PAVILHÃO DE ESPELHOS

Texto publicado originalmente em 4 de setembro de 2020. Juliana da Paz– Das imperfeições que tenho a maior é ser mais de uma. Olho-me no espelho e tenho vertigens. Vivo embriagada na sede das muitas que aqui residem.  Não há aguardente, licor ou cevada que cause maior efeito que o desejo que eu sinto deContinuar lendo “PAVILHÃO DE ESPELHOS”

DERRADEIRA PRIMAVERA

Texto publicado originalmente em 6 de junho de 2020. Elisa Dias- Eu carrego comigo uma alma saudosista que vive revirando as gavetas do meu passado. Memórias sempre são revividas e acessá-las me traz um misto de sensações que é difícil descrever. Chego tão fundo dentro de mim que sempre me afogo no mar que sou,Continuar lendo “DERRADEIRA PRIMAVERA”

VIDA DE POBRE I

Texto publicado originalmente em 21 de agosto de 2020. Carolina Tomoi- Ela já estava acostumada à vida nos coletivos. Nascera e crescera aprendendo a dividir e usar nós no lugar de eu. E naquele momento vivia seu auge dos transportes urbanos. Levava uns quarenta minutos apenas, desde que saía de casa até chegar ao trabalho.Continuar lendo “VIDA DE POBRE I”

NÓS, NATURALMENTE…

Texto publicado originalmente em 13 de novembro de 2020. Juliana da Paz- Era madrugada e o sono não vinha. Uma dor que me apertava as têmporas, o esternocleidomastoideo e todas essas nomenclaturas de músculos que compõem as costas e o pescoço, subindo ouvidos e cabeça acima. Esses que são conteúdos escolares, mas não fazemos questãoContinuar lendo “NÓS, NATURALMENTE…”

CHUVA NA PANDEMIA

Texto publicado originalmente em 04 de outubro de 2020 Shirlei do Carmo- Olhei os pingos da chuva escorrendo no vidro da janela do quarto, enquanto lembrava das gotas de suor que banharam nossos corpos, num dia como esse, em  que fechei a janela e as rachaduras no teto se misturaram no emaranhado dos lençóis deContinuar lendo “CHUVA NA PANDEMIA”

TERRA DOS COLIBRIS

Texto publicado originalmente em 1 de julho de 2020. Elisa Dias- Eu venho de um lugar onde mora o Sol, atrás das cordilheiras e desertos, no horizonte alaranjado do fim da tarde.  O lugar de onde eu venho  não existe medo da morte ou ao menos a morte, não existe velhice, nem marcas do tempo,  todosContinuar lendo “TERRA DOS COLIBRIS”

BANHO DE MAR

Texto publicado originalmente em 15 de maio de 2020. Celane Tomaz- Era uma tarde de outono quando decidiu expor sua raiz. O céu já estava  assimétrico, retocado e abstrato em azul- lilás e alaranjado ardente. Assim  também seu corpo – folha seca, porém intacta, resistindo a varredura do caos. Talvez sua pele pálida precisasse deContinuar lendo “BANHO DE MAR”

BANHO DE CANEQUINHA

Texto originalmente publicado em 3 de agosto de 2020. Carolina Tomoi- Abaixo para encher a canequinha, vejo vaporzinho subindo do balde de água cristalina. Sinto a água morna escorrendo pelos ombros, afago quentinho e único enquanto o resto do corpo sente os arrepios com o frio ambiente. Quero mais e repito a operação duas trêsContinuar lendo “BANHO DE CANEQUINHA”

MULHER SÁBIA

Texto publicado originalmente em 26 de junho de 2020 Jesuana Sampaio- Tenho memórias de mim tão bonitas que superam todas as que foram dolorosas. Deve ser teimosia cearense. Estes dias estava lembrando que mais ou menos com 17 anos eu dizia que era bruxa e sabia mover os ventos. Eu não entendia porque entre tantosContinuar lendo “MULHER SÁBIA”

REENCONTRO

Texto publicado originalmente em 23 de setembro de 2020 Ana Karina Manson– Só por hoje ela queria chorar sem precisar se esconder para que ninguém descobrisse suas fragilidades. Estava tão cansada desse personagem que criou e vestia há tanto tempo, que em alguns momentos até se confundia entre o que era real e o queContinuar lendo “REENCONTRO”

VINTE-VINTE.

Ontem vivi um ano de 365 dias. Ainda flutuam na minha cabeça todas as formas e cores que estavam presentes. Estão ainda no meu nariz a falta de amor vivida neles e, nos meus olhos, a falta de tato com a vida a que esse ano sobrevivi.             Pedacinhos de alegria grudaram os dias unsContinuar lendo “VINTE-VINTE.”

Então é natal?

Arlete Mendes- “So this is Chrisman’s and what have you done?” Esta não é a música que mais gosto de John, acho bem ruim a versão em Português. Mas uma canção que se inicia com uma pergunta merece ser ouvida com atenção, propõe uma reflexão, um autoexame de consciência, coisa rara diante do alto grauContinuar lendo “Então é natal?”

Garoa

“Aos olhos nus, não passava de uma chuva repentina, mas aqui dentro…”  Clarice Lispector por Celane Tomaz olhe pela tua janela.chove sobre a madrugada calada. a chuva molha o início da manhã.repare nas gotas que se mantêm e as que escorrem pela vidraça, resistindo à vida breve, mantendo-se firmes em água frágil. goteja como seContinuar lendo “Garoa”

A hora e as estrelas

Arlete Mendes– Compadre meu, químico, disse-me certo dia que os seres humanos, assim como as estrelas, emitiam luz. O olho tem o defeito de não ver essa preciosidade. Ainda que não soubesse direito como encaixar essa minúscula verdade em minha rotina ilógica e desconexa, sabê-la me trouxe uma alegria quente. Como o sol no quintalContinuar lendo “A hora e as estrelas”

CLARICIANA

Por Juliana da Paz Um dia ME encontrei com CLARISSE. Não foi na biblioteca, nem na frente da praia da Pajuçara, em Maceió, primeiro porto de Clarice no Brasil e onde brotei de alguma raíz para nascer Caju. Não foi também no dia em que a professora de literatura me recomendou ver o vídeo deContinuar lendo “CLARICIANA”