Entre-todes

-Mara Esteves Há braços que se esticam em busca do encontro, do outro que está ali, ao lado, na espera do enlace. Por que, por hora, o toque, o afago, necessita espera, cautela, como semente a germinar à terra. Pele tocando pele.Tambor-coração. O entre-rios formou abismo de si, dos sonhos e devaneios tolos/todos. Quem permitiráContinuar lendo “Entre-todes”

Ser mais

-Mara Esteves 100 anos soletradosDI-TA-DU-RAmemória1968 formasde distorcer a história 40 horas de Angicosinjustamente interrompidasatacadoe suas, tão nossas,pedagogias da libertação. os educadores, os livrosas bibliotecaschão que soletraEN-XA-DAarrancada de suas mãos O letramento da fomeé a correia do cão.

Deus dos que matam os que tem fome.

-Mara Esteves 28 de fevereiro. Último dia de um mês que o ritual da catarse carnavalesca não veio. Sinto que sem o carnaval não há quaresma. Não há redenção e nem o equilíbrio entre o profano e o sagrado. Parece até que Deus nos abandonou. Ou pior, desistiu de nós. Custa muito acreditar que oContinuar lendo “Deus dos que matam os que tem fome.”

Um Brasil sem carnaval

-Mara Esteves ( Marchinha: Agora Vai é Pé no Chão e Rua – Bloco Agora Vai/ Ano 2017) Neste ano o apito, o tambor e o coro de vozes entoando as marchinhas se emudeceram. As ruas e vielas da cidade já não ecoam as multidões. Os foliões que seguem o Bloco do Beco, o DesbundasContinuar lendo “Um Brasil sem carnaval”

DESEJO

substantivo masculino (?!) aspiração, querer, vontade expectativa de possuir ou alcançar algo. Texto originalmente publicado em 16 de agosto de 2020. Mara Esteves– Meu corpo é morada de desejos, até mesmo de desejos que não nasceram em mim. Estes, busco reconhece-los e me despeço a cada dia. São ecos de outras vozes, querendo ditar oContinuar lendo “DESEJO”

CAMINHANTE

Texto originalmente publicado em 21 de setembro de 2020. Mara Esteves- Se eu pudesse subverter o mundo,  juntaria as placas tectônicas novamente e atravessaria fronteiras em liberdade,  deixando que o desejo seja força motriz para o meu caminhar ao seu encontro. Se eu pudesse inverter a lógica, a ordem do dia a dia a lutarContinuar lendo “CAMINHANTE”

DAMIANA

Texto originalmente publicado em 25 de outubro de 2020. Mara Esteves- Damiana era exímia em roubar frutas do pé.  Pulava muros, cercas e trepava em galhos finos. Enfrentava sem medo todos os obstáculos em sua frente, mesmo que para isso fosse preciso fazer malabares no ponto mais alto da copa de uma árvore, se equilibrandoContinuar lendo “DAMIANA”

Para um novo Brasil

-Mara Esteves Agua de chuva para abençoar um Brasil de todes, mátria amada, colo de mãe que acolhe os Brasis, em descanso protegido, e não mortos pelos fuzis empunhados pelo Estado, carregados de munição ou omissão, estratégias para um mesmo objetivo: matar suas gentes diversas. E a elite brasileira, essa pequena nefasta, composta por poucosContinuar lendo “Para um novo Brasil”

Elas

– Mara Esteves Ela, que depende somente de si e de outras como ela, para acreditar em um horizonte que caiba seus sonhos. Ela, que cria jeitos para se proteger de um mundo, que insiste em dizer que seu futuro já esta marcado no patriarcado: o lugar de silêncio e resignação: mãe, esposa e filhaContinuar lendo “Elas”

Sala de Espera

–Mara Esteves “Ame o próximo como a ti mesmo” Mas quando é a minha vez? Se antes de me amar Há de cuidar da roupa para lavar, comida para preparar, Cuidar dos filhos, dos pais, do marido, da casa, do trabalho e de qualquer outra coisa que sempre grita mais urgência, movimento reverso das prioridadesContinuar lendo “Sala de Espera”

São Paulo: cinza chumbo

São Paulo, cidade cinza chumbo. A lembrança do arco-íris do dia anterior, breve miragem. A esperança que não cabe nas urnas, não cega os olhos, nem tapa a boca ou os ouvidos, grita e traz consigo, memória de dor e luta. Cidade com nome de santo: São Paulo. Que enaltece o extermínio de sua populaçãoContinuar lendo “São Paulo: cinza chumbo”

Terra longe

-Mara Esteves Alumiou no céuLua cheia rodeada de estrelasdas mais brilhantes já vistasiluminando igual Candeeiro Semi-deuses e seus sonhos solitários. Fagulhas queimam e desaparecemnum piscar de olhosgotículas de orvalho que escorrem das folhasna primeira hora do diadesejosas de encontrar o mar. O olhar mira horizontesque não estão ao alcance,janela aberta para esperançar. O obituário naContinuar lendo “Terra longe”

Lugar de mulher preta é no poder

Uma mulher que amanhecia antes do nascer do sol. E adormecia, quando a lua iluminava no meio do céu. Durante o dia, dividia-se, ou melhor multiplicava-se para dar conta dos diversos afazeres no salão de beleza e a rotina cotidiana de uma mãe solo. Não tinha tempo para garantir para si, os mesmos cuidados queContinuar lendo “Lugar de mulher preta é no poder”