laço infinito

Carolina Tomoi – Seu rosto já não demonstrava o que sentia, não mais espelho de sua alma, como diriam antigamente. Na verdade talvez ainda o fosse e já não sentisse realmente nada. “Bom dia! são exatamente sete horas do dia vinte e sete de maio de dois mil e vinte um. O dia está ensolarado,Continuar lendo “laço infinito”

Chama

Chama que ela atende, atenciosamente, te responde e te dá toda a atenção. Chama, que ela conta tudo, o que deseja para si e para o mundo. Chama, porque ela não só sabe das coisas, mas resolve tudo assim, numa chamada só. Chama mesmo, porque se não for suficiente, ela chama quem pode ajudar. ChamaContinuar lendo “Chama”

Continho depressivo

… não quero mais sentir. Sentir é pesado. De hoje em diante só quero a palavra. Que é leve. Que flutua. Que repousa nos ouvidos. Que passa pelos olhos. Que leva o sentir. Carolina Tomoi- Levantava cheia de planos. Espreguiçava-se. Punha-se em pé. Abria a janela. Inspirava e expirava admirando aquele recomeço. Mas nem bemContinuar lendo “Continho depressivo”

FAROFEIROS

Texto publicado originalmente em 21 de outubro de 2020. Arlete Mendes- Domingo. A torcida para que fosse dia de sol era grande. Crianças e sábios praticavam as mandingas. Sol desenhado com sal no meio do quintal. Ovos e barra de sabão jogados em prece em cima do telhado. A busca por sete formigas vermelhas, seguidaContinuar lendo “FAROFEIROS”

Álbum de fotografia

Texto publicado originalmente em 2 de maio de 2020. Thata Alves – Já deu medo de entrar pela maçaneta da porta, ela reluzia um dourado de 18 quilates, mas como fui convidada a entrar, reajustei a postura e angústia, entrei.Os sapatos eram deixados na porta, então com os pés você acessava a mansão, meus pés pareciamContinuar lendo “Álbum de fotografia”

PAI?

Texto publicado originalmente em 13 de agosto de 2020. Celane Tomaz– Era junho e os velhos dias cinzas de outono renovavam as folhas e desbotavam o tempo. Minha mãe, sempre tão doce e amável, aguardava por tantos dias – azuis, alaranjados e cinzas – a vinda da família para a semana de visitas. Era umContinuar lendo “PAI?”

ÁGUAS

Texto publicado originalmente em 5 de setembro de 2020 Ana Karina Manson- O mesmo caminho que havia feito há vinte anos. Era o aniversário dele e como o destino encontra maneiras inusitadas de vencer o tempo e fazer um encontro entre passado e presente, ela estava lá no lugar onde se conheceram, onde caminharam tantasContinuar lendo “ÁGUAS”

DAMIANA

Texto originalmente publicado em 25 de outubro de 2020. Mara Esteves- Damiana era exímia em roubar frutas do pé.  Pulava muros, cercas e trepava em galhos finos. Enfrentava sem medo todos os obstáculos em sua frente, mesmo que para isso fosse preciso fazer malabares no ponto mais alto da copa de uma árvore, se equilibrandoContinuar lendo “DAMIANA”

ANTONÍMIA

Texto publicado originalmente em 2 de agosto de 2020. Adriana Paris- Antónia minha, sua Toninha. Tola – atônita. Meus avós vieram de Minas, minha mãe cresceu em Longá. O meu pai é de algum lugar do sul – nem sei. Se conheceram numa praia do Rio, nasci num hospital da Lapa, nos mudamos pro interiorContinuar lendo “ANTONÍMIA”

Eclipse

Ana Karina Manson O amor se apresentava a eles de forma distinta do que um dia ambos conheceram. Cada um com sua história já construída, já vivida fora surpreendido com o amor que surgiu sem que dessem por ele. Quando perceberam já se olhavam com entrega e cumplicidade; já se tocavam por qualquer motivo: umContinuar lendo “Eclipse”

Chuveiro queimado

Raíssa Padial Corso- O chuveiro tinha queimado. Manuella havia no mesmo dia percorrido o corredor com olhares cínicos, pedantes e piedosos. Ainda bem que ela não tinha muita coisa pra levar, uma planta quase seca como ela, num corredor seco, numa cidade seca, relações secas. Sim, a monotonia regava…. Ela árida, sussurrava para si autoajudasContinuar lendo “Chuveiro queimado”

A noite espia

por Celane Tomaz ouça meus olhos.bebo desta meia luz disforme encobrindo teu rosto, dando forma tua facena minha. pausas burburinhos acomodadas nas luas de sempre. dividimos o cálice da transparência que nos esconde. há tanto vermelho envolvido, vivo por todos os lados. acaricio todos os teus emaranhados – da tua barba salgada à tua almaContinuar lendo “A noite espia”

AQUÁRIO

Por Juliana da Paz Nas profundezas marítimas havia uma linda sereia apavorante. Conquistava todos os pescadores, atraindo-os para a morte. Um dia encontrou a beleza de sua alma perdida no vasto mar de seu coração quando conhece Mob, o tubarão mais carrancudo, nascido no mar aberto, que vem disputar com ela a carne dos pescadoresContinuar lendo “AQUÁRIO”

Lente de velha

Raíssa Padial Corso- Elaborar a mais remota possibilidade. Borbulha mulher, saúdo a intenção, a emanação, a rede entrelaçada do que não vemos, a teia mais longínqua… Yo se que un día volverás…Amor, amor de fogo, vísceras compatíveis com a nossa substancial humanidade. Yoio limpa as rugas empoeiradas da anciã, essa foi sua primeira cilada. -AcendeContinuar lendo “Lente de velha”