Eleições

Carolina Tomoi- Me lembro do dia que fui buscar meu título, tinha 16, era um dia muito ensolarado como a esperança cultivada num Brasil jovem, que tinha tudo para brilhar feito estrela. Em meio àquela restrita constelação de 26 pontos a cintilar na bola azul, ainda não havia aparecido nenhum Sol que brilhasse para todasContinuar lendo “Eleições”

Ofício

Carolina Tomoi- Há tempos tenho pensado em escrever sobre meu ofício. Um assunto engasgado, travado. Um receio de cair num mar de lamentação ou num muro de ostentação. Pensando em definir-me pensei que talvez pudesse definir meu ofício: a parte de mim que escolhi trocar diariamente por sobrevivência. Deve-se ter cuidado! porque quando se fazContinuar lendo “Ofício”

Festa, festa. festa…

Carolina Tomoi- Festa, festa, festa… o que poderia ser melhor que uma boa festa? É certo que as melhores são aquelas que simplesmente acontecem. Todo bom festeiro sabe como é: bastou o cansaço da semana, calor ou frio, não importa. Mas no calor dá para espalhar a galera no quintal. Cada um traz sua meiaContinuar lendo “Festa, festa. festa…”

UM Menino

Carolina Tomoi- Dois anos se passaram desde que o casal decidira que teriam a segunda filha. Calculadas as probabilidades genéticas, a mãe estava certa que conceberia outra menina. Porém, a essa altura do campeonato não esperava mais nada… fazia tanto tempo que combinava o calendário com preservativos que esquecera do antigo projeto: a irmãzinha! NenhumaContinuar lendo “UM Menino”

O que é então, poema?

Carolina Tomoi- “o ensaio é o gênero da crítica, é porque é o gênero da crise, da crise de uma certa forma de pensar, de falar, de viver. A experiência do presente faz desse mesmo presente um momento crítico, de transição, de mutação.” Jorge Larossa, A operação ensaio Pouco me olho. 15 minutos por diaContinuar lendo “O que é então, poema?”

EU NÃO QUERO

Carolina Tomoi- Eu não quero bater o ponto esperar no ponto estar no ponto passar do ponto Eu não quero mensagem de texto mensagem de voz vídeo-chamada Eu não quero newsletter newspaper fakenews CANTO DE PASSARINHO. CHEIRO DE RELVA. ARROZ COM FEIJÃO. ROUPA LIMPA. LIVRO VELHO. PÉ DESCALÇO. CABELO AO VENTO. CAFÉ AMARGO. ABRAÇO APERTADO.Continuar lendo “EU NÃO QUERO”

Hoje é dia de maldade ou Até que a morte os separe

Carolina Tomoi- Eram duas pessoas ruins. Estavam bem disfarçados como um casal pacato e receptivo a vizinhos, parentes e amigos da vida toda. Mas quem os observasse de perto, notaria as grandes crueldades que habitavam aquelas mentes ardilosas. Tinham um tipo de pacto silencioso que escondia aquele segredo até deles mesmos. Sabiam como eram tratadasContinuar lendo “Hoje é dia de maldade ou Até que a morte os separe”

Vida de pobre II: Sacolinha de mercado

Carolina Tomoi- Vida de mulher é aquela coisa… tanto trabalho desde que abre o olho que às vezes tenta fingir que está dormindo para enganar a si mesma que o dia de trabalho ainda não começou. Mas sua consciência é seu próprio relógio de ponto, patrão e cliente mais exigente. Lembrou que na segunda oContinuar lendo “Vida de pobre II: Sacolinha de mercado”

A CLASSE MERDA

Carolina Tomoi – Pobre que gosta de pagar caroPobre porque reclama do carro de quem lhe carrega pro serviçoPobre que se finge de madamePobre porque reclama do salário de quem limpa sua merdaPobre que cospe no pratoPobre porque pragueja quem prepara sua comidaPobre que cospe pra cimaPobre porque estuda na pública mas veio da privadaPobreContinuar lendo “A CLASSE MERDA”

ciclos

Carolina Tomoi- Penso na lua, nos ciclos, nas cheias. Meu ventre inflando mensularmente. Seios arredondados ao extremo do intocável, precisam de apoio para seustentar além da gravidade. Tão grave não poder conviver consigo tendo que ser gentil com os outros. Fogos de hematortifício povoam as entranhas, se ouvem de longe seus estrondos. Contorces contrações contravenções.Continuar lendo “ciclos”

devaneios

Carolina Tomoi – cheirinho de bacon pela casa, bacon e alho. gargalhadinhas agudas de um cômodo quentinho. de outro quarto o silêncio. a solidão das interações sociais virtuais. de minha biblioteca ouço a jogatina pretensa aula de química. da sala-solidão, Maria Betânia grita junto a mim ao fogão. devaneio. “A liberdade está na dorrrrrr.” semContinuar lendo “devaneios”

Vida de pobre I: COLETIVOS

Carolina Tomoi – Ela já estava acostumada à vida nos coletivos. Nascera e crescera aprendendo a dividir e usar nós no lugar de eu. E naquele momento vivia seu auge dos transportes urbanos. Levava uns quarenta minutos apenas, desde que saía de casa até chegar ao trabalho. Alguns quarteirões até o ponto, caminho que fariaContinuar lendo “Vida de pobre I: COLETIVOS”

Banho de canequinha

Carolina Tomoi- Abaixo para encher a canequinha, vejo vaporzinho subindo do balde de água cristalina. Sinto a água morna escorrendo pelos ombros, afago quentinho e único enquanto o resto do corpo sente os arrepios com o frio ambiente. Quero mais e repito a operação duas três vezes, até que todo corpo se aqueça. Me tomaContinuar lendo “Banho de canequinha”

7-GATO-13

Carolina Tomoi – Onde andas? a bailarina preta e rosa hoje guerreira de foice e enxada na mão. 9343-1420. Teu silêncio me cala Tua ausência me rasga Nem tudo saiu como planejado Nossas missivas ad aeternum Só perpetuaram nos sonhos entre pipocas e gelados (que eles sim valiam a humilhação) A garota roendo gelo eContinuar lendo “7-GATO-13”