De dentro de mim

por Ana Karina Manson De dentro de mim grito, seco, vazio, silêncio. Me vejo de tão longe que não me alcanço. Estico o braço, As mãos, Em piedade. Nada. Não me ouço, não me vejo Nem sou. Busco em vão o que se perdeu Onde? Quando? Sem resposta… Encolho-me, pequena, inerte Palpita, dispara o coraçãoContinuar lendo “De dentro de mim”

Mulher Gombô…

Anabela Gonçalves- Eu sou mulher gombô Mulher sem moda, nem modelo, de riqueza  sem valor. Busco nos pensamentos caminhos,  pequenas mensagens no meu Orí. Sou de fuleragens, dengos,  quitandas  muvucas pito  rezo  bebo  oferendo. Cochicho ao cochilar  rezas em yorubá vivo em velhas cantigas o presente,  correntes   prendem ao libertar. Eu pergunto,   Dona Ginga sobreContinuar lendo “Mulher Gombô…”

Na máscara

Carolina Tomoi – para Gis – Laine, cujo traço marca toda terra da imaginação vejo olhos, testa, cabelos.  Vejo meias faces pela metade,  face meia.  ver faces assim, partidas. não. vejo as meias faces  olho faces inteiras.  Por trás da retina  fase completa  do banco de itens movo  e monto caras completadas face feita ocultaContinuar lendo “Na máscara”

a sós

por Celane Tomaz lembro-medas tantas que eu era, enquanto transito entre as outras e tateio seus mundos.mesmo assim, estou a sós. da minha noite, mesmo nos escuros do dia, adentro a luz que me devolve a mim, a luz que me gera, a luz que me lembra que estou viva.dou a mim da minha própriaContinuar lendo “a sós”

Entre-todes

-Mara Esteves Há braços que se esticam em busca do encontro, do outro que está ali, ao lado, na espera do enlace. Por que, por hora, o toque, o afago, necessita espera, cautela, como semente a germinar à terra. Pele tocando pele.Tambor-coração. O entre-rios formou abismo de si, dos sonhos e devaneios tolos/todos. Quem permitiráContinuar lendo “Entre-todes”

O inferno das mulheres são os homens

Por Jesuana Sampaio Tem dias que nem escrever alivia o peso do mundo. Não há palavra que caiba o absurdo. Não há verso que elabore a violência, o medo dos homens, a dor de atitudes preconceituosas, transfóbicas, homofóbicas, a agressão contra mulheres. É como se fosse a miséria da palavra, o vazio incapacitado transbordante. TemContinuar lendo “O inferno das mulheres são os homens”

Seus olhos

por Ana Karina Manson Seus olhos ainda me veem mesmo de longe, Trocamos olhares pelas telas estáticas E seus olhos me passeiam, Como antes, Pelo meu corpo enluarado Pelas minhas curvas em que deslizou suas mãos, Tantas vezes, Únicas. Seus olhos ainda me invadem Como se pudesse descobrir o meu segredo Que ainda nem conheço.Continuar lendo “Seus olhos”

Ser mais

-Mara Esteves 100 anos soletradosDI-TA-DU-RAmemória1968 formasde distorcer a história 40 horas de Angicosinjustamente interrompidasatacadoe suas, tão nossas,pedagogias da libertação. os educadores, os livrosas bibliotecaschão que soletraEN-XA-DAarrancada de suas mãos O letramento da fomeé a correia do cão.

E os assassinos caminham livremente!

por Ana Karina Manson E hoje? Será quem? Um conhecido, um familiar, um famoso, um amigo do amigo de infância? Todos os dias o relógio desperta e um anúncio se aproxima… Eu sei: a qualquer dia, a qualquer hora vai doer em lugares inimagináveis. Saudades se acumulam e não há solução, remédio, vacina. Dói aContinuar lendo “E os assassinos caminham livremente!”

IMEMORIAL

Aos 3950 mortos hoje (podia ser mentira, mas não é!) Responsável: O genocida, Aos 20 mil torturados e 434 mortos ou desaparecidos pela ditadura militar no Brasil Carolina Tomoi- Haveria silêncio na noite escura, aquela sem luar ou estrelas. Ouvir o vento, o balançar das folhas, aroma da chuva passageira, cricrilares, alertas monossilábicos a despertarContinuar lendo “IMEMORIAL”

AGORA

por Ana Karina Manson Exijo agora e decreto Meu abraço de volta Meu amigo aqui perto Mão com mão Ninguém solta Está determinado Qualquer beijo roubado Será livre, será cura E o coração apertado Se renderá à loucura. É lei desde agora Que nenhum amor vá embora Que nenhuma dor se demore Fica proibido partirContinuar lendo “AGORA”

Passo mal, mas estou bem

Juliana da Paz Até que dia ainda doer será a regra?Dia após dia me encolho dentro da máscara,Da casa,Da fome alheia.Não tenho conseguido gritarNem a felicidadeDe parir pureza e raça, Não combina com o cenário.É mais incongruenteQue borboletas no aquário.Me culpo por saberQue estou no lamaçal tóxicoE não me sujei ainda. Cadê as forças, cadê?Continuar lendo “Passo mal, mas estou bem”