Eu menina

Celane Tomaz – Quando bem menina pensava que tudo era enorme, quase sem medida e infinitamente maior do que a mim. A extensão da rua, os portões das casas, a cabeça das pessoas adultas, o alcance do céu. Tudo era imenso e eu sempre tão inclinada e tão fragilmente curiosa, mas não da altura dosContinuar lendo “Eu menina”

Enquanto ainda

Celane Tomaz – À todas as mães, mulheres de força descomunal. É madrugada nos dias iguais. Seu filho acorda repentinamente e esbarra no medo que invade seus pensamentos sobre o dia que ainda não amanheceu. Em passos leves e rápidos, sem sinais de avisar, ele vem em minha direção. Desorientado, inseguro, atordoado – assim comoContinuar lendo “Enquanto ainda”

O pássaro

Celane Tomaz – Um pássaro pousou na minha varanda. Rompeu a minha vista das cores do fim da tarde. Seu repentino pouso foi ruptura do instante do meu monótono hábito de observar e endeusar o céu – a sua morada. Corpo miúdo, pisada frágil e olhar atento. Cabia na concha das mãos, mas com tudoContinuar lendo “O pássaro”

Uma manhã a mais, a menos

Celane Tomaz – Hoje acordei sobre os tantos mundos que me cabem. Olhei a mim, corpo vivo, matéria de calor e movimento entre as paredes claras e estáticas da casa.  A limitada extensão do espaço presenciava o meu grito pela vida do seu lado de fora. Diante do espelho, observei a pele rosada e maciaContinuar lendo “Uma manhã a mais, a menos”