Quem é como Deus.

Thata Alves – Tinha uma caixa com doze cores, para entreter o erê, punha papéis brancos no chão de casa, pra ele ali desenhar. E não é que o menino dava para risco? Todo o desenho de erê era um quadro! Minha sala era quase que uma galeria de arte, de tanto sufite espalhado pelaContinuar lendo “Quem é como Deus.”

das inseguras origens

ou de como conheci os carijos* Quando me vi já estava num coletivo intermunicipal, um azulzinho, parada na Raposo. Hoje, vinte anos depois, tão mais minha conhecida como Travares, Raposo Travares. Aby e eu numa aventura ao desconhecido município tão tão distante de Carapicuíba. “Carapicuíba é longe pra caramba, Carapicuíba só se for de carro,Continuar lendo “das inseguras origens”

QUEBRA-CABEÇAS

Ana Karina Manson – Ela era menina ousada. Cheia de planos desde pequena. Há quem diga que a culpa fosse da mãe: Dona Esperança era cheia de botar sonho na cabeça da menina. Dizia que a filha ia ser miss quando crescesse e lá estava a menina se olhando no espelho toda, toda. Outras vezesContinuar lendo “QUEBRA-CABEÇAS”

Ressignificância

Thata Alves – O calor, dessa vez, não era dos corpos que se tocavam pela primeira vez e nem era a mesma sinfonia que o coração tocava quando, no colar do abraço, o coração – dele – palpitou. Agora era outro ritmo. Era outro cenário, mesmo que na mesma cidade. Dessa vez seu coração batiaContinuar lendo “Ressignificância”

A verdade estampada na cara

Elisa Dias – Hoje eu acordei sufocada de meus próprios desejos que foram abafados como choro de amor por um travesseiro. Hoje eu me deparei com meu rosto no espelho, acabado e marcado com os sonhos que a vida me fez sonhar e deixar pra outra hora! Vendo a feiura envelhecer na face desse restoContinuar lendo “A verdade estampada na cara”

Eu menina

Celane Tomaz – Quando bem menina pensava que tudo era enorme, quase sem medida e infinitamente maior do que a mim. A extensão da rua, os portões das casas, a cabeça das pessoas adultas, o alcance do céu. Tudo era imenso e eu sempre tão inclinada e tão fragilmente curiosa, mas não da altura dosContinuar lendo “Eu menina”

Teoria do universo

Elisa Dias – Permaneci ali, parada, enquanto ele girava ao meu redor, muitas vezes me sentia o Sol, o centro do universo com todos os planetas estrelas e civilizações girando em minha órbita. Era tudo suspenso pela lei da gravidade, nunca fui capaz de compreender a ciência exata, para mim é tão abstrata quanto umContinuar lendo “Teoria do universo”

Meta fora!

Arlete Mendes – O cachorro persegue o próprio rabo. Brincadeira ou descoberta? Não aceita sua condição canina? O rabo é inimigo ou  amigo? A mariposa fixa-se sob a lâmpada fria. Desejo incontrolável? Sabe da morte ao amanhecer? Quer seu amor incandescente? Sente? Cá estou, o cão e a mariposa são minhas metáforas. Queria abolir asContinuar lendo “Meta fora!”

Sagração da Primavera

Elisa Dias – Uma a uma foram desfeitas as amarras que me prendiam a mim mesma. Minha alma cálida se despia das saias rodadas e do medo de escuro, eu não me sentia ali, vez ou outra me perdia em devaneios e sucumbia a ideia de me reconhecer estando presente naquele momento desconhecido, temido, eContinuar lendo “Sagração da Primavera”

Vermelhos

Carolina Tomoi – A mulher transforma-se gradativamente. E de objeto da tragédia masculina converte-se em sujeito de sua própria tragédia. Alexandra Kolontai, A Nova Mulher e a Moral Sexual Um telefonema a acordou. Estivera bem? Chegara bem em casa? Explicou que sim, excetuando as típicas dores nos pés após as caminhadas do dia anterior. MasContinuar lendo “Vermelhos”

Manu, Mani e Marizé

Arlete Mendes – Acordava pontualmente às quatro da madrugada, coava o café ouvindo “Brasil Caminhoneiro”. A fumaça embaçava o pensamento, o cheiro lhe dava fome. Fome do que não tinha. Queria comer estrada e chão na boleia de um caminhão. A mulher não gostava nada daquele programa, só gostava do Eli Correia. Ela tinha saudades.Continuar lendo “Manu, Mani e Marizé”

Seu José

Elisa Dias – As marcas do tempo davam pra ler no seu rosto, na rachadura dos pés, nos calos de sangue das mãos, na coluna envergada de tanto carregar lata de concreto nas costas estavam ali escritas. A  história daquele homem, que como tantos outros migraram de sua terra, com pouca bagagem, muitos filhos eContinuar lendo “Seu José”