INTIMIDADE

 Elizabete Alves de Oliveira– Aceitei teu abraço quente e longo. Como criança pedi mais. Aceitei teu beijo molhado e calmo. Como o mar em noite de lua crescente Que beija areia E por ela, quase se deixa sufocar. Tua pele roçando a minha, com intimidade própria, De folha ao vento De perfume e flor DeContinuar lendo “INTIMIDADE”

GRAFIAS DE MULHER

Texto publicado originalmente em 06 de dezembro 2020. “A noite não adormece nos olhos das mulheres”  Conceição Evaristo Solange Amorim- Ela caminhava ofegante e seu corpo parecia ranger. Carregava um cansaço imenso. Cabelos  curtos e grisalhos, olhos pequenos e nevoados,  avermelhados pela acidez de São Paulo. A retina esquerda aparentava conter uma pequena cicatriz que Continuar lendo “GRAFIAS DE MULHER”

CHAMADO

Texto originalmente publicado em 01 de novembro de 2020 Sílvia Tavares– Me veio primeiro fogoMinha pele colorida na ruaTrazendo cachoeira pro asfaltoBotando-me mar nos olhos Me veio depois desertoTravessia para não sei ondeE o som do vento, do ventoAté que as perguntas calassem Me veio então moradaTantinho de saúde, descanso na loucuraMorros, bugios, leite entornado no tachoCéuContinuar lendo “CHAMADO”

CHUVA NA PANDEMIA

Texto publicado originalmente em 04 de outubro de 2020 Shirlei do Carmo- Olhei os pingos da chuva escorrendo no vidro da janela do quarto, enquanto lembrava das gotas de suor que banharam nossos corpos, num dia como esse, em  que fechei a janela e as rachaduras no teto se misturaram no emaranhado dos lençóis deContinuar lendo “CHUVA NA PANDEMIA”

ANTONÍMIA

Texto publicado originalmente em 2 de agosto de 2020. Adriana Paris- Antónia minha, sua Toninha. Tola – atônita. Meus avós vieram de Minas, minha mãe cresceu em Longá. O meu pai é de algum lugar do sul – nem sei. Se conheceram numa praia do Rio, nasci num hospital da Lapa, nos mudamos pro interiorContinuar lendo “ANTONÍMIA”

Grafias de mulher

Solange Amorim- “A noite não adormece nos olhos das mulheres”  Conceição Evaristo Ela caminhava ofegante e seu corpo parecia ranger. Carregava um cansaço imenso. Cabelos  curtos e grisalhos, olhos pequenos e nevoados,  avermelhados pela acidez de São Paulo. A retina esquerda aparentava conter uma pequena cicatriz que  diferenciava um olho do outro.  A angústia saltavaContinuar lendo “Grafias de mulher”

CHAMADO

Silvia Tavares- Me veio primeiro fogoMinha pele colorida na ruaTrazendo cachoeira pro asfaltoBotando-me mar nos olhos Me veio depois desertoTravessia para não sei ondeE o som do vento, do ventoAté que as perguntas calassem Me veio então moradaTantinho de saúde, descanso na loucuraMorros, bugios, leite entornado no tachoCéu estrelado, água de mina Me arrebataram batalhasReligações, nutriresPés andarilhos rumaramCorpoContinuar lendo “CHAMADO”

Chuva na pandemia

Shirlei do Carmo- Olhei os pingos da chuva escorrendo no vidro da janela do quarto, enquanto lembrava das gotas de suor que banharam nossos corpos, num dia como esse, em  que fechei a janela e as rachaduras no teto se misturaram no emaranhado dos lençóis de algodão e emolduraram as asas do corpo. Por instantesContinuar lendo “Chuva na pandemia”

Júpiter

Raíssa Corso Padial- De dentro para fora essa luz expande O cristal flori E como candeeiro em escura caverna No céu a lua é cheia, desmembrando-se em minguar. Centralizado em linhas universais reina ele, o grande expansor. No mesmo signo, insígnia, casa minha zodiacal Expande mestre… Gigante a rodar em velocidades imperceptíveis e que aoContinuar lendo “Júpiter”

Antonímia

Adriana Drih Paris– Antónia minha, sua Toninha. Tola – atônita. Meus avós vieram de Minas, minha mãe cresceu em Longá. O meu pai é de algum lugar do sul – nem sei. Se conheceram numa praia do Rio, nasci num hospital da Lapa, nos mudamos pro interior de São Paulo – Toponímia. Desde criança fuiContinuar lendo “Antonímia”