Ser mais

-Mara Esteves 100 anos soletradosDI-TA-DU-RAmemória1968 formasde distorcer a história 40 horas de Angicosinjustamente interrompidasatacadoe suas, tão nossas,pedagogias da libertação. os educadores, os livrosas bibliotecaschão que soletraEN-XA-DAarrancada de suas mãos O letramento da fomeé a correia do cão.

DOLCE VITA

Texto publicado originalmente em 05 de julho de 2020 Arlete Mendes- Ouço tanto falar de empreendedorismo, palavra muitas vezes utilizada para escamotear relações trabalhistas precarizadas, tem gente que baba tanto nesse termo como se fosse o ovo de Colombo. Besteira! Quer mais empreendedorismo que nossos ancestrais? Cavavam trilhas e caminhos no meio da mata paraContinuar lendo “DOLCE VITA”

BANHO DE CANEQUINHA

Texto originalmente publicado em 3 de agosto de 2020. Carolina Tomoi- Abaixo para encher a canequinha, vejo vaporzinho subindo do balde de água cristalina. Sinto a água morna escorrendo pelos ombros, afago quentinho e único enquanto o resto do corpo sente os arrepios com o frio ambiente. Quero mais e repito a operação duas trêsContinuar lendo “BANHO DE CANEQUINHA”

Ser-tão

Texto publicado originalmente em 3 de junho de 2020. Arlete Mendes- Já disse, não sou paulista. Não adianta jogar mais essa carga em mim. Nunca fui, nunca serei. Os registros? Sim. Mas nem todo fato é um fato inteiro. Explico-lhe. São Paulo é um acidente em minha vida, assim como um dedo mindinho aleijado, osContinuar lendo “Ser-tão”

VINTE-VINTE.

Ontem vivi um ano de 365 dias. Ainda flutuam na minha cabeça todas as formas e cores que estavam presentes. Estão ainda no meu nariz a falta de amor vivida neles e, nos meus olhos, a falta de tato com a vida a que esse ano sobrevivi.             Pedacinhos de alegria grudaram os dias unsContinuar lendo “VINTE-VINTE.”

CLARICIANA

Por Juliana da Paz Um dia ME encontrei com CLARISSE. Não foi na biblioteca, nem na frente da praia da Pajuçara, em Maceió, primeiro porto de Clarice no Brasil e onde brotei de alguma raíz para nascer Caju. Não foi também no dia em que a professora de literatura me recomendou ver o vídeo deContinuar lendo “CLARICIANA”

Nós, naturalmente…

Por Juliana da Paz Era madrugada e o sono não vinha. Uma dor que me apertava as têmporas, o esternocleidomastóideo e todas essas nomenclaturas de músculos que compõem as costas e o pescoço, subindo ouvidos e cabeça acima. Esses que são conteúdos escolares, mas não fazemos questão de conhecer de verdade até que doam. AContinuar lendo “Nós, naturalmente…”

Desfigurado

“Busquei a luz e o amor.Humana, atentaComo quem busca a boca nos confins da sede.Recaminhei as nossas construções, tijolosPás, a areia dos diasE tudo que encontrei te digo agora:Um outro alguém sem cara. Tosco. Cego.O arquiteto dessas armadilhas.” Hilda Hilst por Celane Tomaz Eu não queria ver no espelho o teu rosto desfigurado. A tuaContinuar lendo “Desfigurado”

A minha criança

Jesuana Sampaio Certo dia um mago me disse que deveríamos saber qual o primeiro chá que tomamos na vida para assim nos conectarmos com a nossa criança interior. Peço licença a criança que fui para tomar mais uma vez o chá de erva doce e voltar no tempo para ninar a criança ferida que meContinuar lendo “A minha criança”

Feitiço da lua

Ana Karina Manson — Puruba que é bom! – gritava aquela gente que ousava ser feliz. Era mesmo muita ousadia viver sem quase nada do que o tal mundo moderno inseriu em nossas vidas, que sem perceber achamos natural ter celular, ter micro-ondas, ter cremes, ter maquiagens, ter computadores e outros como se fosse essencial,Continuar lendo “Feitiço da lua”

A santíssima Trindade

Arlete Mendes- Quem tem a alma agreste, plantada em solo de solidão, e ainda assim encontra sob a Terra, amigos, sabe o quanto são valorosos. Nunca tive um amigo que gostasse de mim, assim, logo de cara. Olhavam para meus espinhos, meu ensimesmamento, que me conferiam uma existência muito envelhecida para a juventude, e seContinuar lendo “A santíssima Trindade”

Banho de canequinha

Carolina Tomoi- Abaixo para encher a canequinha, vejo vaporzinho subindo do balde de água cristalina. Sinto a água morna escorrendo pelos ombros, afago quentinho e único enquanto o resto do corpo sente os arrepios com o frio ambiente. Quero mais e repito a operação duas três vezes, até que todo corpo se aqueça. Me tomaContinuar lendo “Banho de canequinha”

Antes de tudo, a escrita!

Juliana da Paz – Tudo que tenho a falar é imenso. Tudo que tenho aqui, sentindo, é lindo e louco, mas é onde me organizo. Sou a materialização nas palavras. Escrevo há muito tempo, desde a época em que morava em uma casa com quintal de terra e registrava tudo na areia. Tempo bom emContinuar lendo “Antes de tudo, a escrita!”

Quando amanheci e vi Raoni da janela

Mara Esteves – Em 2017, junto com a turma que constrói cotidianamente a Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias, fui agraciada com a oportunidade de participar de uma formação em orçamento público e direitos humanos, oferecida pelo INESC (Instituto de Estudos Socieconômicos), em Brasília. Tinha consciência que a cidade projetada receberia representantes de diversos povos indígenasContinuar lendo “Quando amanheci e vi Raoni da janela”

um cheiro de tempo

Carolina Tomoi- oi. eu ia te ligar, mas pelo avançado das horas preferi escrever-te, é, aquela ideia que te dá no meio das facadas que você dá na cebola, no alho, no cheiro verde, seja qual for a preferência: salsa ou coentro, gosto dos dois, cada qual combinando com seu cada qual. tinha tanto nadaContinuar lendo “um cheiro de tempo”