INTIMIDADE

 Elizabete Alves de Oliveira– Aceitei teu abraço quente e longo. Como criança pedi mais. Aceitei teu beijo molhado e calmo. Como o mar em noite de lua crescente Que beija areia E por ela, quase se deixa sufocar. Tua pele roçando a minha, com intimidade própria, De folha ao vento De perfume e flor DeContinuar lendo “INTIMIDADE”

Mãe Yemanjá canta para as filhas do mar

Arlete Mendes- Filha minha ainda indecisa, Pegue todas tuas dúvidas, pinte novo destino em tintas. Filha preta de pela clara, Pegue todas tuas mágoas Enfeite o corpo das águas. Filha preta de pele retinta, Teça com teus fios tesos A rede inédita da palavra. Filhas-espelhos de onde miro a beleza escondida do mundo, Dei aContinuar lendo “Mãe Yemanjá canta para as filhas do mar”

Mesmo quando não consigo ouvir

Jesuana Sampaio A minha boca é capaz de dizer adeus mesmo que meu corpo demore a não desejar mais a sua pele e o meu cotidiano a entender a tua ausência. Parte de mim só espera viver bons momentos mesmo que a fórmula para isso ainda esteja se construindo. Algo em mim ainda divaga sobreContinuar lendo “Mesmo quando não consigo ouvir”

DESFIGURADO

Texto publicado originalmente em 31 de outubro de 2020 Celane Tomaz- Busquei a luz e o amor.Humana, atentaComo quem busca a boca nos confins da sede.Recaminhei as nossas construções, tijolosPás, a areia dos diasE tudo que encontrei te digo agora:Um outro alguém sem cara. Tosco. Cego.O arquiteto dessas armadilhas.” Hilda Hilst por Celane Tomaz EuContinuar lendo “DESFIGURADO”

CHAMADO

Texto originalmente publicado em 01 de novembro de 2020 Sílvia Tavares– Me veio primeiro fogoMinha pele colorida na ruaTrazendo cachoeira pro asfaltoBotando-me mar nos olhos Me veio depois desertoTravessia para não sei ondeE o som do vento, do ventoAté que as perguntas calassem Me veio então moradaTantinho de saúde, descanso na loucuraMorros, bugios, leite entornado no tachoCéuContinuar lendo “CHAMADO”

JANELAS

Texto publicado originalmente em 04 de dezembro de 2020 Jesuana Sampaio- Caminham no teu rosto bonito os meus dedos na tentativa de gravar nas minhas digitais teus desejos. Encosto o meu terceiro olho no teu e a lua nos confidencia que está cheia em gêmeos. As janelas das nossas almas, abertas. Tanto encanto, tanto! TantoContinuar lendo “JANELAS”

PARIR-SE

Texto publicado originalmente em 12 de julho de 2020 Ana Karina Manson– Dói parir No cortar cebola com ligeireza Sob a luz do abajur nossa conversa Nas palavras com tanta firmeza Na vida que passa depressa. Dói parir Todo dia o filho novo Que se renova em gestos E ao seu encontro me movo EContinuar lendo “PARIR-SE”

CAMINHANTE

Texto originalmente publicado em 21 de setembro de 2020. Mara Esteves- Se eu pudesse subverter o mundo,  juntaria as placas tectônicas novamente e atravessaria fronteiras em liberdade,  deixando que o desejo seja força motriz para o meu caminhar ao seu encontro. Se eu pudesse inverter a lógica, a ordem do dia a dia a lutarContinuar lendo “CAMINHANTE”

MULHER SÁBIA

Texto publicado originalmente em 26 de junho de 2020 Jesuana Sampaio- Tenho memórias de mim tão bonitas que superam todas as que foram dolorosas. Deve ser teimosia cearense. Estes dias estava lembrando que mais ou menos com 17 anos eu dizia que era bruxa e sabia mover os ventos. Eu não entendia porque entre tantosContinuar lendo “MULHER SÁBIA”

Para um novo Brasil

-Mara Esteves Agua de chuva para abençoar um Brasil de todes, mátria amada, colo de mãe que acolhe os Brasis, em descanso protegido, e não mortos pelos fuzis empunhados pelo Estado, carregados de munição ou omissão, estratégias para um mesmo objetivo: matar suas gentes diversas. E a elite brasileira, essa pequena nefasta, composta por poucosContinuar lendo “Para um novo Brasil”

Poeticamente selvagem

“apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo:come às vezes na minha mão.” Clarice Lispector, em Perto do coração selvagem por Celane Tomaz tantas tardes deformadas em ventaniae há um cheiro de chuva que se insinua. nesta terra,sinto-me muda de planta carnívoraa morrer-nascer entre espinhos.sinto-me raiz expostadispostaContinuar lendo “Poeticamente selvagem”