Seus olhos

por Ana Karina Manson Seus olhos ainda me veem mesmo de longe, Trocamos olhares pelas telas estáticas E seus olhos me passeiam, Como antes, Pelo meu corpo enluarado Pelas minhas curvas em que deslizou suas mãos, Tantas vezes, Únicas. Seus olhos ainda me invadem Como se pudesse descobrir o meu segredo Que ainda nem conheço.Continuar lendo “Seus olhos”

E os assassinos caminham livremente!

por Ana Karina Manson E hoje? Será quem? Um conhecido, um familiar, um famoso, um amigo do amigo de infância? Todos os dias o relógio desperta e um anúncio se aproxima… Eu sei: a qualquer dia, a qualquer hora vai doer em lugares inimagináveis. Saudades se acumulam e não há solução, remédio, vacina. Dói aContinuar lendo “E os assassinos caminham livremente!”

AGORA

por Ana Karina Manson Exijo agora e decreto Meu abraço de volta Meu amigo aqui perto Mão com mão Ninguém solta Está determinado Qualquer beijo roubado Será livre, será cura E o coração apertado Se renderá à loucura. É lei desde agora Que nenhum amor vá embora Que nenhuma dor se demore Fica proibido partirContinuar lendo “AGORA”

GOTAS

por Ana Karina Manson Quando vejo a amiga que se diz improdutiva gerando vida em forma de frutos, flores e hortelã Goteja esperança em mim. Quando vejo uma senhora de 98 anos recém-nascer ao se vacinar contra o mal avassalador do qual a política se armou Goteja esperança em mim. Quando vejo mulheres gerando filhosContinuar lendo “GOTAS”

PARIR-SE

Texto publicado originalmente em 12 de julho de 2020 Ana Karina Manson– Dói parir No cortar cebola com ligeireza Sob a luz do abajur nossa conversa Nas palavras com tanta firmeza Na vida que passa depressa. Dói parir Todo dia o filho novo Que se renova em gestos E ao seu encontro me movo EContinuar lendo “PARIR-SE”

ÁGUAS

Texto publicado originalmente em 5 de setembro de 2020 Ana Karina Manson- O mesmo caminho que havia feito há vinte anos. Era o aniversário dele e como o destino encontra maneiras inusitadas de vencer o tempo e fazer um encontro entre passado e presente, ela estava lá no lugar onde se conheceram, onde caminharam tantasContinuar lendo “ÁGUAS”

REENCONTRO

Texto publicado originalmente em 23 de setembro de 2020 Ana Karina Manson– Só por hoje ela queria chorar sem precisar se esconder para que ninguém descobrisse suas fragilidades. Estava tão cansada desse personagem que criou e vestia há tanto tempo, que em alguns momentos até se confundia entre o que era real e o queContinuar lendo “REENCONTRO”

Meu corpo!!!!

por Ana Karina Manson Ela tinha 9 anos quando um amigo do pai disse: — Está crescendo, vou te esperar para casar com você. Era uma brincadeira, que o pai respondeu dizendo que tinha uma espingarda e outras coisas que se acostumou a dizer, ele e os outros tantos homens na sociedade que enxergavam oContinuar lendo “Meu corpo!!!!”

Eclipse

Ana Karina Manson O amor se apresentava a eles de forma distinta do que um dia ambos conheceram. Cada um com sua história já construída, já vivida fora surpreendido com o amor que surgiu sem que dessem por ele. Quando perceberam já se olhavam com entrega e cumplicidade; já se tocavam por qualquer motivo: umContinuar lendo “Eclipse”

Depois da chuva

Ana Karina Manson Hoje estou assim Esse tempo parado Sem sol, sem chuva, sem vento Sem Dia de silêncio, nem a TV  Pra fingir a pseudo presença  De todo dia Vizinhos mexendo concreto Será mais um muro? Já nem somos vizinhos Humanos estranhos Alguma coisa se foi com a tempestade Que nem vi Agora sóContinuar lendo “Depois da chuva”

Onde as louças moram?

Ana Karina Manson Quando ela era criança odiava guardar a louça. Cresceu e continuou odiando. Mas guarda quase diariamente. A louça não toma banho sozinha, tão pouco sabe andar até máquina de lavar. Quando menina, pensava que guardar a louça era uma espécie de serviço subalterno. O principal era lavar. Só os maiores podiam mexerContinuar lendo “Onde as louças moram?”

Ela

por Ana Karina Manson Quando ela abriu o portão uma avalanche de passado, de histórias e saudades surgiu. Uma senhorinha com seus 98 anos trazia consigo tanto de si e de tantos, que o coração palpitou e os olhos marejaram. Eu e ele voltamos ao “tempo da delicadeza”. Éramos tão puros e felizes quando ouvíamosContinuar lendo “Ela”

Pequeno-grande amor

Ana Karina Manson Estavam na cama a menina de cinco anos e a mãe, quando a pequena sem a olhar disse “Mãe, o Tim Maia tem razão”. A mãe, como deve parecer óbvio, estranhou a afirmação da filha que falara como se conhecesse pessoalmente o Tim Maia, como se fosse alguém com quem tivesse conversadoContinuar lendo “Pequeno-grande amor”