai?

por Celane Tomaz Era junho e os velhos dias cinzas de outono renovavam as folhas e desbotavam o tempo. Minha mãe, sempre tão doce e amável, aguardava por tantos dias – azuis, alaranjados e cinzas – a vinda da família para a semana de visitas. Era um daqueles domingos. Doídos. Meu pai, com seu porteContinuar lendo “Pai?”