Passo mal, mas estou bem

Juliana da Paz Até que dia ainda doer será a regra?Dia após dia me encolho dentro da máscara,Da casa,Da fome alheia.Não tenho conseguido gritarNem a felicidadeDe parir pureza e raça, Não combina com o cenário.É mais incongruenteQue borboletas no aquário.Me culpo por saberQue estou no lamaçal tóxicoE não me sujei ainda. Cadê as forças, cadê?Continuar lendo “Passo mal, mas estou bem”

Lua minguante no mar!

Por Juliana da Paz O juízo se espalha pelo mundo Expande-se no horizonte Onde já não lhe enxergo Não o mesmo Ando cheia de marcas Cicatrizes que me enfeitam Cabelos que não lhe lambem mais Pernas que já correm em apressar a própria vida Roupas de águas tranquilas Já distantes do seu ar Uma outraContinuar lendo “Lua minguante no mar!”

PAVILHÃO DE ESPELHOS

Texto publicado originalmente em 4 de setembro de 2020. Juliana da Paz– Das imperfeições que tenho a maior é ser mais de uma. Olho-me no espelho e tenho vertigens. Vivo embriagada na sede das muitas que aqui residem.  Não há aguardente, licor ou cevada que cause maior efeito que o desejo que eu sinto deContinuar lendo “PAVILHÃO DE ESPELHOS”

NÓS, NATURALMENTE…

Texto publicado originalmente em 13 de novembro de 2020. Juliana da Paz- Era madrugada e o sono não vinha. Uma dor que me apertava as têmporas, o esternocleidomastoideo e todas essas nomenclaturas de músculos que compõem as costas e o pescoço, subindo ouvidos e cabeça acima. Esses que são conteúdos escolares, mas não fazemos questãoContinuar lendo “NÓS, NATURALMENTE…”

VINTE-VINTE.

Ontem vivi um ano de 365 dias. Ainda flutuam na minha cabeça todas as formas e cores que estavam presentes. Estão ainda no meu nariz a falta de amor vivida neles e, nos meus olhos, a falta de tato com a vida a que esse ano sobrevivi.             Pedacinhos de alegria grudaram os dias unsContinuar lendo “VINTE-VINTE.”

CLARICIANA

Por Juliana da Paz Um dia ME encontrei com CLARISSE. Não foi na biblioteca, nem na frente da praia da Pajuçara, em Maceió, primeiro porto de Clarice no Brasil e onde brotei de alguma raíz para nascer Caju. Não foi também no dia em que a professora de literatura me recomendou ver o vídeo deContinuar lendo “CLARICIANA”

Fragmentário viver

Por Juliana da Paz Tenho vivido a poesia em mim, no mundo e nas ideias. Muitas ideias. O cansaço dos dias, mesmo este, tem sido um bálsamo de humanidade no dia-adia que se passa. Cenas figuram e inesperados se precipitam em minha corrida contra o tempo, sem-dinheiro, indecisão, congestionamento, Mãe, insônia, amor-cadê-você?, desculpa, que alegria,Continuar lendo “Fragmentário viver”

AQUÁRIO

Por Juliana da Paz Nas profundezas marítimas havia uma linda sereia apavorante. Conquistava todos os pescadores, atraindo-os para a morte. Um dia encontrou a beleza de sua alma perdida no vasto mar de seu coração quando conhece Mob, o tubarão mais carrancudo, nascido no mar aberto, que vem disputar com ela a carne dos pescadoresContinuar lendo “AQUÁRIO”

Nós, naturalmente…

Por Juliana da Paz Era madrugada e o sono não vinha. Uma dor que me apertava as têmporas, o esternocleidomastóideo e todas essas nomenclaturas de músculos que compõem as costas e o pescoço, subindo ouvidos e cabeça acima. Esses que são conteúdos escolares, mas não fazemos questão de conhecer de verdade até que doam. AContinuar lendo “Nós, naturalmente…”

Denúncia

Juliana da Paz- O pé de capim-cidreira cresceOlho sua impetuosidade em folhas finas, cheirosas e cortantes… Feito as línguas que denunciam.O medo do corteO medo massacreO medo da humilhação pública.E a impetuosidade de crescer não pode parar.A certeza de ser um molho de folhasDe nascer da mesma raizFemininaDe comer da mesma terraNão podemos ter medoContinuar lendo “Denúncia”

Desta vez, vou deixar morrer o amor

            Espero por todo o tempo um cuidado que me acaricie. O vento o faz. Uma constância da busca pelo abraço que me aconchegue, encontro no sol. Suas vestes pelo chão não foram gastas comigo. Nossos olhos pouco se tocam, negros olhos que pouco se cruzam. Nunca mais eu me perdi em emaranhados de cabelos,Continuar lendo “Desta vez, vou deixar morrer o amor”

Mãe de menino

Por Juliana da Paz A maior sensação de paz materna que se aporta em meu peito é vê-lo dormindo. É um sono lindo e cheio de saúde, abrigo, esperança e amor. É um sonho.             Eu deito e sonho também! “Observar que nossa sociedade foi fundada nesse sofrimento, nessa dor que é para os homensContinuar lendo “Mãe de menino”

CHAMA

– Por Juliana da Paz Eu quero falar!Sobre o que eu quiser!Eu sou fala!Que penetra seu falo,que gesta no úteroo que precisar!Eu vou falar!Minha voz forte,fina raiz,vai ecoar,vai incendiarsua tentativa de me calarEu vou falar!Sobre o que eu quiser,com minha boca,batom vermelho,com meus dentes,você vermelho,com meu corpo,meu espelho,vou falar com paladar de arriba saia,se nãoContinuar lendo “CHAMA”