Chamado às inteirezas

Por Jesuana Sampaio Te peço, ama as minhas sombras. Ama as minhas sombras porque as minhas luzes muitos hão de amar. Te peço, ama as minhas fraquezas. Ama as minhas fraquezas, meu mau-humor matinal e minha preguiça de acordar cedo, às vezes. Te peço, ama a minha solitude. Ama a minha solitude e a minhaContinuar lendo “Chamado às inteirezas”

AQUÁRIO

Por Juliana da Paz Nas profundezas marítimas havia uma linda sereia apavorante. Conquistava todos os pescadores, atraindo-os para a morte. Um dia encontrou a beleza de sua alma perdida no vasto mar de seu coração quando conhece Mob, o tubarão mais carrancudo, nascido no mar aberto, que vem disputar com ela a carne dos pescadoresContinuar lendo “AQUÁRIO”

Cápsulas de serenos

Por Raíssa Padial Corso Mesmo diante da clareira, um suspiro, dois suspiros. Mesmo caindo pelas tampas em qualquer botequeira campo limpense. Mesmo assinalando com devoção todos os textos, para formarem -se referências dentro da própria retina. A resposta ainda era Não. Mesmo assaltando sempre o próximo minuto, o próximo acerto, concordando com a cabeça queContinuar lendo “Cápsulas de serenos”

Terra longe

-Mara Esteves Alumiou no céuLua cheia rodeada de estrelasdas mais brilhantes já vistasiluminando igual Candeeiro Semi-deuses e seus sonhos solitários. Fagulhas queimam e desaparecemnum piscar de olhosgotículas de orvalho que escorrem das folhasna primeira hora do diadesejosas de encontrar o mar. O olhar mira horizontesque não estão ao alcance,janela aberta para esperançar. O obituário naContinuar lendo “Terra longe”

Ela

por Ana Karina Manson Quando ela abriu o portão uma avalanche de passado, de histórias e saudades surgiu. Uma senhorinha com seus 98 anos trazia consigo tanto de si e de tantos, que o coração palpitou e os olhos marejaram. Eu e ele voltamos ao “tempo da delicadeza”. Éramos tão puros e felizes quando ouvíamosContinuar lendo “Ela”

Lugar de mulher preta é no poder

Uma mulher que amanhecia antes do nascer do sol. E adormecia, quando a lua iluminava no meio do céu. Durante o dia, dividia-se, ou melhor multiplicava-se para dar conta dos diversos afazeres no salão de beleza e a rotina cotidiana de uma mãe solo. Não tinha tempo para garantir para si, os mesmos cuidados queContinuar lendo “Lugar de mulher preta é no poder”

Poeira Estelar

Em qualquer noite dessas  quando debruçar em sua varanda e olhar o céu estralado se ainda lhe couber espaço o brilho que vê de poeira  estelar possa te levar alguma recordação minha, e no breu da noite que o vento te sopre os versos que escrevíamos,  e ficaram perdidos nas batidas descompassadas do tempo. Eu não sei emContinuar lendo “Poeira Estelar”

Peso

Jesuana Sampaio Hoje pesou. Pesou ser mulher, periférica e sozinha. Pesou andar na rua sozinha tarde da noite. Medo, violência, solidão. Pesa ter sempre que enfrentar o mundo pra ele não me engolir. Ser sempre forte, pesa. Hoje eu me permito ser fraca mas só depois de estar segura em minha casa. Amanhã, amanhã sereiContinuar lendo “Peso”

Denúncia

Juliana da Paz- O pé de capim-cidreira cresceOlho sua impetuosidade em folhas finas, cheirosas e cortantes… Feito as línguas que denunciam.O medo do corteO medo massacreO medo da humilhação pública.E a impetuosidade de crescer não pode parar.A certeza de ser um molho de folhasDe nascer da mesma raizFemininaDe comer da mesma terraNão podemos ter medoContinuar lendo “Denúncia”

A Estação de trem

Acho que parei no tempo e não percebi  que o tempo não parou em mim,  as estações mudaram,  o trem partiu inúmeras e incontáveis vezes,  embarcações chegaram no cais as ondas morreram na praia, a lua mudou de fases, os planetas se alinharam em diferentes órbitas, até as linhas do destino das minhas mãos mudaram de direção. Por medoContinuar lendo “A Estação de trem”

Indefinida!

Jesuana Sampaio O que ganho sendo tão incerta? O que faz de mim campo germinado de dúvidas? Ser inexata me define tão intensamente que não cabe a mim reconhecer tal feito. A não ser pela única certeza, de que sou dúvida. Por isso, inexata, indefinida como ser. O que sou enquanto inconstância em efervescência? OContinuar lendo “Indefinida!”

Desta vez, vou deixar morrer o amor

            Espero por todo o tempo um cuidado que me acaricie. O vento o faz. Uma constância da busca pelo abraço que me aconchegue, encontro no sol. Suas vestes pelo chão não foram gastas comigo. Nossos olhos pouco se tocam, negros olhos que pouco se cruzam. Nunca mais eu me perdi em emaranhados de cabelos,Continuar lendo “Desta vez, vou deixar morrer o amor”

Damiana

-Mara Esteves Damiana era exímia em roubar frutas do pé.  Pulava muros, cercas e trepava em galhos finos. Enfrentava sem medo todos os obstáculos em sua frente, mesmo que para isso fosse preciso fazer malabares no ponto mais alto da copa de uma árvore, se equilibrando e segurando com uma mão um dos galhos paraContinuar lendo “Damiana”