A MAREJADA E A CIRANDA DO MAR

JULIANA DA PAZ Sou planta adaptável, dou flor no sol ou em apartamento. Meu cheiro, à noite, chega à beira do mar, esteja onde estiver, vai se banhar de sal, e ouvir suas preces para que o mundo seja melhor. Fico ali catando pedrinhas, riscando a areia e lhe cantando coisas bonitas. Ele me entendeContinuar lendo “A MAREJADA E A CIRANDA DO MAR”

Ele

Thata Alves – A sua agilidade surpreendia a todos, desde menino ele corria pelos cantos, uma velocidade nos pés… Sempre quando as vizinhas precisavam do ingrediente faltante para compor receita daquelas que a gente não pode parar de mexer, chamam por Ele, pois ele sabia todos os caminhos de atalhos para ir mais rápido asContinuar lendo “Ele”

Antonímia

Adriana Drih Paris– Antónia minha, sua Toninha. Tola – atônita. Meus avós vieram de Minas, minha mãe cresceu em Longá. O meu pai é de algum lugar do sul – nem sei. Se conheceram numa praia do Rio, nasci num hospital da Lapa, nos mudamos pro interior de São Paulo – Toponímia. Desde criança fuiContinuar lendo “Antonímia”

BR-S909 contra Golias

Arlete Mendes- Olhar fixo no céu. A punição ou a recompensa viriam de lá. Mirou para seu corpo magro, forte e lépido frente ao espelho. Seu único aliado. Preparou uma porção de ração do dia. Dirigiu-se para o treino à exaustão, se mantinha lúcida. Os canais e a redes eram sua única comunicação muda comContinuar lendo “BR-S909 contra Golias”

Amor-alimento

por Ana Karina Manson Tem gente que escolhe cenários com livros, plantas, cortinas improvisadas e outros para as lives de cada dia. Ela estava simplesmente ali debaixo das panelas. A imagem das panelas penduradas na cozinha e ela sentada embaixo fazia pensar no poder desse lugar-panela. E assim suspensas, no alto, sobre a cabeça pensanteContinuar lendo “Amor-alimento”

Mininu

Thata Alves – – Po, pó, pó, pó! – Não, menino, não, de policia e ladrão não! – Haaa, manheê!  Droga (isso; diz baixinho). Menino não entende cuidados meus. Como é que vai entender? Sete anos só, e eu quinhentos de atraso. Menino não sabe que agora brinca, mas que logo a frente tá naContinuar lendo “Mininu”

O pouso do Colibri

Arlete Mendes – Para um país que nasceu com fome de futuro. A cada cana ou café plantado é uma promessa de amanhã que se desponta. Claro, se se considera o sonho de progresso de uns, porque se se considerar o que sonha outros, o que realmente se quer é a vida. Não importa como,Continuar lendo “O pouso do Colibri”

Além das janelas

Ana Karina Manson- Os alarmes desativados. O celular não despertaria – nem amanhã, nem nunca mais. A vida mudara e, como numa ficção cinematográfica, ninguém podia sair de casa. Ninguém sabia ao certo o que acontecia, mas aquele que saía, não voltava. Não aconteceu de um dia para o outro. Primeiros as pessoas receberam avisosContinuar lendo “Além das janelas”

Cabeça, olhos, joelho e pé…

Carolina Tomoi – Aquele quintal era tão grande, tão grande que uma vez desci rolando umas sete exageradas vezes, para pessoa que não contava mais que os dedos de uma mão. Parei de encontro ao muro, ainda bem que o freio foram as costas mesmo que o mundo teimasse em continuar a girar. Lá estatelada,Continuar lendo “Cabeça, olhos, joelho e pé…”

Cacaueiro

Thata Alves- Kakau fazia sua terapia em barras de chocolate. A cada angústia que vivia: chocoterapia. Era seu único vício. Marcos, toda vez que o céu ganhava a mesma cor de sua pele, aparecia! Ele era o cinderelo do enredo todo, quando o carrilhão soava doze badaladas ia embora , num passe de mágica, nuncaContinuar lendo “Cacaueiro”

Terra de colibris

por Elisa Dias- Eu venho de um lugar onde mora o Sol, atrás das cordilheiras e desertos, no horizonte alaranjado do fim da tarde.  O lugar de onde eu venho  não existe medo da morte ou ao menos a morte, não existe velhice, nem marcas do tempo,  todos os vestidos são decorados com flores colhidas dasContinuar lendo “Terra de colibris”

A negativa é para esquerda, Ayde!

Thata Alves- A moça nem precisava passar rasteira, ela deixava angoleiro no chão, toda vez que dava um rabo de arraia, seus cabelos movimentavam-se com ondas semelhantes as do mar, perfumavam e hipnotizavam os companheiros de roda, era difícil manter bateria de berimbaus afinada. A ginga dela mexia com toda a senzala… Seu cabelo deContinuar lendo “A negativa é para esquerda, Ayde!”

Canto fora do tempo

Jesuana Sampaio – Joana matutava no pensamento quantos passos precisaria pra encompridar a estrada e ser retirante dela mesma. Nesse jogo de trocas que é a vida, o quê, quem seria prioridade? Ela esqueceu o que é ser prioridade de alguém. Aprendeu na solidão de uma grande metrópole a ser por ela mesma. Quem haveriaContinuar lendo “Canto fora do tempo”