das inseguras origens

ou de como conheci os carijos* Quando me vi já estava num coletivo intermunicipal, um azulzinho, parada na Raposo. Hoje, vinte anos depois, tão mais minha conhecida como Travares, Raposo Travares. Aby e eu numa aventura ao desconhecido município tão tão distante de Carapicuíba. “Carapicuíba é longe pra caramba, Carapicuíba só se for de carro,Continuar lendo “das inseguras origens”

Depois disso…

Carolina Tomoi – Depois de sete textos publicados, me pergunto… que devo fazer depois disso? Releio cada palavra, cada sinal escrito… percebo, escuto, avalio… metas cumpridas. Mas e depois disso… Vários são os caminhos. múltiplas possibilidades. Fazer do desafio um ofício. tornar o prazer uma obsessão. buscar a perfeição nos mínimos sussurros e pausares. VerContinuar lendo “Depois disso…”

Carolina Tomoi – Vó fumava. Lembro dela sentada no banquinho – era um banquinho só dela, cujo assento era côncavo, ela mesma o havia desenhado e encomendado num marceneiro da vizinhança – seus cabelos meio dourados ficavam translúcidos conforme batia aquele solzinho de começo de manhã. As armações dos óculos arredondados eram marrons, mas tinhamContinuar lendo “Vó”

Carranca

… substantivo feminino carão cara feia semblante sombrio cara grande com expressão ameaçadora que se usa na proa das embarcações para espantar maus espíritos, segundo a crendice popular (Brasil e Folclore) rosto ou busto humanos ou de animais, usada na proa dos barcos do rio São Francisco https://pt.wiktionary.org/wiki/carranca, acesso em 20mai20. Hoje acordei de calundu, de ovo virado, num mexe comigo. Que saco! Sai logo da minha frente! Nada pra mim tá prestando, não tô fazendo nada deContinuar lendo “Carranca”

mater

Carolina Tomoi – Eu mesma sempre fui contra esse negócio de tudo dar presentes: “É tudo comércio!”, “Esses capitalistas não perdoam as crianças, as mães, os pais, agora é dia dos avós. Que absurdo tentar vender perfume no dia das mulheres, dia 8 de março é dia de luta! Não me venham com parabéns!” EContinuar lendo “mater”

Vermelhos

Carolina Tomoi – A mulher transforma-se gradativamente. E de objeto da tragédia masculina converte-se em sujeito de sua própria tragédia. Alexandra Kolontai, A Nova Mulher e a Moral Sexual Um telefonema a acordou. Estivera bem? Chegara bem em casa? Explicou que sim, excetuando as típicas dores nos pés após as caminhadas do dia anterior. MasContinuar lendo “Vermelhos”

pára-neo-nóia

Carolina Tomoi – “Eu sinto medo, eu sinto medo…” Raul Seixas, Para Noia, Nova Aeon, 1975. situação de guerra. lista de coisas a fazer. documentos no porta luva. evitar contato. sem bolsa. calças e blusa. proteção. sempre bom prender o cabelo. chaves. controle do portão. álcool. dinheiro no bolso. cartões no outro. celular. máscara. vamosContinuar lendo “pára-neo-nóia”

Mulinha

Carolina Tomoi – Eu sempre digo pra ela, eu não sei escrever. Mas ela insiste. Ela é insistente… docemente insistente. E quem pode dizer não a ela?! Daí ela pediu uma leitura, eu fiz, foi fácil! Pra ela, é claro! Porque pra mim… ferrugens… seculares. Agora vem com essa. Escreve aí, como se fosse fácil,Continuar lendo “Mulinha”