CAMINHANTE

Texto originalmente publicado em 21 de setembro de 2020. Mara Esteves- Se eu pudesse subverter o mundo,  juntaria as placas tectônicas novamente e atravessaria fronteiras em liberdade,  deixando que o desejo seja força motriz para o meu caminhar ao seu encontro. Se eu pudesse inverter a lógica, a ordem do dia a dia a lutarContinuar lendo “CAMINHANTE”

MULHER SÁBIA

Texto publicado originalmente em 26 de junho de 2020 Jesuana Sampaio- Tenho memórias de mim tão bonitas que superam todas as que foram dolorosas. Deve ser teimosia cearense. Estes dias estava lembrando que mais ou menos com 17 anos eu dizia que era bruxa e sabia mover os ventos. Eu não entendia porque entre tantosContinuar lendo “MULHER SÁBIA”

Para um novo Brasil

-Mara Esteves Agua de chuva para abençoar um Brasil de todes, mátria amada, colo de mãe que acolhe os Brasis, em descanso protegido, e não mortos pelos fuzis empunhados pelo Estado, carregados de munição ou omissão, estratégias para um mesmo objetivo: matar suas gentes diversas. E a elite brasileira, essa pequena nefasta, composta por poucosContinuar lendo “Para um novo Brasil”

Poeticamente selvagem

“apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo:come às vezes na minha mão.” Clarice Lispector, em Perto do coração selvagem por Celane Tomaz tantas tardes deformadas em ventaniae há um cheiro de chuva que se insinua. nesta terra,sinto-me muda de planta carnívoraa morrer-nascer entre espinhos.sinto-me raiz expostadispostaContinuar lendo “Poeticamente selvagem”

Elas

– Mara Esteves Ela, que depende somente de si e de outras como ela, para acreditar em um horizonte que caiba seus sonhos. Ela, que cria jeitos para se proteger de um mundo, que insiste em dizer que seu futuro já esta marcado no patriarcado: o lugar de silêncio e resignação: mãe, esposa e filhaContinuar lendo “Elas”

Levanta Preta!

Thata Alves- Levanta PretaLevanta a cabeçaPorque não dá tempo pra lamentarEnquanto chora as chagas do coraçãoHá os meninos querendo sair pelo portão,e a roupa pra lavarA roupa tá lavada e precisa ser estendidae depois de estendidaTira pra chuva não molharA chuva de OxaláVemDeixa elas também seu corpo tocarLevanta a cabeça pretaPorque o turbante fica melhorenaltecidoEContinuar lendo “Levanta Preta!”

Sala de Espera

–Mara Esteves “Ame o próximo como a ti mesmo” Mas quando é a minha vez? Se antes de me amar Há de cuidar da roupa para lavar, comida para preparar, Cuidar dos filhos, dos pais, do marido, da casa, do trabalho e de qualquer outra coisa que sempre grita mais urgência, movimento reverso das prioridadesContinuar lendo “Sala de Espera”

A noite espia

por Celane Tomaz ouça meus olhos.bebo desta meia luz disforme encobrindo teu rosto, dando forma tua facena minha. pausas burburinhos acomodadas nas luas de sempre. dividimos o cálice da transparência que nos esconde. há tanto vermelho envolvido, vivo por todos os lados. acaricio todos os teus emaranhados – da tua barba salgada à tua almaContinuar lendo “A noite espia”

Janelas

Por Jesuana Sampaio Caminham no teu rosto bonito os meus dedos na tentativa de gravar nas minhas digitais teus desejos. Encosto o meu terceiro olho no teu e a lua nos confidencia que está cheia em gêmeos. As janelas das nossas almas, abertas. Tanto encanto, tanto! Tanto que o balançador da praça foi nosso confidente,Continuar lendo “Janelas”

Depois da chuva

Ana Karina Manson Hoje estou assim Esse tempo parado Sem sol, sem chuva, sem vento Sem Dia de silêncio, nem a TV  Pra fingir a pseudo presença  De todo dia Vizinhos mexendo concreto Será mais um muro? Já nem somos vizinhos Humanos estranhos Alguma coisa se foi com a tempestade Que nem vi Agora sóContinuar lendo “Depois da chuva”

Fragmentário viver

Por Juliana da Paz Tenho vivido a poesia em mim, no mundo e nas ideias. Muitas ideias. O cansaço dos dias, mesmo este, tem sido um bálsamo de humanidade no dia-adia que se passa. Cenas figuram e inesperados se precipitam em minha corrida contra o tempo, sem-dinheiro, indecisão, congestionamento, Mãe, insônia, amor-cadê-você?, desculpa, que alegria,Continuar lendo “Fragmentário viver”

São Paulo: cinza chumbo

São Paulo, cidade cinza chumbo. A lembrança do arco-íris do dia anterior, breve miragem. A esperança que não cabe nas urnas, não cega os olhos, nem tapa a boca ou os ouvidos, grita e traz consigo, memória de dor e luta. Cidade com nome de santo: São Paulo. Que enaltece o extermínio de sua populaçãoContinuar lendo “São Paulo: cinza chumbo”