Move-te em ti

“tu podes ir e ainda que se mova o trem, tu não te moves de ti.”H.H. se eu pudesse ser pássarobastar a asa para seralcançar o mundo, apesar de miúdolivre, apesar de frágildançar na terrarodopiar no céuser pássarode canto cobiçado no silêncioaos ouvidos atentos e sensíveisao canto do meu cantoritmado de (a)manhã. se eu pudesseContinuar lendo “Move-te em ti”

Lua minguante no mar!

Por Juliana da Paz O juízo se espalha pelo mundo Expande-se no horizonte Onde já não lhe enxergo Não o mesmo Ando cheia de marcas Cicatrizes que me enfeitam Cabelos que não lhe lambem mais Pernas que já correm em apressar a própria vida Roupas de águas tranquilas Já distantes do seu ar Uma outraContinuar lendo “Lua minguante no mar!”

PITAIA PÍTON

~pOr RaÍssA PaDial CoRSo Para Laura Jasmim e Déa Trancoso, mulheres oraculares. Pitaia minha Píton. Pitaia minha Píton. Rosa rubra flor nascente, desencandeia essa serpente, no sabor de massala, cabe peito, cabe cabalah, vida as vezes nem visita, exita, parasita, mas o rosáceo desse canto celebrou dentro de mim. Canta doce dama esse frescor, mostraContinuar lendo “PITAIA PÍTON”

DESFIGURADO

Texto publicado originalmente em 31 de outubro de 2020 Celane Tomaz- Busquei a luz e o amor.Humana, atentaComo quem busca a boca nos confins da sede.Recaminhei as nossas construções, tijolosPás, a areia dos diasE tudo que encontrei te digo agora:Um outro alguém sem cara. Tosco. Cego.O arquiteto dessas armadilhas.” Hilda Hilst por Celane Tomaz EuContinuar lendo “DESFIGURADO”

Subida dos ossos

Por Raíssa Padial Corso O lenço acolhe minhas pernas do chão lamacento, o lenço acolhe a formiga do possível sereno, os primeiros grãos da terra acolhem uma sementinha que plantei ontem, telúricos ciscos abrigam minhocas, mais adentro um mundo subterrâneo de túneis formigosos. Mais adentro, veios d ´aguas, correntezas, minérios, chumbos, mercúrios, alentos de guardaContinuar lendo “Subida dos ossos”

Anti-romântica

Por Raíssa Padial Corso Não pretendo ao amor romântico. Não o quero, não o aguento como venda na face, não o anteno com o seu julgar de fatos, o amor romântico rompeu as pernas de Tereza, a fez voltar a boiar nas águas. Ele me embriaga de roteiros, intensas utopias, patronalismos, mar- idos, vindos, dicotomias,Continuar lendo “Anti-romântica”

Sins

-Por Raíssa Padial Corso Com todo respeito as singularidades, aceite os presentes e caminhe vendada na linha de cetim. Mirar olhos. Fitar moradas possíveis, em interiores nunca antes imaginados. Há monstros e abismos do outro lado da montanha, mas saber que assim é abranda o coração. Faz morada em mim diversos pés de manga, façoContinuar lendo “Sins”

Para um novo Brasil

-Mara Esteves Agua de chuva para abençoar um Brasil de todes, mátria amada, colo de mãe que acolhe os Brasis, em descanso protegido, e não mortos pelos fuzis empunhados pelo Estado, carregados de munição ou omissão, estratégias para um mesmo objetivo: matar suas gentes diversas. E a elite brasileira, essa pequena nefasta, composta por poucosContinuar lendo “Para um novo Brasil”

Todos os dias um Jesus nasce nas periferias

Por Jesuana Sampaio “Gosto de pensar o natal como um ato de subversão, um menino pobre, uma mãe solteira, um pai adotivo…” Dom Helder Câmara Todos os dias um bem-te-vi desconhecido me dá bom dia… Todos os dias um Jesus nasce nas periferias, Empobrecido por um sistema opressor E desigual. Filho de mãe solteira, SemContinuar lendo “Todos os dias um Jesus nasce nas periferias”

Meu corpo!!!!

por Ana Karina Manson Ela tinha 9 anos quando um amigo do pai disse: — Está crescendo, vou te esperar para casar com você. Era uma brincadeira, que o pai respondeu dizendo que tinha uma espingarda e outras coisas que se acostumou a dizer, ele e os outros tantos homens na sociedade que enxergavam oContinuar lendo “Meu corpo!!!!”

Estrela de Belém

Raíssa Padial Corso “Os lábios da sabedoria estão fechados, exceto aos ouvidos do entendimento.” – O Caibalion. Através da profunda observação da natureza, através do inenarrável inseto que nasce, através da estrela polar, no mistério na luz de Gabriel, com a percepção aguçada assim como no chá, no recôndito mais escondido da alma, no frioContinuar lendo “Estrela de Belém”

Primeiro de outubro

Elisa Dias- Menino Bonito dos óio cor de matoDeixa eu morar no seu abraçoDeixa eu te contar, do meu cansaço Atalhos e ruas que pegueiComo cheguei eu já não seiMais pairei na tua canção Vem fazer um dueto comigoVem ser o meu melhor amigoTe contar os meus segredosOs meus mais milhões de medos… Logo EuContinuar lendo “Primeiro de outubro”

Sala de Espera

–Mara Esteves “Ame o próximo como a ti mesmo” Mas quando é a minha vez? Se antes de me amar Há de cuidar da roupa para lavar, comida para preparar, Cuidar dos filhos, dos pais, do marido, da casa, do trabalho e de qualquer outra coisa que sempre grita mais urgência, movimento reverso das prioridadesContinuar lendo “Sala de Espera”

Forasteiro

Estávamos frente a frente , eu titubeava as palavras fazia rodeios na tentativa  de camuflar a minha aflição, meus anseios  e receios , com meus sentidos paralisados e meus instintos  famintos da fome do homem, salivava ao lembrar o gosto da sua saliva, entre palavras e risos eu  criava um monólogo com falas  decoradas, acontece que ele me revirava  do avesso  deContinuar lendo “Forasteiro”