laço infinito

Carolina Tomoi – Seu rosto já não demonstrava o que sentia, não mais espelho de sua alma, como diriam antigamente. Na verdade talvez ainda o fosse e já não sentisse realmente nada. “Bom dia! são exatamente sete horas do dia vinte e sete de maio de dois mil e vinte um. O dia está ensolarado,Continuar lendo “laço infinito”

Maioridade Materna

Carolina Tomoi – Às de colo vazio, latente Aos que perderam o colo. Creio num momento no corpo da mulher que uma voz tão intensa fala tão alto uníssono a cada célula de seu corpo que é difícil resistir. A maioria não resiste. Algumas nem tomam ciência que seja possível desistir, deixam o corpo asContinuar lendo “Maioridade Materna”

IMEMORIAL

Aos 3950 mortos hoje (podia ser mentira, mas não é!) Responsável: O genocida, Aos 20 mil torturados e 434 mortos ou desaparecidos pela ditadura militar no Brasil Carolina Tomoi- Haveria silêncio na noite escura, aquela sem luar ou estrelas. Ouvir o vento, o balançar das folhas, aroma da chuva passageira, cricrilares, alertas monossilábicos a despertarContinuar lendo “IMEMORIAL”

Ideia fixa

Carolina Tomoi – Ideia fixa Ideia fixada pregada tachada Ideia que não sai do pensamento Sai, não sai! Sai não, sai? Sai, não, sai. Te aporrinha por demais -Vai-te embora de mim! Se perde e volta Vai pras quincas com essa ideiafix Não te deixa, te perturba Semanas, semanas, dias e horas Madrugadas. Mato aContinuar lendo “Ideia fixa”

Continho depressivo

… não quero mais sentir. Sentir é pesado. De hoje em diante só quero a palavra. Que é leve. Que flutua. Que repousa nos ouvidos. Que passa pelos olhos. Que leva o sentir. Carolina Tomoi- Levantava cheia de planos. Espreguiçava-se. Punha-se em pé. Abria a janela. Inspirava e expirava admirando aquele recomeço. Mas nem bemContinuar lendo “Continho depressivo”

VIDA DE POBRE II: SACOLINHA DE MERCADO

Texto publicado originalmente em 26 de setembro de 2020. Carolina Tomoi- Vida de mulher é aquela coisa… tanto trabalho desde que abre o olho que às vezes tenta fingir que está dormindo para enganar a si mesma que o dia de trabalho ainda não começou. Mas sua consciência é seu próprio relógio de ponto, patrãoContinuar lendo “VIDA DE POBRE II: SACOLINHA DE MERCADO”

VIDA DE POBRE I

Texto publicado originalmente em 21 de agosto de 2020. Carolina Tomoi- Ela já estava acostumada à vida nos coletivos. Nascera e crescera aprendendo a dividir e usar nós no lugar de eu. E naquele momento vivia seu auge dos transportes urbanos. Levava uns quarenta minutos apenas, desde que saía de casa até chegar ao trabalho.Continuar lendo “VIDA DE POBRE I”

BANHO DE CANEQUINHA

Texto originalmente publicado em 3 de agosto de 2020. Carolina Tomoi- Abaixo para encher a canequinha, vejo vaporzinho subindo do balde de água cristalina. Sinto a água morna escorrendo pelos ombros, afago quentinho e único enquanto o resto do corpo sente os arrepios com o frio ambiente. Quero mais e repito a operação duas trêsContinuar lendo “BANHO DE CANEQUINHA”

Domesticar

Carolina Tomoi- Era tudo que mais detestava fazer, sabia que não havia nascido para aquilo. Mas sabia que era imprescindível sua função e sentia a responsabilidade de destrui-la. Talvez por ouvir a vida toda que aquilo era seu. Um tipo de herança maldita, talvez um carma arrastado por gerações milenares, uma sina, praga, lupen funcional-temporalContinuar lendo “Domesticar”

EN-TO-LER-AR

Carolina Tomoi – me afogo me entrego rápido me afogo num mar de fraquezas sou fraca me entrego ao álcool às drogas, ao prazer dia seguinte me inundo todos os meus poros amarelam sinto o cheiro e o gosto da fraqueza minha intolerância não a tolero dane-se minha Intolerância foda-se que aprenda a tolerar beboContinuar lendo “EN-TO-LER-AR”

Eleições

Carolina Tomoi- Me lembro do dia que fui buscar meu título, tinha 16, era um dia muito ensolarado como a esperança cultivada num Brasil jovem, que tinha tudo para brilhar feito estrela. Em meio àquela restrita constelação de 26 pontos a cintilar na bola azul, ainda não havia aparecido nenhum Sol que brilhasse para todasContinuar lendo “Eleições”

Ofício

Carolina Tomoi- Há tempos tenho pensado em escrever sobre meu ofício. Um assunto engasgado, travado. Um receio de cair num mar de lamentação ou num muro de ostentação. Pensando em definir-me pensei que talvez pudesse definir meu ofício: a parte de mim que escolhi trocar diariamente por sobrevivência. Deve-se ter cuidado! porque quando se fazContinuar lendo “Ofício”

Festa, festa. festa…

Carolina Tomoi- Festa, festa, festa… o que poderia ser melhor que uma boa festa? É certo que as melhores são aquelas que simplesmente acontecem. Todo bom festeiro sabe como é: bastou o cansaço da semana, calor ou frio, não importa. Mas no calor dá para espalhar a galera no quintal. Cada um traz sua meiaContinuar lendo “Festa, festa. festa…”