De dentro de mim

Solidão, Edward Hopper

por Ana Karina Manson

De dentro de mim grito,
seco,
vazio,
silêncio.
Me vejo de tão longe que não me alcanço.
Estico o braço,
As mãos,
Em piedade.
Nada.
Não me ouço, não me vejo
Nem sou.
Busco em vão o que se perdeu
Onde?
Quando?
Sem resposta...
Encolho-me, pequena, inerte
Palpita, dispara o coração
Único movimento
O resto, estático.
Silêncio só.
Nem choro
Secaram as lágrimas
Da última vez
Na última despedida
De mim mesma.

5 comentários em “De dentro de mim

  1. ecoou aqui, ana.
    “silêncio só ” ❤
    nosso percurso entre encontrar-se, indagar-se, perder-se é trilhado em solidão por cima dos cacos da incerteza do que virá e será.
    não se espera compreensão. porque de dentro, muitas vezes, nem nós compreendemos.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Bonito e solitário! Lembro-me de uma letra do R. Russo, que diz: “É solitário andar por entre a gente.” E é mesmo. Chega a ser penoso até. E “crescer” deve ser isso mesmo: visitar e revisitar o porão que há dentro da gente. Bater a poeira que se criou ao longo dos anos…

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