Depois da chuva

Ana Karina Manson Hoje estou assim Esse tempo parado Sem sol, sem chuva, sem vento Sem Dia de silêncio, nem a TV  Pra fingir a pseudo presença  De todo dia Vizinhos mexendo concreto Será mais um muro? Já nem somos vizinhos Humanos estranhos Alguma coisa se foi com a tempestade Que nem vi Agora sóContinuar lendo “Depois da chuva”

Fragmentário viver

Por Juliana da Paz Tenho vivido a poesia em mim, no mundo e nas ideias. Muitas ideias. O cansaço dos dias, mesmo este, tem sido um bálsamo de humanidade no dia-adia que se passa. Cenas figuram e inesperados se precipitam em minha corrida contra o tempo, sem-dinheiro, indecisão, congestionamento, Mãe, insônia, amor-cadê-você?, desculpa, que alegria,Continuar lendo “Fragmentário viver”

Tradição do transgredir

Por Raíssa Padial Corso. Quanto mais machadadas em paradigmas eu puder dar:Serei.Quanto mais possibilidades de mergulhar nesse corpo/pensante/ andante e peregrino.Afogarei.Primordialmente meus dogmas, para após, reinar em mim.Neste justo espaço que me sou, neste meandro do existir.O mundo é muito estreito para mulheres como eu.Houve um tempo em que eu era mecânica de gaiolas, láContinuar lendo “Tradição do transgredir”

São Paulo: cinza chumbo

São Paulo, cidade cinza chumbo. A lembrança do arco-íris do dia anterior, breve miragem. A esperança que não cabe nas urnas, não cega os olhos, nem tapa a boca ou os ouvidos, grita e traz consigo, memória de dor e luta. Cidade com nome de santo: São Paulo. Que enaltece o extermínio de sua populaçãoContinuar lendo “São Paulo: cinza chumbo”

Chamado às inteirezas

Por Jesuana Sampaio Te peço, ama as minhas sombras. Ama as minhas sombras porque as minhas luzes muitos hão de amar. Te peço, ama as minhas fraquezas. Ama as minhas fraquezas, meu mau-humor matinal e minha preguiça de acordar cedo, às vezes. Te peço, ama a minha solitude. Ama a minha solitude e a minhaContinuar lendo “Chamado às inteirezas”

AQUÁRIO

Por Juliana da Paz Nas profundezas marítimas havia uma linda sereia apavorante. Conquistava todos os pescadores, atraindo-os para a morte. Um dia encontrou a beleza de sua alma perdida no vasto mar de seu coração quando conhece Mob, o tubarão mais carrancudo, nascido no mar aberto, que vem disputar com ela a carne dos pescadoresContinuar lendo “AQUÁRIO”

Cápsulas de serenos

Por Raíssa Padial Corso Mesmo diante da clareira, um suspiro, dois suspiros. Mesmo caindo pelas tampas em qualquer botequeira campo limpense. Mesmo assinalando com devoção todos os textos, para formarem -se referências dentro da própria retina. A resposta ainda era Não. Mesmo assaltando sempre o próximo minuto, o próximo acerto, concordando com a cabeça queContinuar lendo “Cápsulas de serenos”

Terra longe

-Mara Esteves Alumiou no céuLua cheia rodeada de estrelasdas mais brilhantes já vistasiluminando igual Candeeiro Semi-deuses e seus sonhos solitários. Fagulhas queimam e desaparecemnum piscar de olhosgotículas de orvalho que escorrem das folhasna primeira hora do diadesejosas de encontrar o mar. O olhar mira horizontesque não estão ao alcance,janela aberta para esperançar. O obituário naContinuar lendo “Terra longe”

Ela

por Ana Karina Manson Quando ela abriu o portão uma avalanche de passado, de histórias e saudades surgiu. Uma senhorinha com seus 98 anos trazia consigo tanto de si e de tantos, que o coração palpitou e os olhos marejaram. Eu e ele voltamos ao “tempo da delicadeza”. Éramos tão puros e felizes quando ouvíamosContinuar lendo “Ela”

Lugar de mulher preta é no poder

Uma mulher que amanhecia antes do nascer do sol. E adormecia, quando a lua iluminava no meio do céu. Durante o dia, dividia-se, ou melhor multiplicava-se para dar conta dos diversos afazeres no salão de beleza e a rotina cotidiana de uma mãe solo. Não tinha tempo para garantir para si, os mesmos cuidados queContinuar lendo “Lugar de mulher preta é no poder”

Poeira Estelar

Em qualquer noite dessas  quando debruçar em sua varanda e olhar o céu estralado se ainda lhe couber espaço o brilho que vê de poeira  estelar possa te levar alguma recordação minha, e no breu da noite que o vento te sopre os versos que escrevíamos,  e ficaram perdidos nas batidas descompassadas do tempo. Eu não sei emContinuar lendo “Poeira Estelar”

Peso

Jesuana Sampaio Hoje pesou. Pesou ser mulher, periférica e sozinha. Pesou andar na rua sozinha tarde da noite. Medo, violência, solidão. Pesa ter sempre que enfrentar o mundo pra ele não me engolir. Ser sempre forte, pesa. Hoje eu me permito ser fraca mas só depois de estar segura em minha casa. Amanhã, amanhã sereiContinuar lendo “Peso”

Denúncia

Juliana da Paz- O pé de capim-cidreira cresceOlho sua impetuosidade em folhas finas, cheirosas e cortantes… Feito as línguas que denunciam.O medo do corteO medo massacreO medo da humilhação pública.E a impetuosidade de crescer não pode parar.A certeza de ser um molho de folhasDe nascer da mesma raizFemininaDe comer da mesma terraNão podemos ter medoContinuar lendo “Denúncia”

A Estação de trem

Acho que parei no tempo e não percebi  que o tempo não parou em mim,  as estações mudaram,  o trem partiu inúmeras e incontáveis vezes,  embarcações chegaram no cais as ondas morreram na praia, a lua mudou de fases, os planetas se alinharam em diferentes órbitas, até as linhas do destino das minhas mãos mudaram de direção. Por medoContinuar lendo “A Estação de trem”