Dolce vita?

Arlete Mendes– Ouço tanto falar de empreendedorismo, muitas vezes para escamotear relações trabalhistas precarizadas, babam tanto nessa palavra como se fosse o ovo de Colombo. Besteira! Quer mais empreendedorismo que nossos ancestrais? Cavavam trilhas e caminhos no meio da mata para interligar paisagens, aldeias e os parentes. O grande caminho, além fronteira, extra terra brasilis,Continuar lendo “Dolce vita?”

qual serpente

Carolina Tomoi– Eu sou de virgem e só de pensar me dá vertigem” João Bosco, Bijuterias -Sou virgem (risadas) – Piadinha velha entre os amigos sempre que alguém perguntava o signo da turma; todos riam e me olhavam desconfiada. Eu também me olhava assim no espelho toda vez que pensava no meu horóscopo. Nunca meContinuar lendo “qual serpente”

Meu coração é fogueira grande!

Hoje é 24 de junho. Todo ano, nesse dia, meu coração é fogueira grande, é criança buliçosa, é menina corajosa e enlouquecida nas festas do bairro todo. Todo ano, nessa data, é como se fosse aniversário do meu povo, é como se fosse marcação do enredo da nossa vida nordestina, é como se fosse oContinuar lendo “Meu coração é fogueira grande!”

das inseguras origens

ou de como conheci os carijos* Quando me vi já estava num coletivo intermunicipal, um azulzinho, parada na Raposo. Hoje, vinte anos depois, tão mais minha conhecida como Travares, Raposo Travares. Aby e eu numa aventura ao desconhecido município tão tão distante de Carapicuíba. “Carapicuíba é longe pra caramba, Carapicuíba só se for de carro,Continuar lendo “das inseguras origens”

Derradeira primavera

Elisa Dias – Eu carrego comigo uma alma saudosista que vive revirando as gavetas do meu passado. Memórias sempre são revividas e acessá-las me traz um misto de sensações que é difícil descrever. Chego tão fundo dentro de mim que sempre me afogo no mar que sou, um oceano profundo de recordações e velharias. ÉContinuar lendo “Derradeira primavera”

Depois disso…

Carolina Tomoi – Depois de sete textos publicados, me pergunto… que devo fazer depois disso? Releio cada palavra, cada sinal escrito… percebo, escuto, avalio… metas cumpridas. Mas e depois disso… Vários são os caminhos. múltiplas possibilidades. Fazer do desafio um ofício. tornar o prazer uma obsessão. buscar a perfeição nos mínimos sussurros e pausares. VerContinuar lendo “Depois disso…”

Ser-tão

Arlete Mendes – Já disse, não sou paulista. Não adianta jogar mais essa carga em mim. Nunca fui, nunca serei. Os registros? Sim. Mas nem todo fato é um fato inteiro. Explico-lhe. São Paulo é um acidente em minha vida, assim como um dedo mindinho aleijado, os dentes que faltam em minha boca, os amoresContinuar lendo “Ser-tão”

Carolina Tomoi – Vó fumava. Lembro dela sentada no banquinho – era um banquinho só dela, cujo assento era côncavo, ela mesma o havia desenhado e encomendado num marceneiro da vizinhança – seus cabelos meio dourados ficavam translúcidos conforme batia aquele solzinho de começo de manhã. As armações dos óculos arredondados eram marrons, mas tinhamContinuar lendo “Vó”

mater

Carolina Tomoi – Eu mesma sempre fui contra esse negócio de tudo dar presentes: “É tudo comércio!”, “Esses capitalistas não perdoam as crianças, as mães, os pais, agora é dia dos avós. Que absurdo tentar vender perfume no dia das mulheres, dia 8 de março é dia de luta! Não me venham com parabéns!” EContinuar lendo “mater”

Flor da Paz

Juliana da Paz –           Adoro ouvir Histórias de mãe, porque, geralmente, são assim, Histórias com H maiúsculo. São de um passado tão presente na pele, na veia, na vida de agora. Ela ME conta sempre que conta Histórias nossas, de nossa família. Eu catuco mesmo, sempre tentando ir mais longe, mais fundo, mais! OContinuar lendo “Flor da Paz”