Subida dos ossos

Por Raíssa Padial Corso O lenço acolhe minhas pernas do chão lamacento, o lenço acolhe a formiga do possível sereno, os primeiros grãos da terra acolhem uma sementinha que plantei ontem, telúricos ciscos abrigam minhocas, mais adentro um mundo subterrâneo de túneis formigosos. Mais adentro, veios d ´aguas, correntezas, minérios, chumbos, mercúrios, alentos de guardaContinuar lendo “Subida dos ossos”

Anti-romântica

Por Raíssa Padial Corso Não pretendo ao amor romântico. Não o quero, não o aguento como venda na face, não o anteno com o seu julgar de fatos, o amor romântico rompeu as pernas de Tereza, a fez voltar a boiar nas águas. Ele me embriaga de roteiros, intensas utopias, patronalismos, mar- idos, vindos, dicotomias,Continuar lendo “Anti-romântica”

Sins

-Por Raíssa Padial Corso Com todo respeito as singularidades, aceite os presentes e caminhe vendada na linha de cetim. Mirar olhos. Fitar moradas possíveis, em interiores nunca antes imaginados. Há monstros e abismos do outro lado da montanha, mas saber que assim é abranda o coração. Faz morada em mim diversos pés de manga, façoContinuar lendo “Sins”

Para um novo Brasil

-Mara Esteves Agua de chuva para abençoar um Brasil de todes, mátria amada, colo de mãe que acolhe os Brasis, em descanso protegido, e não mortos pelos fuzis empunhados pelo Estado, carregados de munição ou omissão, estratégias para um mesmo objetivo: matar suas gentes diversas. E a elite brasileira, essa pequena nefasta, composta por poucosContinuar lendo “Para um novo Brasil”

Todos os dias um Jesus nasce nas periferias

Por Jesuana Sampaio “Gosto de pensar o natal como um ato de subversão, um menino pobre, uma mãe solteira, um pai adotivo…” Dom Helder Câmara Todos os dias um bem-te-vi desconhecido me dá bom dia… Todos os dias um Jesus nasce nas periferias, Empobrecido por um sistema opressor E desigual. Filho de mãe solteira, SemContinuar lendo “Todos os dias um Jesus nasce nas periferias”

Meu corpo!!!!

por Ana Karina Manson Ela tinha 9 anos quando um amigo do pai disse: — Está crescendo, vou te esperar para casar com você. Era uma brincadeira, que o pai respondeu dizendo que tinha uma espingarda e outras coisas que se acostumou a dizer, ele e os outros tantos homens na sociedade que enxergavam oContinuar lendo “Meu corpo!!!!”

Estrela de Belém

Raíssa Padial Corso “Os lábios da sabedoria estão fechados, exceto aos ouvidos do entendimento.” – O Caibalion. Através da profunda observação da natureza, através do inenarrável inseto que nasce, através da estrela polar, no mistério na luz de Gabriel, com a percepção aguçada assim como no chá, no recôndito mais escondido da alma, no frioContinuar lendo “Estrela de Belém”

Primeiro de outubro

Elisa Dias- Menino Bonito dos óio cor de matoDeixa eu morar no seu abraçoDeixa eu te contar, do meu cansaço Atalhos e ruas que pegueiComo cheguei eu já não seiMais pairei na tua canção Vem fazer um dueto comigoVem ser o meu melhor amigoTe contar os meus segredosOs meus mais milhões de medos… Logo EuContinuar lendo “Primeiro de outubro”

Sala de Espera

–Mara Esteves “Ame o próximo como a ti mesmo” Mas quando é a minha vez? Se antes de me amar Há de cuidar da roupa para lavar, comida para preparar, Cuidar dos filhos, dos pais, do marido, da casa, do trabalho e de qualquer outra coisa que sempre grita mais urgência, movimento reverso das prioridadesContinuar lendo “Sala de Espera”

Forasteiro

Estávamos frente a frente , eu titubeava as palavras fazia rodeios na tentativa  de camuflar a minha aflição, meus anseios  e receios , com meus sentidos paralisados e meus instintos  famintos da fome do homem, salivava ao lembrar o gosto da sua saliva, entre palavras e risos eu  criava um monólogo com falas  decoradas, acontece que ele me revirava  do avesso  deContinuar lendo “Forasteiro”

Depois da chuva

Ana Karina Manson Hoje estou assim Esse tempo parado Sem sol, sem chuva, sem vento Sem Dia de silêncio, nem a TV  Pra fingir a pseudo presença  De todo dia Vizinhos mexendo concreto Será mais um muro? Já nem somos vizinhos Humanos estranhos Alguma coisa se foi com a tempestade Que nem vi Agora sóContinuar lendo “Depois da chuva”

Fragmentário viver

Por Juliana da Paz Tenho vivido a poesia em mim, no mundo e nas ideias. Muitas ideias. O cansaço dos dias, mesmo este, tem sido um bálsamo de humanidade no dia-adia que se passa. Cenas figuram e inesperados se precipitam em minha corrida contra o tempo, sem-dinheiro, indecisão, congestionamento, Mãe, insônia, amor-cadê-você?, desculpa, que alegria,Continuar lendo “Fragmentário viver”

Tradição do transgredir

Por Raíssa Padial Corso. Quanto mais machadadas em paradigmas eu puder dar:Serei.Quanto mais possibilidades de mergulhar nesse corpo/pensante/ andante e peregrino.Afogarei.Primordialmente meus dogmas, para após, reinar em mim.Neste justo espaço que me sou, neste meandro do existir.O mundo é muito estreito para mulheres como eu.Houve um tempo em que eu era mecânica de gaiolas, láContinuar lendo “Tradição do transgredir”

São Paulo: cinza chumbo

São Paulo, cidade cinza chumbo. A lembrança do arco-íris do dia anterior, breve miragem. A esperança que não cabe nas urnas, não cega os olhos, nem tapa a boca ou os ouvidos, grita e traz consigo, memória de dor e luta. Cidade com nome de santo: São Paulo. Que enaltece o extermínio de sua populaçãoContinuar lendo “São Paulo: cinza chumbo”