Fome de pai

Arlete Mendes – Era domingo, ou seria segunda? Fora do tempo regulado exclusivamente pelo trabalho, já não sabemos que dia exatamente é. São as bendições da quarentena. Estamos fazendo as refeições juntos, isto para nós significa debater assuntos polêmicos e lavar roupa suja, descobrimos que este é o momento mais adequado, porque se algo noContinuar lendo “Fome de pai”

Memórias de Algodão

Jesuana Sampaio – Quando eu era criança e a minha família já morava em Fortaleza, nas férias, íamos ao sertão de Paramoti, no Ceará. Mainha, minhas irmãs e eu. Mainha fazia uma cesta básica grande e lá íamos nós pra casa do tio João. Alegria quando chegava na Santa Fé. Depois era só avistar aContinuar lendo “Memórias de Algodão”

Vó era analfabeta

Ana Karina Manson – Dias desses aqui em casa cismaram de querer fazer pão. Já quase imediatamente vai alguém buscar na “internet” uma receita e mais outra e mais outra. Logo um lembrou-se do livrinho de receita que a mãe tinha. Com todo capricho, só faltava desenhar os bolos e tortas. As páginas até amareladasContinuar lendo “Vó era analfabeta”

ELAS SÃO MAIS QUE ELOS

Juliana da Paz –  – No confronto com o mundo sempre há quem lhe socorra, não é?  – Não. Nem sempre. Às vezes tive que me ver comigo mesma. Mas, na maioria das vezes tive uma, algumas, muitas mulheres ao meu redor que sempre ficaram e não fugiram. Que suportaram a tensão que causo, queContinuar lendo “ELAS SÃO MAIS QUE ELOS”

Carranca

… substantivo feminino carão cara feia semblante sombrio cara grande com expressão ameaçadora que se usa na proa das embarcações para espantar maus espíritos, segundo a crendice popular (Brasil e Folclore) rosto ou busto humanos ou de animais, usada na proa dos barcos do rio São Francisco https://pt.wiktionary.org/wiki/carranca, acesso em 20mai20. Hoje acordei de calundu, de ovo virado, num mexe comigo. Que saco! Sai logo da minha frente! Nada pra mim tá prestando, não tô fazendo nada deContinuar lendo “Carranca”

A esfinge e o colibri

Arlete Mendes – Tenho o hábito de tentar entender meus sonhos, ainda que muitos deles sejam esfinges devoradoras. Tenho sido despedaçada ao longo dos anos pela falta de compreensão dessas imagens. Talvez não somente pelos sonhos, mas pela própria vida. Olho para as mãos, há muitas cicatrizes, mas a maior delas é aquela que meusContinuar lendo “A esfinge e o colibri”

Domingo

Ana Karina Manson – Há pessoas que precisam do sol para se sentirem vivas, outras do mar, outras da estrada. Eu preciso da casa dos meus pais. É lá que recarrego minhas energias; lá me conecto pelo olhar, pela voz, pelo abraço deles com algo que transcende minha existência.Portanto, após um mês longe deles, devidoContinuar lendo “Domingo”

Escárnio

Juliana da Paz – Uma amiga me envia um vídeo no celular. Abro e o ator do vídeo começa seu texto:“Hoje o céu amanheceu lindo demais. De um azul profundo, agudo! Só não me afundo nele tanto quanto mergulho no meu próprio umbigo. A coragem de levantar e fazer exercícios logo vem. Tenho histórico deContinuar lendo “Escárnio”

Enquanto ainda

Celane Tomaz – À todas as mães, mulheres de força descomunal. É madrugada nos dias iguais. Seu filho acorda repentinamente e esbarra no medo que invade seus pensamentos sobre o dia que ainda não amanheceu. Em passos leves e rápidos, sem sinais de avisar, ele vem em minha direção. Desorientado, inseguro, atordoado – assim comoContinuar lendo “Enquanto ainda”

Há um messias entre nós?

Jesuana Sampaio – VAGABUNDA.Ele me insultou com seu perfil fake após um poema desses que exaltam o sentimento profundo de humanidade frente à dor do luto.BURRA.ele me chamou com seu fake pseudônimo destilador de ódio.Uma amiga sugeriu que eu deveria mandá-lo tomar no cú.Toma no seu cu!Seria uma boa alternativa, talvez.Eu passei o dia todoContinuar lendo “Há um messias entre nós?”