Um despertar

Celane Tomaz- Acordei com a claridade atravessando a minha janela. Os raios solares cortavam a parede oposta. Já era tarde para a minha consciência recém apreendida e para os meus sentidos quase agora recuperados.  Meu corpo, ainda sobre a cama macia, livra-se aos poucos do peso da dormência. Ainda é lento o movimento que façoContinuar lendo “Um despertar”

Mãos pretas

Como ler estas mãos pretas?De linhas tecidas jamais lidasCalejadas por outra História? Como ler estas mãos pretas?Outrora de sonhos partidosGeradas em dolorosas memórias Como ler estas mãos pretas?Pretas de sangue moídasPretas de dores vermelhas Como ler estas mãos pretas?De tantos negreiros naviosDe tantas almas presas Como ler estas mãos pretas?Que repousam na folha os diasContinuar lendo “Mãos pretas”

Eu menina

Celane Tomaz – Quando bem menina pensava que tudo era enorme, quase sem medida e infinitamente maior do que a mim. A extensão da rua, os portões das casas, a cabeça das pessoas adultas, o alcance do céu. Tudo era imenso e eu sempre tão inclinada e tão fragilmente curiosa, mas não da altura dosContinuar lendo “Eu menina”

Enquanto ainda

Celane Tomaz – À todas as mães, mulheres de força descomunal. É madrugada nos dias iguais. Seu filho acorda repentinamente e esbarra no medo que invade seus pensamentos sobre o dia que ainda não amanheceu. Em passos leves e rápidos, sem sinais de avisar, ele vem em minha direção. Desorientado, inseguro, atordoado – assim comoContinuar lendo “Enquanto ainda”

O pássaro

Celane Tomaz – Um pássaro pousou na minha varanda. Rompeu a minha vista das cores do fim da tarde. Seu repentino pouso foi ruptura do instante do meu monótono hábito de observar e endeusar o céu – a sua morada. Corpo miúdo, pisada frágil e olhar atento. Cabia na concha das mãos, mas com tudoContinuar lendo “O pássaro”

Uma manhã a mais, a menos

Celane Tomaz – Hoje acordei sobre os tantos mundos que me cabem. Olhei a mim, corpo vivo, matéria de calor e movimento entre as paredes claras e estáticas da casa.  A limitada extensão do espaço presenciava o meu grito pela vida do seu lado de fora. Diante do espelho, observei a pele rosada e maciaContinuar lendo “Uma manhã a mais, a menos”