CHAMA

– Por Juliana da Paz Eu quero falar!Sobre o que eu quiser!Eu sou fala!Que penetra seu falo,que gesta no úteroo que precisar!Eu vou falar!Minha voz forte,fina raiz,vai ecoar,vai incendiarsua tentativa de me calarEu vou falar!Sobre o que eu quiser,com minha boca,batom vermelho,com meus dentes,você vermelho,com meu corpo,meu espelho,vou falar com paladar de arriba saia,se nãoContinuar lendo “CHAMA”

Olho mágico

Juliana da Paz– Confesso!Eu fico espiando vocêpelo olho mágicoda porta do meu apêEnquanto você fumaOlhando horizonteDo apartamento em frentena janela do hallDo meu prédioFaço disso uma espécieDe remédioQuando você vai emboraE bate um tédioVou até o olho mágicoDevia experimentar…Eu espioE você está láMirando a janelaDo horizonteDo prédio 7Que fica em frente.

Pavilhão de espelhos

Juliana da Paz Das imperfeições que tenho a maior é ser mais de uma. Olho-me no espelho e tenho vertigens. Vivo embriagada na sede das muitas que aqui residem.  Não há aguardente, licor ou cevada que cause maior efeito que o desejo que eu sinto de esculpir mais uma de mim no mundo. Dói, eContinuar lendo “Pavilhão de espelhos”

Bolero

Juliana da Paz Se a intençãoDa reaproximaçãoEra só machucarPode continuarQue está dando certo!E se doer me abalaCerteza que não mataNão sou feito a estátuaNem mesmo a dor me calaE essa terceiraA quem, comigo trairiasPobre coitada não queiraDeixar de ser bailarinaQue em sua mão dançaMas você logo se cansaTroca por outra meninaJá a minha pretensãoDesejar-te todoContinuar lendo “Bolero”

A MAREJADA E A CIRANDA DO MAR

JULIANA DA PAZ Sou planta adaptável, dou flor no sol ou em apartamento. Meu cheiro, à noite, chega à beira do mar, esteja onde estiver, vai se banhar de sal, e ouvir suas preces para que o mundo seja melhor. Fico ali catando pedrinhas, riscando a areia e lhe cantando coisas bonitas. Ele me entendeContinuar lendo “A MAREJADA E A CIRANDA DO MAR”

A vontade de devorar o mundo causa indigestão

JULIANA DA PAZ A vida não para… Eu movimento, chamo o vento, ele vem forte igual na praia da Pajuçara. Eu sou água e chego à margem apenas para retornar, naquela bagunça que é rolar sobre a areia… Por que não consigo parar? Amo mais o contato com o movimento que a saúde de digerirContinuar lendo “A vontade de devorar o mundo causa indigestão”

Antes de tudo, a escrita!

Juliana da Paz – Tudo que tenho a falar é imenso. Tudo que tenho aqui, sentindo, é lindo e louco, mas é onde me organizo. Sou a materialização nas palavras. Escrevo há muito tempo, desde a época em que morava em uma casa com quintal de terra e registrava tudo na areia. Tempo bom emContinuar lendo “Antes de tudo, a escrita!”

ALMOÇO DE DOMINGO

Juliana da Paz – Era pra ser almoço de aniversário de mãe mas a vida pra nós sempre foi muito maior. Comida importa mas abraço é mais alimento Os Meninos se escondem Pra fugir da conversa louca de adultos Que se atropelam na ansiedade de se contar, de se falar, de se querer bem. EContinuar lendo “ALMOÇO DE DOMINGO”

Era …

Juliana da Paz Preâmbulo A cada novo cicloMe cai na cabeçaIdeia de olhar paraAquela que fui,Mas que já esqueciNa manhã seguinteQuando renasci!Ela tem insistidoMe procura,me persegue.Eu, usando mesma raízOuço voz mesma que dizJuliana outra, se ergue! Todo dia eu renasçoDe um passado que me cospeMeio tonta, ensanguentadaSolta a minha própria sorte! Não vai rir doContinuar lendo “Era …”

Meu coração é fogueira grande!

Hoje é 24 de junho. Todo ano, nesse dia, meu coração é fogueira grande, é criança buliçosa, é menina corajosa e enlouquecida nas festas do bairro todo. Todo ano, nessa data, é como se fosse aniversário do meu povo, é como se fosse marcação do enredo da nossa vida nordestina, é como se fosse oContinuar lendo “Meu coração é fogueira grande!”

Mamãe, te amo mais que doce!

Juliana da Paz Deitados na cama fazemos mil planos, fantasiando um mundo melhor. A nossa vida reclusa, possível, bem que poderia se espalhar pela cidade inteira. Enquanto você lança ideias saídas de um sonho infantil para acabar com o vírus vilão, eu não vejo saída para a vida de tantas crianças que moram ao lado.Continuar lendo “Mamãe, te amo mais que doce!”

A SALVO NA SELVA DE PEDRAS

Atire a primeira pedraQuem nuncaTropeçou na parede friaDe névoa cinzade SP cityQuem nunca sentiu-seAcolhido em sua diferençaNa deselegância discretaDe suas indiretas…Sempre falando que carrega a pedraDe um país inteiroQuem te carrega São Paulo?São os santos teus?Dos teus céus carregados?Da poluição que jorram as chaminés?Ou os Zés e ManésNa correria que te apedrejaGranizosCulturaComidaMisturaDiversidadeNovidade, novidade, novidadeQuem nunca?QuisContinuar lendo “A SALVO NA SELVA DE PEDRAS”