Álbum de fotografia

Texto publicado originalmente em 2 de maio de 2020. Thata Alves – Já deu medo de entrar pela maçaneta da porta, ela reluzia um dourado de 18 quilates, mas como fui convidada a entrar, reajustei a postura e angústia, entrei.Os sapatos eram deixados na porta, então com os pés você acessava a mansão, meus pés pareciamContinuar lendo “Álbum de fotografia”

Levanta Preta!

Thata Alves- Levanta PretaLevanta a cabeçaPorque não dá tempo pra lamentarEnquanto chora as chagas do coraçãoHá os meninos querendo sair pelo portão,e a roupa pra lavarA roupa tá lavada e precisa ser estendidae depois de estendidaTira pra chuva não molharA chuva de OxaláVemDeixa elas também seu corpo tocarLevanta a cabeça pretaPorque o turbante fica melhorenaltecidoEContinuar lendo “Levanta Preta!”

Porra Poeta !

Thata Alves- Missão dura ser poeta…Vai desde a sensibilidade de você dobrar as roupas juntas, por achar que se não o fizer, alguma poderá sentir ciúmes.A sensibilidade é tanta, que a dor do outro te dóio dinheiro pouco quer dividire os banzos arrepiam a pele.Poeta não tem direito a ser duro, falar grosso, olhar feio.SeContinuar lendo “Porra Poeta !”

O Levante

Thata Alves- Do que me importa sua ditadura da beleza Trago em meu sorriso Soberana realeza Os atabaques soam das minhas mãos As mesmas que provêm o pão A percussão não é restrita só ao homem Das mãos das mulheres se tem valia Porque desde os tempos da África Que o tambor batia Pelas mãosContinuar lendo “O Levante”

Sótão

Thata Alves – Havia um tapete no sótão, há um tempo com pó e deixado de lado, apesar de estar obsoleto sabia que ali no canto que se mantinha não havia risco de rasgar, ou sofrer qualquer dano como esses de acidentes com cacos de taças de vinho, que para além de alterar sua corContinuar lendo “Sótão”

Fruta cor

Thata Alves – Fruta cor era o olhar dele, agora pense nisso numa pele cor de canela. – Hummmmm! Sentiu o aroma que tem? – Íris acessava o seu amor toda vez assim, ela odiava o jargão “o amor não tem cor”. Porque ela via todas elas, no olhar de seu amado. Púrpura era aContinuar lendo “Fruta cor”

Ele

Thata Alves – A sua agilidade surpreendia a todos, desde menino ele corria pelos cantos, uma velocidade nos pés… Sempre quando as vizinhas precisavam do ingrediente faltante para compor receita daquelas que a gente não pode parar de mexer, chamam por Ele, pois ele sabia todos os caminhos de atalhos para ir mais rápido asContinuar lendo “Ele”

Mininu

Thata Alves – – Po, pó, pó, pó! – Não, menino, não, de policia e ladrão não! – Haaa, manheê!  Droga (isso; diz baixinho). Menino não entende cuidados meus. Como é que vai entender? Sete anos só, e eu quinhentos de atraso. Menino não sabe que agora brinca, mas que logo a frente tá naContinuar lendo “Mininu”

Cacaueiro

Thata Alves- Kakau fazia sua terapia em barras de chocolate. A cada angústia que vivia: chocoterapia. Era seu único vício. Marcos, toda vez que o céu ganhava a mesma cor de sua pele, aparecia! Ele era o cinderelo do enredo todo, quando o carrilhão soava doze badaladas ia embora , num passe de mágica, nuncaContinuar lendo “Cacaueiro”

A negativa é para esquerda, Ayde!

Thata Alves- A moça nem precisava passar rasteira, ela deixava angoleiro no chão, toda vez que dava um rabo de arraia, seus cabelos movimentavam-se com ondas semelhantes as do mar, perfumavam e hipnotizavam os companheiros de roda, era difícil manter bateria de berimbaus afinada. A ginga dela mexia com toda a senzala… Seu cabelo deContinuar lendo “A negativa é para esquerda, Ayde!”

Quem é como Deus.

Thata Alves – Tinha uma caixa com doze cores, para entreter o erê, punha papéis brancos no chão de casa, pra ele ali desenhar. E não é que o menino dava para risco? Todo o desenho de erê era um quadro! Minha sala era quase que uma galeria de arte, de tanto sufite espalhado pelaContinuar lendo “Quem é como Deus.”

Ressignificância

Thata Alves – O calor, dessa vez, não era dos corpos que se tocavam pela primeira vez e nem era a mesma sinfonia que o coração tocava quando, no colar do abraço, o coração – dele – palpitou. Agora era outro ritmo. Era outro cenário, mesmo que na mesma cidade. Dessa vez seu coração batiaContinuar lendo “Ressignificância”