Denúncia

Juliana da Paz- O pé de capim-cidreira cresceOlho sua impetuosidade em folhas finas, cheirosas e cortantes… Feito as línguas que denunciam.O medo do corteO medo massacreO medo da humilhação pública.E a impetuosidade de crescer não pode parar.A certeza de ser um molho de folhasDe nascer da mesma raizFemininaDe comer da mesma terraNão podemos ter medoContinuar lendo “Denúncia”

A Estação de trem

Acho que parei no tempo e não percebi  que o tempo não parou em mim,  as estações mudaram,  o trem partiu inúmeras e incontáveis vezes,  embarcações chegaram no cais as ondas morreram na praia, a lua mudou de fases, os planetas se alinharam em diferentes órbitas, até as linhas do destino das minhas mãos mudaram de direção. Por medoContinuar lendo “A Estação de trem”

Indefinida!

Jesuana Sampaio O que ganho sendo tão incerta? O que faz de mim campo germinado de dúvidas? Ser inexata me define tão intensamente que não cabe a mim reconhecer tal feito. A não ser pela única certeza, de que sou dúvida. Por isso, inexata, indefinida como ser. O que sou enquanto inconstância em efervescência? OContinuar lendo “Indefinida!”

Desta vez, vou deixar morrer o amor

            Espero por todo o tempo um cuidado que me acaricie. O vento o faz. Uma constância da busca pelo abraço que me aconchegue, encontro no sol. Suas vestes pelo chão não foram gastas comigo. Nossos olhos pouco se tocam, negros olhos que pouco se cruzam. Nunca mais eu me perdi em emaranhados de cabelos,Continuar lendo “Desta vez, vou deixar morrer o amor”

Damiana

-Mara Esteves Damiana era exímia em roubar frutas do pé.  Pulava muros, cercas e trepava em galhos finos. Enfrentava sem medo todos os obstáculos em sua frente, mesmo que para isso fosse preciso fazer malabares no ponto mais alto da copa de uma árvore, se equilibrando e segurando com uma mão um dos galhos paraContinuar lendo “Damiana”

Gestar

Depois que um corpo comporta outro corpo, nenhum coração suporta o pouco. Alice Ruiz por Celane Tomaz Gerar é entrar em contato com a vida da forma mais crua e humana. O corpo dá forma a outro corpo – tão potente e presente, com a força e a ousadia de estar neste mundo. O corpoContinuar lendo “Gestar”

Somos nós que embucetamos o mundo

Por Jesuana Sampaio Quem sabe do tanto de mundo que carregaUma história,Uma vida,Um ventre,Uma vagina,Um corpo,Um ser? Quem sabe da dor, do sentirDessa história,Dessa vida,Desse ventre,Dessa vagina,Desse corpo, Desse ser? Quem sabe de todas as violênciasNessa história,Nessa vida,Nesse ventre,Nessa vagina,Nesse corpo,Nesse ser? Quem sabe a força do grito?Quem grita?Quem escuta?Grito é só o ranger deContinuar lendo “Somos nós que embucetamos o mundo”

Quando o amor acaba

De braços abertos  como quem recebe o mundo, me preguei numa cruz e fui flagelada feito Jesus , que morreu por amor aos que nunca  o teve amor, perdoou quem nunca mereceu e nem pediu seu perdão, escrito nas profecias das profundezas do teus olhos,  Judas que és, fui traída com o beijo mais doceContinuar lendo “Quando o amor acaba”

Armadura

-Mara Esteves Caminhava estampando em seu rosto, o maior sorriso que podia existir. Seu sorriso flecha, armadura e acalanto, que apesar de guardar um bocado de dores e desamores, reluzia riso farto de alegria. Iluminava até quem mais nublado caminhava pela vida. Os mais tolos, ofuscavam as vistas e faziam seus julgamentos: condenando que suaContinuar lendo “Armadura”

CHAMA

– Por Juliana da Paz Eu quero falar!Sobre o que eu quiser!Eu sou fala!Que penetra seu falo,que gesta no úteroo que precisar!Eu vou falar!Minha voz forte,fina raiz,vai ecoar,vai incendiarsua tentativa de me calarEu vou falar!Sobre o que eu quiser,com minha boca,batom vermelho,com meus dentes,você vermelho,com meu corpo,meu espelho,vou falar com paladar de arriba saia,se nãoContinuar lendo “CHAMA”

Do fundo de um quintal de várzea

– Mara Esteves São Paulo – Zona Sul.  Utopicamente em isolamento. 2020. Mês 10. Ano 4. Uma rosa vermelha abre-se em flor. Colore o cenário cinza e resiste em meio a outras espécies que padecem. A vida insiste em brotar em meio ao caos. As representantes resilientes da beleza,  nutrem formas de esperançar vida emContinuar lendo “Do fundo de um quintal de várzea”

Capitão do Mato

Quando o cordão se rebentou  No solo são simplicidade  Nasceu o amor  Barro pó, Sertão  Bahia, Minas Gerais  Lendas de uma terra Antiga  Que nem existe mais  Perna de pau  Capitão do mato  Não joga mais capoeira  Na ribeira  Hoje brinca no asfalto  Capitão de arei  Curumim do mato  Cabocla serei  Miguilim descalço  È comoContinuar lendo “Capitão do Mato”

Prece

À infância, à pequenez, à vida recém-sentida por Celane Tomaz À vida, devolva-me a infânciaos lábios melados de doce favoritoa face rosada do dia de solo medo vão do abandono e do escuroa inalcançável noção do que era a morteo não saber contar o tempo. dai-me os meus primeiros anoso cansaço dos pulos e dasContinuar lendo “Prece”

Ruar

Jesuana Sampaio Por eu ser terra não queira me ver com raízes fincadas em um único solo Minhas raízes já se espalharam. O mundo é minha casa. Já estou na copa de minha árvore Sendo levada pelo vento Para outras pairagens. sou terra e sonho acarinhar todos os solos sem fronteiras, sem arames nem farpas.Continuar lendo “Ruar”